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15.12.08 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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10.12.08 - Roberto Agresti |
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19.12.08 - Eduardo Correa |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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17.12.08 - Ricardo Divila |
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01.12.08 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 13.04.05 |
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| O melhor e o pior |
13.04.05 |
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Por Claudio Habara
Olá!
Eu pretendia escrever para comentar sobre a coleção de clichês que tenho lido aqui ultimamente.
Pilotos, disputas, equipes, regulamentos, tudo, não são sombra do que eram nos tempos de “Senna, Prost, etc, etc” ou de “Stewart, Fittipaldi, etc, etc”. Não, não estou dizendo que a F1 é melhor hoje que há 20 ou 30 anos. Mas também não afirmo que a categoria era melhor antigamente. Acho que são diferentes e ponto. Muita coisa mudou, e mudanças, para a maioria dos saudosistas, são sempre para pior.
Enfim, deixo para outra hora essa linha de raciocínio. Aliás, belíssima coluna da Alessandra de 18/3 comentando sobre essa eterna insatisfação com regulamentos, etc, etc. Gostaria de comentar o texto do Marcelo Jardim, sobre as pistas de “merda” (veja nas Cartas dos Leitores de abril).
Esse é um chavão bastante corriqueiro e, nesse caso, completamente equivocado. Para começar, o Victor já lembrou sobre o pobre Tilke, engenheiro, cujo trabalho muitos desconhecem e é extremamente complexo. Ele foi um dos poucos que compreenderam a evolução técnica dos carros e as conseqüências disso na dinâmica de uma corrida. Seus projetos possibilitam as tão requisitadas disputas de posição na pista. Por que? Porque são largas como um Autobahn, tem retas e zonas de frenagem longas.
Aliás, o comentário sobre Hockenheim está incorreto, pois o alemão apenas seguiu o “código de obras” da FIA para pistas homologação 1. E fez um belo trabalho dentro das possibilidades. Vide as corridas recheadas de disputas que tivemos por lá desde então.
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| Schumi escapa na frente na largada em Hockenheim 2004 |
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A antiga era melhor? Não digo melhor, mas com mais personalidade, sem dúvida. Porém, os pilotos tiveram muita sorte (inclusive Senna) de não perder nenhuma vida no meio da Floresta Negra.
Agora, como diriam comentaristas futebolísticos, camisa não ganha jogo. Pista “tradicional” não significa boas corridas. Além disso, o que é uma pista “tradicional”? Suzuka é tradicional e Silverstone “vá lá”?? Suzuka entrou no calendário em 86, se bem me recordo. Silverstone, ahn, em 1950!!! Primeira corrida do Mundial!! E mesmo hoje ainda conserva boa parte da pista original.
San Marino é tradicional e Nurburgring não?? Aí podem dizer “ah, mas Nurburgring que era tradicional é a de 22km...”. Certo, Mas o que é Imola com a Tamburello e a Villeneuve com chicanes no meio? O que é Interlagos retalhado sem 1, 2, 3, Sol, Sargento, etc, etc.?? Tradicional? E fora que San Marino entrou só em 80 no calendário e hoje em dia é talvez mais difícil ultrapassagens por lá que em Hungaroring.
Só para constar, também acho que automobilismo é coisa para quem tem “balls” e que existe uma busca às vezes exagerada por segurança. Mas essa de “estão colocando chicanes nas nossas retas” é coisa de 10, 15 anos atrás e hoje virou chavão. Analise as citadas pistas de Sepang, China, Bahrein e mesmo Indy (aliás, outra sem “tradição” alguma...) e descubram que não existem chicanes no meio das retas.
Portanto, não compreendo qual o critério que o Marcelo Jardim usa para separar as pistas “boas” das de “merda”. Tradição por tradição, deixar Indy e Nurburgring de fora e “vá lá” Silverstone é sacrilégio. Se for pela tradição do traçado utilizado atualmente, Interlagos e San Marino são um lixo. Se o critério é pista para “macho” é pista boa, então colocar Monte Carlo e Interlagos entre as melhores é equivocado. Enfim, essa análise sobre os autódromos e circuitos do calendário atual foi infeliz.
Eu vou comentar algumas coisas sobre alguns dos nomes citados.
Spa – eu ia comentar mas o Pandini já falou: essa pista era “non grata” pelos pilotos antigamente, assim como Nurburgring, exatamente pelo perigo absurdo que apresentavam. Pistas para quem “tem culh...”, mas mesmo os “malucos” de outros tempos reclamavam. Se não me engano, no próprio filme Gran Prix, há uma alusão a isso.
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| Spa e a sua magnífica Eau Rouge no GP do ano passado |
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Suzuka – autódromo que podemos considerar “jovem”. Não acho que se possa dizer que lá se respira mais “tradição” que as outras 11 pistas mais antigas que Suzuka no calendário.
Interlagos – infelizmente retalhado e excluído durante uma década do calendário. Pela estréia, com o traçado original, só é mais jovem que 6 outros locais. Mas esse novo e pálido circuito não tem lá muita coisa de tradicional.
Monza – o mais antigo e um dos que mais ceifou vidas na Europa. Tem chicanes desde o tempo em que a F1 era uma “maravilha” e não essa “merda”. Aliás, a variante Ascari era muito pior nos anos 70 que hoje em dia. E fazer Monza sem chicanes? E depois odeiam os ovais americanos...
Mônaco - lá certamente se respira tradição e glamour. Nada conta Mônaco. Mas a mídia (vide certos narradores) elevou esse traçado à condição de “seletivo” (essa palavra não significa nada para mim mas era utilizada como “separa os bons dos ruins, os de talento e sem talento”). Depois da reforma na chicane do porto, a construção das piscinas, a colocação dos guard rails na Saint Devote e o acréscimo das pernas na Rascasse, Monte Carlo, que já era travada mas tinha trechos muito interessantes (inclusive pontos claros de ultrapassagem...), virou o que muitos chamam de “procissão”. Legal de ver mas longe de “separar meninos dos homens” como tentaram nos passar durante as transmissões (provavelmente por conta do sucesso brasileiro por lá...)
Bahrein – retas, grandes áreas de frenagem, pista larga, possibilidade de disputas e melhor, com riscos mínimos de alguém se machucar. O cenário não agrada por ser no meio do deserto? Mas vale lembrar que, muito tempo atrás, cenários exóticos como o Marrocos e a Líbia já eram procurados para GPs.
Sepang – calor insuportável era uma das características principais de Kyalami. E fora a altitude africana. Vale lembrar que mesmo com tanta “largura”, o Herbert deu a pior pancada da vida dele lá por falha mecânica. E olhe que ele protagonizou um dos acidentes não fatais mais espetaculares que eu já vi, em Brands Hatch. Imagina se Sepang fosse estreita e sem áreas de escape enormes.
China – essa pista, apesar de nova tem charme e personalidade. Um ótimo projeto. Na minha opinião o projeto do traçado foi muito bem resolvido. Falar que Sepang, Sahkir e Shangai são iguais é a mesma coisa que afirmar que Jarama, Hockenheim e Suzuka são idênticos (de cabeça, acho foram feitos pelo John Hugenholtz).
Hockenheim – outra boa intervenção do Tilke. A pista antiga levou o Depailler e quase muitos outros. Assim como Spa e Nurburgring, não era lá bem vista entre os pilotos. Eu achava muito legal ver corridas lá mas nada justificava o perigo.
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| Stewart perseguido por Miles e Brabham em Hockenheim 70, primeira vez q o autódromo foi usado na F1 |
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Indy – pista “Mickey Mouse” era uma expressão já bem antiga. Acho que li algumas vezes o Piquet se referindo a traçados como Hungaroring. Convenhamos: o miolo é travado, lento mas temos o equilíbrio com o trecho do oval. E, afinal de contas, o que importa não é a tradição? É o autódromo mais antigo do mundo ainda em uso, o que mais matou pilotos nos EUA e que abriga a mais tradicional e popular prova do mundo. Quer respirar mais tradição que isso?
Eau Rouge – só p/ lembrar, em 94, há 10 anos atrás botaram uma chicane de pneus na entrada da Eau Rouge. E só p/ constar também, a área de escape aumentou absurdamente nos últimos 20 anos, mesmo sendo uma curva de macho. Uma coisa é ser pista para “quem tem culh....”. Mas não precisa ser um lugar p/ se morrer por uma falha humana ou mecânica. Como aconteceu nessa curva com Bellof por falta da “área de escape enorme, própria para pilotos de merda”. E o Senna também precisou de uma área de escape ligeiramente maior em Imola... e nem por isso era piloto de merda...
Retão de Interlagos – o retão não existe mais desde 89. Ou seja, colocar chicane lá??? Aliás, só p/ constar também: o projeto mais cotado para a reforma de Interlagos antes daquele “S” que a mídia considerou “uma curva desafiadora” (sim..... igualzinho a 1a curva antiga...), previa uma chicane estilo Bus Stop (de Spa) no fim do retão, para remediar a impossibilidade de se aumentar a área de escape da 3. Nessa versão, as curvas que sumiriam do traçado original seriam Ferradura, Lago, Sol e Sargento. Em compensação, a alma original poderia ser preservada mantendo-se a 1, 2, 3 entrada do miolo.
Zandvoort – Atualmente é uma pista para lá de burocrática. Eu assisti faz 2 ou 3 anos uma corrida de um campeonato monomarca de (acho) Rovers em Zandvoort. Ninguém passava ninguém mesmo sendo turismos que podem se “esfregar” livremente. As curvas que fizeram a fama da pista holandesa são bem diferentes ou deixaram de existir. Não creio que acrescentaria alguma coisa a F1 na qualidade das provas. Ou pelo menos mais que as que o Tilke projetou.
Laguna Seca – Laguna Seca, a melhor opção nos EUA?? Na Champcar é dificílimo ultrapassar porque quase não temos retas por lá. A freada da reta principal é em curva e a pista é estreita e suja. E na freada do Cork Screw só se passa com ajuda do da frente ou em uma manobra suicida como a do Zanardi (aliás, uma das mais belas que já vi...). Se quer falar de mistos de verdade por lá, temos outros mais interessantes, como Elkhart Lake. Outra coisa: o Cork screw está longe longe de ser uma “pseudo Eau Rouge”. É uma curva de baixa velocidade que tem sua dificuldade em não haver referências na aproximação por estar no limite entre a subida e descida de uma colina, além de ser totalmente cega. É perigosa pelo fato de não haver áreas de escape por lá (o Gonzalo Rodrigues que o diga. Mas afinal de contas, áreas de escape enormes são para pilotos de “merda”...). Não tem absolutamente nada a ver com a Eau Rouge, conhecida por testar o destemor dos pilotos por causa de sua velocidade absurda de contorno.
Brno – veja bem, Brno é uma pista que tem várias características dos traçados do Tilke. Retas e frenagens fortes. A diferença é a largura da pista e a maior insegurança por conta de áreas de escape menor. Ah, e nada de curvas rápidas.... Seria melhor mesmo que China, Bahrein e Malásia? Só se for pela imensa tradição da República Tcheca no automobilismo....
Kyalami – a pista africana não tem quase nada do antigo traçado. É exatamente o que você chama de “mickey mouse”. E o pior ainda: depois que a F1 deixou a África do Sul, a pista foi reformada novamente: ficou mais longa, e continua sem atrativos...
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| Bélgica 66 O carro pendurado é de Jo Bonnier |
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Para encerrar, tente entender uma coisa: os autódromos precisam evoluir tanto em segurança quanto na dinâmica das provas em que são utilizados. Nada, mas absolutamente nada justifica perder o piloto por conta de uma pista insegura. Pilotos precisam ter os tais culh... mas não precisam se submeter a riscos desnecessários. Fazer isso não é ser corajoso, mas sim, ser louco...
Nem por isso defendo que curvas devem ser todas feitas em baixa velocidade ou que os traçados tem que ser travados, etc, etc. Seria ótimo se tivéssemos um monte de Eau Rouges, Begwerks, Woodcottes, 1s, 2s, 3s, com áreas de escapes enormes de asfalto seguidas por brita e finalmente barreira tripla de pneus. E pense bem, quem mais tem se aproximado disso é o Tilke....
Abraços
Claudio Habara, São Paulo
PS1.: essa do Senna no túnel (Coluna do Ernesto Rodrigues de 7/4) comprova que ele foi um gênio... um gênio do marketing...
PS2: a ultrapassagem do Piquet sobre o Senna foi fantástica (Coluna do Panda de 24/3). Eu vi ao vivo... Mas acho que “humilhante” é um pouco forte. Assim como “ah..o carro do Piquet era superior ao de Senna” para rebaixar a manobra uma besteira imensa. Foi uma manobra fantástica e ponto. É uma daquelas coisas que não vi piloto algum chegar perto de fazer na f1 nesses quase 20 anos.... nem Senna, nem Prost, nem Mansell, nem Schumacher. E nem por isso considero Piquet melhor que A ou B ou o inverso...
PS3: a ultrapassagem do Hakkinen sobre o Schumacher em Spa foi por dentro, e não por fora.
PS4: Adelaide era realmente interessante. Tanto até que outros autódromos novos batizaram seus hairpins como “Adelaide”, por conta aquele grampo após o retão na Austrália. Porém, duas coisas “pegavam” lá. A péssima drenagem causava aquaplanagens com freqüência em pista molhada (que era bem comum no fim do ano) e as curvas rápidas que antecediam o retão sempre fizeram vítimas e quase o Hakkinen perdeu a vida durante os treinos.
PS5: Zolder? Não dá para comparar Zolder a Spa. Em termos de GP da Bélgica, hoje estamos muito, mas muito melhor servidos em termos de pista.
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