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Ronnie Peterson (parte 1 de 3)
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O Acrobata Tímido


Para muitas pessoas, a lista de campeões mundiais de Fórmula 1 precisaria ter mais dois pilotos para ficar completa: Ronnie Peterson e Gilles Villeneuve. Sem títulos mundiais e sem figurar na galeria dos grandes vencedores de todos os tempos, Peterson e Villeneuve arrebataram uma legião de fãs, atraídos principalmente pela pilotagem arrojada dos dois.

O GPtotal dedicou um especial a Villeneuve em 2002, quando do 20º aniversário de sua morte (quem quiser vê-lo pode clicar no “Nossos Especiais”). Em 2003, chegou a vez de Peterson, morto em 11 de setembro de 1978, um dia depois de sofrer um acidente na largada do GP da Itália, em Monza. A pilotagem acrobática de Peterson ainda deixa saudades em quem acompanhou a Fórmula 1 nos anos 1970. Era freqüente ver Peterson controlando espetaculares derrapagens nas quatro rodas, tentando visivelmente compensar no braço aquilo que o carro não tinha. Eram atravessadas dignas daquelas de pilotos de rali - com a diferença de que Peterson guiava um F 1.

Pessoalmente, Peterson era bastante introvertido - havia quem o achasse mascarado, mas os amigos mais íntimos garantem que ele era apenas muito tímido. Era casado com Barbro, uma típica sueca loira-de-olhos-azuis, muito bonita e que chamava atenção por onde passasse. Em 1975, tiveram uma filha, Nina. Peterson era amigo pessoal de vários pilotos: era comum sair para jantar com François Cevert, com quem dividiu muitos quartos de hotel, carros alugados e paqueras no começo da carreira. Também tornou-se grande amigo de Emerson Fittipaldi - uma relação que permaneceu inabalada mesmo depois da temporada de 1973, quando os dois correram juntos na Lotus. A certa altura do ano, Colin Chapman, que pretendia “baixar a bola” de Emerson para não precisar aumentar muito seu salário para 1974, passou a dar mais atenção ao carro de Peterson e chegou mesmo a tentar criar intrigas entre os dois pilotos. Nenhum deles caiu nessa - e a conseqüência maior foi a saída de Emerson para a McLaren, em 1974.

Para mim, pessoalmente, a morte de Peterson tem um significado importante. Eu tinha 10 anos de idade e gostava muito de automóveis, mas até então jamais havia dado a mínima para corridas. Eu morava em Santos e as manhãs de domingo eram dedicadas a ir à praia com a família. Aos domingos, muitos clubes da cidade armavam (ainda armam) enormes barracas na praia, para atender aos sócios e seus familiares. Nós ficávamos em uma delas.

Naquele 10 de setembro a ida à praia atrasou e eu acabei vendo ao vivo o impressionante acidente com mais de 10 carros, entre eles o Lotus de Peterson. Vi os choques, o fogo, a tentativa desesperada de socorrê-lo. Fomos afinal para a praia, mas aquelas imagens me impressionaram profundamente e não saíram da minha cabeça.

No dia seguinte, voltei da escola e, pela TV, soube que Ronnie Peterson havia morrido. Comecei a procurar notícias nos jornais, querendo saber o que havia acontecido. Quanto mais achava respostas, mais surgiam perguntas. Lia que Peterson havia sido campeão de Fórmula 2, e vasculhava minha já grande coleção de revistas de automóveis tentando descobrir que diabos era a tal Fórmula 2. Idem quando soube que Peterson havia corrido em 1977 com o Tyrrell de seis rodas. E fiquei sabendo que Peterson era um piloto espetacular, que guiava com o coração e tinha uma habilidade de encher os olhos. Ao mesmo tempo, era tido como muito rápido, mas demasiado exigente com os carros, que não resistiam a tamanha exuberância e acabavam quebrando.

Peterson correndo com um kart Robardie, construído por seu pai
Naqueles idos de 1978, era preciso aguardar o jornal do dia seguinte ou as revistas nacionais, todas mensais. Ou, quem sabe, ligar a TV ou o rádio na hora certa e ver/ouvir alguma notícia ou programa especial. Em 1978, videocassete ainda era coisa desconhecida por aqui (já eram vendidos em outros países, a preços muito altos) e internet não existia nem em filmes de ficção científica. Foi com a morte de Peterson que descobri o automobilismo. Durante muito tempo, tive um certo complexo de reconhecer isso, até descobrir que processo idêntico havia acontecido com outros colegas jornalistas cujas famílias não tinham tradição de gostar de corridas.

Infelizmente, não pude ver Peterson no auge de sua forma. Restaram os relatos obtidos das publicações antigas e de colegas mais velhos, as fotos e os velhos vídeos. Este especial do GPtotal tem como objetivo apresentar um dos pilotos mais espetaculares e queridos que já passaram pela Fórmula 1. (Luiz Alberto Pandini).

O COMEÇO


Bengt Ronald Peterson nasceu em 14 de fevereiro de 1944 na cidade de Orebro, na Suécia. Desde criança apreciava emoções fortes: suas lembranças de infância incluíam brincadeiras de bicicross, nas quais não faltaram tombos na tentativa de superar saltos cada vez mais altos.
Peterson vencendo o GP de Mônaco de F3 em 1969.
O pai de Peterson era padeiro por profissão, mas tinha paixão por mecânica. Ronnie começou a correr com karts construídos de forma amadora pelo próprio pai. Aos 16 anos, porém, já era piloto de uma das equipes mais fortes do país e conquistou o título nacional. Para conseguir correr de carro, teve que trabalhar desde cedo. Aos 19 anos, já tinha experiência como mecânico em uma concessionária Renault e como funcionário de uma empresa de elevadores – Peterson era o responsável pela instalação dos mesmos nos edifícios.

Na segunda metade dos anos 1960, Peterson conseguiu ascender às categorias mais importantes e conquistou o título sueco de Fórmula 3. Daí em diante, as coisas aconteceram rapidamente: em 1970 já estava na Fórmula 2, e nesse mesmo ano estreou na Fórmula 1 com um March, terminando em 7º lugar no GP de Mônaco.

Veja a 2ª parte do especial "Ronnie Peterson"!!!

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