A melhor corrida da temporada estragou o campeonato. O Alonso vinha engolindo a diferença pro Hamilton. E esse regulamentozinho de melda também contribuiu.
Não quero desmerecer o Hamilton, pode ser que em mais alguns anos ele prove que é um dos grandes da história. Mas fosse na época dos 12 resultados válidos, com pontuação 9-6-4-3-2-1, a situação seria a seguinte:
Hamilton já estaria além do limite de 12 pontuações. Já estaria descartando 5 pontos (um 4º e um 5º), caindo de 83 para 78 pontos. Poderia vencer as duas que faltam (+18). Teria que abrir mão de dois 3ºs (-8). Passaria de 78 para 88 pontos e seria campeão.
Mas Alonso, com 12 pontuações, dependeria apenas das próprias forças para ser campeão. Estaria com 71 pontos. Poderia vencer duas (+18) e descartaria um 4º e um 5º (-5). Passaria de 71 para 84 pts e seria campeão, já que Hamilton, se fosse segundo nas duas provas (+12), eliminaria dois 3ºs (-8) e somaria apenas 82 pts.
E até Raikkonen, que estaria com 69 pts, se vencesse as duas (+18) eliminava um 4º e um 5º (-5) e somaria os mesmos 82 pontos de Hamilton, sendo que com maior número de vitórias.
E a gente ia ainda estar com o campeonato totalmente aberto. Bem, quase, já que o Massa estaria eliminado mesmo no regulamento antigo. Outros tempos.
Bom, é claro que acho uma façanha o que Hamilton tá fazendo, não quero desmerecer. Mas já vi um hepta (Schumacher), um tetra (Prost), dois tricampeões (Piquet e Senna). Todos precisaram provar seus valores na pista e o fizeram repetidamente para não gerar dúvidas. Hamilton pode vir a ser um multicampeão. Ou também pode vir a ser lembrado como o piloto que nunca conseguiu repetir a temporada de estréia. Vai adivinhar?
A primeira coisa a se falar é sobre aquela palhaçada de 18 voltas com o Safety Car. Ora, se não havia condições de largar, que se desse bandeira vermelha e se esperasse as condições da pista melhorarem. A FIA demonstrou, mais uma vez, que está preocupada apenas em começar a corrida na hora para cumprir contratos, sem dar a mínima se o que está oferecendo aos espectadores é uma farsa (tal como aconteceu em Indianápolis 2005). Os espectadores que pagaram ingresso para verem 67 voltas e só viram 48 deveriam pedir um terço do valor do ingresso de volta.
Sobre a corrida, o acidente de Alonso praticamente definiu o título mundial. Não deu para ver a rodada, mas se o carro aquaplanou, o piloto não tem muito o que fazer. Nesse tipo de condições, um detalhe pode definir a corrida. O próprio Hamilton por pouco também não caiu fora após o toque com Kubica.
De todo modo, o jovem inglês é o piloto mais merecedor do titulo esse ano. Foi o mais regular, o que menos cometeu erros, e o que soube melhor contornar os azares. Em condições normais não perde mais o título. Mas se houver outra corrida com chuva, tudo pode acontecer.
Emerson Fittipaldi foi o mais jovem campeão com 25 anos em 1972. Foram necessários 33 anos para que Alonso baixasse esse recorde em 1 ano. Agora, apenas dois anos depois, Hamilton pode baixar esse recorde de idade em 2 anos.
Kovalein fez mais uma boa prova e se consolidou como principal piloto da Renault, o que faz com que Fisichella seja perfeitamente descartado em 2008. No ano que vem, se não tiver o Alonso, certamente que o Briatore pode colocar o Nelsinho Piquet.
Webber e Vettel faziam as melhores corridas de sua vida até se envolverem naquele acidente grotesco atrás do Safety Car. Embora Vettel assumisse a culpa, acusou também o Hamilton de ter provocado o acidente com aquele jogo de freia/acelera. E realmente o inglês deveria ter recebido no mínimo uma advertência por esse procedimento, que já se revelou perigoso (tal como já se viu em Mônaco 2004).
A disputa entre Massa e Kubica no final da prova foi o que de melhor aconteceu esse ano. Lembrou aquela famosa disputa entre Villeneuve e Arnoux em 1979.
Massa demonstrou esse ano que, se não está a altura dos nossos três campeões, pelo menos tem mais combatividade que Barrichello. Pela primeira vez em muito tempo o Galvão falou uma coisa interessante: "É isso que se espera de um piloto da Ferrari".
Pena que espetáculos como esse só possam acontecer hoje em corridas com chuva.
Há algumas corridas venho notado a presença de Adrian Sutil entre ultrapassagens milagrosas com sua Spyker em Toyotas, Hondas, Aguris...
E agora no GP de Fuji vejo um certo alemão ultrapassar McLaren chegando até a dividir curva com o campeão mundial, tudo isso apenas com uma Toro Roso, que é um dos piores carros da Fórmula 1.
Na minha opinião, a fatura está fechada: o título é de Hamilton!
A despeito de as chances matemáticas de Alonso e Raikkonen existirem, não acredito que possa acontecer alguma zebra e fazer o inglês perder o campeonato.
O pit stop de Massa
Felipe Massa deu adeus ao campeonato, porém, não foi nessa última corrida. Ele veio dando adeus aos poucos, na medida em que foram ocorrendo todos os erros durante o ano. Problemas no carro (quebra do câmbio na Austrália, motor apagado antes da largada em Silverstone e suspensão quebrada em Monza), erros dele (péssima largada na Malásia e o erro infantil em Montreal) e os erros da equipe (não reabastecimento nos treinos na Hungria e agora a escolha dos pneus no Japão) foram demais!
A F-1 não perdoa tantos erros concentrados num só carro, num só piloto, numa só equipe. Erros que não estávamos acostumados a ver na Ferrari, principalmente nos últimos 10 anos. Aliás, muito estranho essa história de que as equipes são avisadas por e-mail para configurarem seus carros pra corrida... Será preciso alguém acima da média pra ver que com aquele temporal os pneus intermediários não eram a melhor escolha? A Ferrari realmente parece que saiu do prumo esse ano, vai ter que melhorar bem seu carro para 2008 senão vai levar na cabeça de novo. E, claro, vigiar bem seus funcionários...
Hamilton merece o título, pela regularidade e por tudo que mostrou durante o ano. Mesmo que eu não o ache esse fenômeno todo, por razões que já escrevi aqui, sou forçado a aceitar que ele realmente foi o melhor do ano. E entra pra história, isso não se discute!
Agora, por que será que a Mariana Becker não está mais cobrindo a F-1? Vai ver que foi ela que pediu pra sair, afinal o Rasputim Bueno estava tratando-a muito mal, profissionalmente falando.... quem acompanhou as corridas em que ela estava, ouviu! Uma pena...
Houve aí uma comparação da disputa Massa x Kubica, com o memorável duelo de Villeneuve x Arnoux, de 1979. Guardadas as devidas proporções, o de agora só ocorreu por causa da chuva; se lembrarmos de Silverstone, Massa veio de trás, atropelou "adversários fortes" mas quando colou no polonês não conseguiu ultrapassar. Fica aqui uma pergunta: seremos agora reféns das chuvas para podermos ver um pouco mais de disputas por posições na pista??? Era só o que faltava...
Que venha o GP da China, mesmo de madrugada, quem sabe uma chuvinha ajuda a dar mais emoção nesse final de campeonato...
Comecei a acompanhar a F-1 no Grande Prêmio do Brasil de 1983, vencido pelo meu ídolo Nelson Piquet.
De lá para cá, creio que deixei de assistir umas 12 corridas, todas por imprevistos que fugiram ao meu controle. Ou seja, se minhas contas estiverem certas, o GP da China será o meu Grande Prêmio de n.º 400. Ou seja, acho que pelo menos o básico sobre o assunto eu desenrolo. E uma das coisas que mais gosto de fazer no que diz respeito à F-1 é procurar vídeos, histórias novas e antigas, tristes e engraçadas, curiosidades, sobre esses homens maravilhosos e suas máquinas voadoras (desculpem a falta de criatividade...).
O toque entre Kubica e Hamilton
Acesso o GPTotal e o www.grandepremio.com.br há seis ou sete anos, li inúmeras histórias interessantes aqui (toda vez que releio o comentário sobre o GP do Canadá de 1973 morro de rir), mas tem uma coisa que enche o saco. É claro que estou falando da Guerra das Viúvas. E não estou falando apenas das viúvas do Senna, mas também das do Piquet, Schumacher, Prost, Mansell, Emerson, Lauda, Stewart, Fangio, Clark, Gilles Villeneuve, etc.
Pessoal, às vezes eu acho que vocês comem esterco no café-da-manhã. Porque tem que existir o melhor de todos os tempos, ao invés de os melhores? Senna era melhor que Berger? Sim, claro! Isso foi visto nos três anos em que correram pela McLaren. Piquet foi melhor que Patrese? Óbvio que sim! Nos dois anos em que dividiram o box da Brabham, o brasileiro venceu 4 corridas e um campeonato, contra duas vitórias (uma na sorte e outra dada por agradecimento do próprio Piquet) e um nono lugar como melhor classificação final do italiano. Schumacher foi melhor que Barrichello? Está certo que o alemão tinha seus privilégios, mas é preciso responder? Agora, pode-se afirmar que Senna foi melhor que, por exemplo, Fangio? ou melhor que Clark? Schumacher foi melhor que Stewart? Ascari foi melhor que Prost?
Claro que não! Minha gente, como eu posso comparar carros como Mercedes W196, Lotus 72, Williams FW07, Brabham BT52, McLaren MP4/4, Williams FW14, Ferrari F2002? São carros de épocas totalmente distintas, o que torna inviável comparações entre pilotos. Só podemos comparar que correu na mesma época, nunca em épocas distintas. Tudo bem, se me perguntarem, acho que Senna foi melhor que Schumacher, assim como acho que Piquet era melhor que Senna. Nem por isso eu deixei de torcer pro Senna. Ora, 1986 e 1987 foram dois anos ótimos, porque eu assistia às corridas sabendo que dois brasileiros podiam vencer. Afinal de contas, sou brasileiro, e não piquetiano, sennense ou fittipaldês.
Bom, foi apenas um desabafo. Espero de vocês discussões mais construtivas e interessantes.
Muito bom o GP do Japão, talvez o melhor do ano. E quase que o Diretor de Prova estraga tudo com aquela procissão atrás do Safety Car, quase fui dormir. Talvez tivéssemos visto muitos outros pegas interessantes caso a largada tivesse sido dada logo na primeira volta.
Quanto ao campeonato, discordo do Luis Fernando Ramos, em sua coluna de 30/9/2007. Seria muito mais justo se o campeonato ainda estivesse aberto, com a possibilidade de premiar o piloto mais rápido, que ao meu ver, na média, é o Felipe Massa. Discordo também dos erros imputados pelo Ico ao Massa, vejamos:
Wurz, momentos antes de atingir o Ferrari de Massa
1) Discordo do julgamento dos comissários pela saída com boxes fechados por que até hoje não entendi qual a intenção de manter um veículo que depende do próprio movimento para refrigerar o motor parado na saída dos boxes. Se havia algum risco na pista que tornasse perigoso seu retorno à ela a corrida deveria ser interrompida e não fechada a saída dos boxes, eu nunca vi este procedimento;
2) A punição pela ultrapassagem sob bandeira amarela, ou durante o Safety Car, entendi menos ainda. Primeiro porque não mostraram a tal ultrapassagem, sequer disseram quem ele ultrapassou, segundo porque tudo aconteceu durante o tempo em que o Safety Car estava na pista. Não teria sido suficiente determinar que o piloto brasileiro devolvesse a posição ao piloto sobre o qual levou vantagem? Isso não bastaria para evitar que Massa tivesse alguma vantagem ou o piloto ultrapassado prejuízo?
Sei que esses dois erros Massa realmente cometeu, só discordo da pena imposta ao brasileiro, até mesmo porque sei que caso fosse o Hamilton, queridinho da Inglaterra, que os tivesse cometido a pena seria outra. Ele dirigiu um carro deu uma equipe excluída do campeonato e sequer perdeu um ponto, nem uma posição na classificação de uma corrida. Mas sei que vão taxar meu comentário de TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, vão dizer que este tipo de coisa não acontece na F1.
Mas o pior foi dizer que foi o Massa que errou na Hungria? Essa eu não entendi mesmo.
Será que tem uma regra nova na categoria que diz que é o piloto que tem que descer do carro e abastecê-lo nas paradas de box durante os treinos. Desconheço tal regulamento. Mas concordo com o colunista quando diz que a Ferrari errou muito mais que seus pilotos, e digo mais, caso a equipe Italiana tivesse tido o mesmo nível de eficiência dos Ingleses o campeonato estaria sendo liderado pelo seu atual quarto colocado, que foi o piloto mais prejudicado pelos erros da sua equipe. Não cheguei a fazer as contas dos pontos que Massa ganharia, e conseqüentemente seus adversários perderiam, mas tenho certeza que seriam suficientes para levá-lo a liderança.
Largada em Fuji
Mas o se não ganha campeonatos nem adianta chorar o leite derramado. Ano que vem, com o Ross de volta, quem sabe?
Gostei da idéia da dança indígena para chover durante o GP da China, e sugiro mais: ano que vem, nós amantes das corridas com chuva, vamos fazer uma vaquinha e contratar aquele sujeito que, na época do apagão (o original - melhor identificar, pois estamos no país dos apagões), andava pelo país com um aviãozinho jogando água nas nuvens prometendo que faria chover, para que faça chover em todas as provas do campeonato. Seria ótimo, o tio Bernie adoraria, acho até que participaria da vaquinha.
Gostaria apenas de manifestar-me a respeito da McLaren. Admiro essa equipe desde os tempos do Senna e, por mais que os últimos acontecimentos tenham manchado a imagem do time, ainda assim compro a briga com meu pai - italiano e tifosi - esperando ver as flechas de prata no alto do pódio.
Talvez eu seja a única viva alma que torce para o time inglês, e dou graças pelo fato de o público de F1 ser bem diferente de outros esportes, como o futebol, por exemplo. Quando do primeiro ano de Rubens Barrichello na Ferrari, era um dos pouquíssimos em Interlagos com camiseta da McLaren, contrastando com o mar de vermelho dos torcedores da escuderia italiana. Se fosse em um estádio de futebol.... ai, ai, pobre de mim.
O que nos traz de volta ao tema da coluna: That´s entertainment! Ainda bem que os leitores e os escribas desse site assim o entendem também.
Acho que fora da Ferrari - e da McLaren -, ninguém sabe exatamente quanto pesa um carro da equipe.
Pelo regulamento, são 600 kg incluindo o piloto (por isso eles saem direto do carro para as balanças) mas sabe-se que o peso efetivo do carro é bem menos de 500 kg, a diferença sendo completada por lastros fixados ao chassi. Há quem diga que um Fórmula 1 moderno pode levar até 70 kg de lastro. Considerando que Massa deve pesar uns 70 kg, sobram uns 460 kg para acomodar chassi, motor e acessórios.
Havia um tempo em que os pilotos, para simplesmente chegar à categoria máxima, precisavam percorrer um caminho mais longo, e lutar mais pelas categorias de base. Chegavam à F1 aos 24, 26, 28 anos e muitas vezes passavam dois ou três anos aprendendo, até estarem no ponto para disputar vitórias e títulos.
Lewis Hamilton, aos 22 aninhos, sendo campeão em seu primeiro ano, num momento em que não há mais ultrapassagens e os carros quebram muito menos, é desalentador. Suas virtudes, que de fato existem e estão aí, não me seduzem. Parece um robô pronto para vencer, forjado em laboratórios e simuladores, desde que tenha um carro adequado.
Não sou fã de Hamilton, exatamente por achar que lhe faltam algumas rugas e cicatrizes trazidas pela vida e pelas dificuldades. Vê-lo ganhando me desanima muito, e olha que acompanho F1 há 30 anos.
A mesma categoria onde os pilotos tinham uma aura mística, desafiando a morte, agora está povoada por garotinhos, como esses que estão aí tirando suas carteiras de motorista na cidade.
OK, minha visão é romântica e os tempos mudaram. Mas como estão chatos!
Eu em momento algum citei quem poderia ser o campeão da temporada. Ao contrário, descartei o Felipe Massa após perder a vitória no GP da França nos pit stop para o Raikkonen. Mas entre o Hamilton e o Alonso confesso que tinha uma simpatia pelo inglês. O Alonso caiu em desgraça ao se tornar o novo Dick Vigarista da Formula 1.
Creio que após o resultado deste GP do Japão, esta situação ficou devidamente esclarecida e resolvida. O título é do Inglês.
Com chuva tudo fica diferente, mas esta prova do retorno de Fuji ao calendário da categoria foi ainda mais anormal que as corridas mais extremas a que estamos acostumados a ver, lá vez ou outra. Você mora no Sul do país, como eu? Se a resposta for sim e se você tiver carteira de motorista, sabe exatamente o que é dirigir dentro de um nevoeiro, ainda mais com chuva caindo, que transforma a já complicada umidade em verdadeira camada de cobertura de água sobre o asfalto. Próximo a Curitiba temos a Serra de São Luis do Purunã, no município de Balsa Nova. Também tem a Serra do Mar, em direção aos litorais do Paraná e de Santa Catarina e, a oeste da capital e já um pouco mais distante, a Serra da Esperança, entre os municípios de Guarapuava e Prudentópolis. Tem outras sim, mas citei as que conheço melhor, pelas quais a gente passa com certa freqüência. E "citei para citar" isso: se você construísse um autódromo na base de cada uma delas, se isso possível, o que se viu nesta madrugada em Fuji aconteceria exatamente o mesmo aqui, sem tirar nem pôr. Confesso que não conheço o Japão, muito menos a base do monte mais famosos daquele país. Mas existem algumas leis naturais que se repetem sempre, independente de qual credo ou língua seja o país em questão. Montes, em regiões não desérticas, sempre estão associados a nevoeiros. Ou eu estou errado?
Kovalainen terminou em 2o lugar
Que a corrida foi legal, não há dúvidas. Mas para você e para mim, que estávamos confortavelmente sentados em nossas camas ou sofás! Duvido que tenha sido uma diversão extrema para os pilotos, como muitos tendem a pensar. Quase nunca concordo com o Galvão Bueno, mas desta vez ele falou uma verdade, sobre tudo que diziam sobre Senna pilotando na chuva (o brasileiro certa vez afirmou que quem dizia que chuva era fácil para ele é porque não conhecia uma pista molhada de dentro do cockpit). Quer ver como esses caras são corajosos, muito além da conta que nós fazemos? Um avião não pousa em Curitiba com um nevoeiro parecido com esse de Fuji, nem com a ajuda de equipamentos eletrônicos de ponta. Ah, tá, você vai dizer que avião é outra coisa... Sim, é, claro, mas uma velocidade de 300 km/h é sempre 300 km/h, seja no seco ou no molhado, no ar ou na terra. E era isso que esses malucos da F1 enfrentavam no final da imensa reta (de aeroporto!) do circuito aos pés do monte Fuji. Alonso, como ele próprio admitiu, aquaplanou. Ok, isso é normal em chuva, com a gente pode acontecer o mesmo já há meros 80 km/h. Só que o piloto espanhol estava em alguma coisa entre 240 km/h e 260 km/h! Esses caras são loucos! Por isso eu os adoro. Por isso amo a F1!
Se você não é ou não mora em uma região do país no qual os nevoeiros são comuns no inverno, mas se gosta de dirigir e não tem medo de situações mais extremas, venha para cá numa época de frio. Você precisa ver na prática o que é dirigir a parcos 40, 60 km/h e ter a sensação de que está em altíssima velocidade, em função da praticamente ausência de visão à sua frente (ou então apenas feche os olhos e ande pela sua casa - seu ritmo será lento e mesmo assim a sensação é de que você precisa diminuir cada vez mais o ritmo). Subindo qualquer uma das citadas serras, principalmente as de São Luis do Purunã e da Esperança, você só enxergas as lanternas de um caminhão quando está a meros 10, 8 metros dele! E ainda assim, a parcos 50 km/h por hora, ainda tem que frear forte, pois às vezes eles estão a bem menos que isso! Estou frisando bem este ponto da visibilidade e da aderência porque, a certa altura naquela parte inicial com o safety-car na pista, achei que o diretor de prova não daria a largada. Mas deu, e ainda pudemos presenciar uma corrida que vai ficar nos anais da história da categoria, não tenha dúvidas.
Como não dizer que o destaque foi Lewis Hamilton? Alguém ainda acha que ele tem alguma coisa para provar? Não tem não, não neste ano e não com este carro, pelo menos. A cara de Alonso no Japão de 2007 não lembrava a cara de Schumacher no Japão de 2006? O do passado ficou por problemas mecânicos e a TV mostrou sua cara de desconsolo, quando percebeu que o seu último título lhe escorria pelas mãos. Agora, o do presente, até demorou para sair do carro, quase nos fazendo pensar que estava machucado, tamanha foi a pancada (apesar da TV não mostrar direito ou por inteiro praticamente nenhum lance genial da corrida). Quando saiu, ficou parado atrás de uma cerca de tela, talvez com sua carreira inteira passando diante de seus olhos e pouco depois seu arqui-rival, a completar mais uma volta em direção ao título deste ano. Hamilton foi soberano, pouco errou e quando isso aconteceu soube domar seu carro, não saindo da prova. Chuva é para poucos, e chuva torrencial apenas para pouquíssimos. Hamilton fez até o próprio Alonso, reconhecidamente bom de chuva, parecer um estreante em pistas molhadas.
Kimi e Sato
Acredito que o outro grande destaque da prova foi o alemão Sebastian Vettel, da Toro Rosso, que já tem até ponto este ano, de quando substituiu o polonês Robert Kubica em Indianápolis, pela BMW. Liderar a prova até nem foi tanto, por que em situações de muita chuva não chega a ser uma novidade um carro lá do fundo do grid chegar e andar lá na frente. Mas a maneira como este garoto de 20 anos fez isto é que foi o destaque: dêem para ele um carro de ponta e pode ser que se descubra um novo Lewis Hamilton. Mesmo quando bateu em Mark Webber, da irmã Red Bull, Vettel foi grande: não chutou o balde nem empinou o nariz, mas apenas desabou em choro, escondido ainda debaixo do capacete. Deu pena. Mas ele é grande, pode ter certeza. E bateu muito provavelmente porque, ainda com safety-car, Lewis Hamilton vinha adiantando demais as freadas, num momento em que não precisava mais confundir seu adversário direto, Fernando Alonso (que já estava fora). Um leitor de outro blog escreveu que não deveria ser permitida esta prática com pista molhada: Alonso, por várias vezes lá no começo, quase bateu em Hamilton, por conta das acelerações bruscas e freadas mais bruscas ainda do piloto inglês. E acho que concordo: fazer isso com pista seca é uma coisa, mas com pista molhada pode gerar acidentes mais sérios sem necessidade. Mas, se o regulamento (ainda) não proíbe, então é permitido.
Finalmente, como não perder por alguns instantes o fôlego naquele pega sensacional entre Kubica e Massa, nas voltas finais do GP, terminando com vantagem para o brasileiro? Kubica não facilitou e Massa literalmente colocou a faca entre os dentes, principalmente quando saiu da pista após a última curva mas não aliviou o pé, retornando feito um foguete à reta, cruzando com tudo na frente do piloto da BMW e recebendo a bandeirada à sua frente. Coisa de gente grande. Coisa de mestre! Massa é assim, e não tenho mais dúvidas nenhuma: um piloto que, as vezes, faz coisas que nenhum outro consegue, sempre com uma garra momentânea muito acima da média. Puro Nigel Mansell dos anos 80, 90. Se a Ferrari não tivesse errado tanto neste ano (agora, de novo, com aqueles pneus intermediários em pleno dilúvio!) e se o próprio Felipe tivesse um pouquinho mais de equilíbrio em certos momentos, poderia sim ser ele o piloto a estar disputando com Hamilton o título de 2007. E, já que voltei a falar no inglês, termino com a idéia Fernando Alonso aos jornalistas em Fuji após suba batida: "agora é só um milagre". Para ele sim, porque para o novato da McLaren o título já é um fato praticamente selado e sacramentado!
Os fãs de F1 devem unir-se nas vésperas de GP´s para um corrente em favor da chuva. Mandinga, dança da chuva, seja o que for. Chuva passa a ser sinônimo de corrida boa.
Achei que Alonso seria campeão. Errei. Hamilton, ontem, demonstrou que é realmente excepcional. Um piloto de 22 anos, correndo pela primeira vez no circuito, sob pressão e correr daquela maneira ? Sem duvida, o primeiro de um série de titulos e recordes.
Alonso e Vettel
Kovalainen calou a boca dos críticos. Têm um carro ruim nas mãos mas mesmo assim vêm demonstrando muita competência. Não fosse o furacão Lewis e estaria tendo muito mais atenção. Os que torciam contra ele ou o criticavam até ofensivamente, como se isto ajudasse Nelsinho Piquet, morderam a lingua. Alias, precisamos ter pilotos brasileiros mais competentes para que o pessoal pare de torcer contra os outros para os nossos ganharem. Prefiro que ganhem por capacidade própria.
Acho que a vida de Massa vai ficar muito complicada. Kimi vai terminar o ano como primeiro piloto e duvido que no ano que vem a Ferrari siga a mesma politica deste ano deixando a briga livre. Não faz parte da história da escuderia rossa.
Vettel foi a surpresa da madrugada mas cometeu um erro besta, como estreante acho que têm este direito. Sutil também foi muito bem. Marcar um ponto com o pior carro da F1 é uma façanha e tanto. A grande decepção ficou por conta da BMW e da bobagem da Ferrari de insistir em largar com pneus intermediarios. A bobagem de Massa ultrapassar Heidfeld após sair da pista também foi demais. Os pilotos e escuderias não conhecem o regulamento ?
Rubinho, como sempre tentou nos enganar até o fim, e o Galvão acredita. Até quando vamos ter que agüentar o festival de bobagens que este locutor "vomita" em nossos ouvidos à cada corrida ? À 1:30 da madrugada, só com muita cerveja para aguentar !
A Globo deveria respeitar pelo menos um pouquinho a opinião de seus telespectadores ! Achar que gostamos do Galvão só pode ser piada. Não temos opção !
Fiquei apenas com uma duvida. Massa ultrapassou Kubica por fora da pista. Isto é permitido ?
Edu, acho que o que falta à Toyota é piloto para fazer a equipe andar para o lado certo. Trulli e Ralf, na minha modesta opinião, são pilotos medianos e não têm moral para isto.
Você já imaginou a situação do Massa se realmente a Ferrari optar por Kimi como primeiro piloto ? Isto não é nenhuma hipotese absurda e está muito proxima de ocorrer. Massa tornaria-se um Barrichello. Ele mesmo já admitu que pode escoltar Kimi no resto da temporada. Você sabe como é F1, abriu uma vez, não fecha mais.
Talvez a opção de extremo risco de ir para a Toyota não seja tão absurda assim.
Já imaginou se ele consegue ajudar os japas à desenvolver um carro vencedor ?
achei muito legal depois de 30 anos a prova voltar para Fuji onde como ocorre sempre cai chuva e gostaria de saber se vocês tem a prova (video) em que James Hunt foi campeão mundial em 1976 por apenas um ponto cuja célebre frase de Niki Lauda foi dita a Ferrari paga para me guiar, não para me jogar pela janela.
Muito legal as provas que passam no Speed Chanell e gostaria que vcs recomendassem aos internautas e tambem gostaria de saber se tem alguma intenção de trazer uma prova de Fórmula Indy de novo para o Brasil.