Emerson não precisou ganhar mais do que uma corrida na Fórmula 1 - o GP dos Estados Unidos de 70 - para espalhar pelo Brasil a febre da Fórmula 1. Em 72, deu-se um jeito de trazer algumas equipes para o Brasil para uma corrida-teste em Interlagos. Se tudo desse certo, o país entraria no calendário oficial da competição no seguinte. Entrou e nunca mais saiu.
Doze carros alinharam para a largada, Emerson à frente. Grandes ausentes: Ferrari e Stewart, da Tyrrel. Reforçando o lado brasileiro, Wilsinho, estreando na Brabham, José Carlos Pace, com um horroroso March da equipe Williams, e Luis Pereira Bueno, com um March alugado pela equipe Hollywood. Eu assiste à corrida com o nariz enfiada na grade rente à Curva Dois, lugarzinho ruim de se acompanhar a corrida ainda que os carros passem muito rápido à sua frente.
Emerson marcou a pole fácil, dois segundos mais rápido do que Carlos Reutemann, 2º no grid. Há alguma disputa no começo, envolvendo também Wilsinho mas Emerson logo escapa na frente e começa a abrir um segundo por volta, sem forçar. Na volta 31, faltando seis para o final, Emerson tem uma repentina quebra de suspensão, rodando em plena reta dos boxes. Reutemann herda a corrida, com Ronnie Peterson em 2º e Wilsinho em 3º. (EC)
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Confira o vídeo:
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73 - Emerson, 1 X 0
Interlagos,
11/02/73
1)
Emerson Fittipaldi, Lotus
2)
Jackie Stewart,
Tyrrel
3)
Dennis Hulme,
McLaren
Emerson, campeão do mundo, ganhador do primeiro
GP do ano, na Argentina, confirmou seu favoritismo, liderando desde
o começo e batendo o arqui-rival Jackie Stewart e Ronnie Peterson,
novo companheiro dele na Lotus, que marcara a pole.
Cheguei a Interlagos no sábado pela manhã
e fui ficando pelas arquibancadas, o que hoje é terminantemente
proibido. Durante a noite, o pessoal se divertia jogando garrafas na
pista. Pela manhã, os próprios pilotos vieram recolher
os cacos. Calor violento. Caminhões-pipa da prefeitura foram
autorizados a "regar" a platéia com jatos de água
gelada.
Grande farra, grande vitória de Emerson.
(EC) .
Confira o vídeo:
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74 - Emerson 2 X 0
Interlagos,
27/01/74
1)
Emerson Fittipaldi,
McLaren
2)
Clay Regazzoni, Ferrari
3)
Jacky Ickx,
Lotus
Ingresso de 1974
clique e amplie .
A farra continua. Emerson de carro e equipe
nova. Reutemann larga na frente mas é ultrapassado logo
depois por Emerson e Peterson. O sueco persegue o brasileiro mas
tem problemas de pneus e fica para trás. No quarto final
da corrida, Clay Regazzoni, com Ferrari, começa a descontar
a grande diferença acumulada por Emerson mas um temporal
caiu sobre o autódromo e o diretor da prova encerra a prova.
Que vergonha! Tive de pagar
o ingresso - coisa raríssima nos meus tempos de moleque
- depois de ser pego em flagrante pulando o muro do autódromo.
(EC) .
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75 - Emerson 2 X Pace 1
Interlagos,
26/01/75
1)
José Carlos Pace,
Brabham
2)
Emerson Fittipaldi, McLaren
3)
Jochen Mass, McLaren
Um dos grandes dias do automobilismo brasileiro.
Jean Pierre Jarier, com UOP Shadow, escapa na frente e abre grande vantagem
sobre Pace e Emerson. Mas o autódromo inteiro sabia que o Shadow
dificilmente agüentaria o ritmo.
O inevitável acontece a oito voltas do final.
Jarier encosta com o motor quebrado e a pista fica livre para Moco,
com Emerson uns 20 segundos atrás. Diz a lenda que Pace terminou
o GP completamente sem freios.
Cheguei a Interlagos na sexta à noite e
fiquei direto na arquibancada, até o final da corrida, com direito
a uma tempestade paulistana sobre nossas jovens cabeças na madrugada
do sábado. (EC) .
Confira o vídeo:
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76 - Fim da farra brasileira
Interlagos,
25/01/76
1)
Niki Lauda,
Ferrari
2)
Patrick Depailler, Tyrrel
3)
Tom Pryce,
Shadow
Sob um sol escaldante, Niki Lauda e a Ferrari acabaram
com a festa de vitórias brasileiras em Interlagos (a de Reutemann
na corrida extra-oficial não conta ).
Emerson, estreando na Copersucar, não
deu nem para a saída. Tenho poucas lembranças da corrida.
Estava num lugar ruim e pouco pude acompanhar da disputa entre Lauda
e Regazzoni. Jarier podia ameaçar o austríaco mas acabou
rodando. Quase tive uma insolação. Por algum motivo, só
voltei a Interlagos e a ver a Fórmula 1 de perto treze anos depois.
(EC) .