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Jim Clark
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MONZA 67

Há controvérsias sobre qual teria sido a maior corrida da carreira de Clark: Nurburgring 62, Indy 65 ou Monza 67? A maioria dos especialistas vota nesta última - uma corrida em que Clark terminou apenas em 3º.

Com o Lotus 49 equipado com motor Ford Cosworth ainda em fase de acerto, Clark vinha alternando vitórias e quebras na temporada 67. Em Monza, ele atrapalhou-se na largada mas reassumiu a liderança e começou a abrir vantagem até que, na 13a volta, teve um pneu furado. Vai para o box e volta em penúltimo lugar.
Alemanha 62, a corrida preferida do escocês


As voltas seguintes são um espetáculo: Clark voa pela pista e vai recuperando posição a posição até retomar a liderança faltando sete voltas para o final. Neste meio tempo, demole o recorde de volta, melhorando-o em quatro segundos. Aliás: sua melhor volta na corrida é exatamente igual ao tempo da pole, assinalada por ele mesmo.

Os italianos explodem em entusiasmo pela corrida de Clark mas, na última volta, o Lotus começa a perder velocidade e John Surtees e Jack Brabham acabam passando pelo escocês.

Desta vez, o culpado não foi o óleo; tentando aliviar o peso do Lotus, Colin Chapman determinou a retirada de alguns litros de combustível do tanque do carro enquanto os mecânicos trocavam o pneu furado. Dizem que foi a única vez que Clark brigou feio com seu patrão...

Monza 67, uma das melhores corridas da carreira de Clark
Clark, porém, preferia apontar Nurburgring 62 como a sua grande corrida, mesmo tendo terminado a corrida em 4º.

Ele fez o 3º tempo nos treinos mas atrasou-se na largada por ter se esquecido de ligar a bomba de combustível do seu carro. Mesmo assim, ao final da primeira volta – que mede mais de 22 km – Clark havia ganhado 16 posições.

Ele segue descontando a diferença para os líderes quando rodou feio em uma curva. Deve ter sido uma rodada e tanto pois o escocês achou melhor reduzir o ritmo e apenas concluir a corrida,

ÁFRICA DO SUL 68

1º de janeiro de 1968, primeira corrida do ano de Fórmula 1, mais uma vitória de Clark, que fez a pole e liderou toda a corrida, menos uma volta.

Que ele era o favorito absoluto da temporada, ninguém duvidava. O Lotus 49 e o motor Ford Cosworth estavam no ponto. Os adversários não tinham nenhuma carta na manga. Nem todo o azar do mundo tiraria o título do escocês.

Na África do Sul 68, a última vitória
Mas havia um simbolismo extra na vitória de Clark. Com ela, tornou-se o maior vencedor de GPs de todos os tempos, deixando para trás Juan Manuel Fangio. Era sua 25ª vitória em 72 GPs, com 28 melhores voltas, 33 pole positions e uma média de 3,81pontos por GP, exatamente o mesmo número alcançado por Ayrton Senna. Fangio, com 5,44, Schumacher, com 5,27, Ascari, Prost e Farina, os antecedem na lista.

Muita gente diz que Clark só sabia correr na liderança. Os números dão razão a esta corrente. Fora as vitórias, Clark conseguiu relativamente poucos bons resultados - apenas 15 colocações até o 6º lugar, sendo um único 2º lugar, na Alemanha 63.

Em tempo: o campeonato de 68 foi vencido por Graham Hill, pilotando o Lotus 49 Cosworth, o mesmo adversário que roubou a Clark o título de 62 e a vitória em Indy 66 mas que foi seu vice-campeão em 63 e 65.

Clark com o Lotus pintado nas cores da Gold Leaf

HOCKENHEIM 68



O que fazia o maior piloto de todos os tempos numa banal corrida de Fórmula 2?

Outros tempos, outros tempos.

Em primeiro lugar, a corrida de Hockenheim não era tão banal assim, sendo disputada por vários craques, entre eles, Graham Hill e Cris Amon. Em segundo lugar, Clark era o astro que todos queriam ver – havia 25 mil pessoas no autódromo - e ele defendia a equipe oficial da Lotus, que havia acabado de assinar um milionário (para a época) contrato de patrocínio com a Gold Leaf, uma marca de cigarros inglesa. Era o marketing chegando às pistas e pressionando pela exposição de seus astros.

Os restos do Lotus de Clark após o acidente,
o motor foi parar 25 metros depois

Mas houve um aspecto sinistro na participação de Clark na corrida alemã. Ele recebia um elevado salário da Ford e, naquele final de semana, havia uma corrida de sport-protótipos na Inglaterra na qual a Ford gostaria que Clark corresse.

Aconteceu, porém, um mal entendido, Clark pedindo uma comunicação escrita da Ford. A comunicação, por qualquer motivo, não lhe foi entregue e ele preferiu correr na Alemanha. Além disso, fugindo da pesada tributação inglesa, Clark exilou-se na França, ficando sujeito a uma limitação no número de dias que podia passar em solo inglês. Tudo somado, achou por bem correr na Alemanha.




Poucas pessoas viram o acidente, que aconteceu no local onde foi construída a primeira chicane depois da largada. O Lotus bateu na árvore de lado, bem na altura do cockpit. Não havia cinto de segurança. A causa mortis foi traumatismo craniano. Clark tinha 32 anos. Muitos amigos acreditavam que ele abandonaria as pistas no final de 68 para se casar.

Como Colin Chapman não estava na Alemanha para a corrida, foi Graham Hill quem cuidou de todos os detalhes para a liberação e remoção do corpo de Clark. O avião que transportava o corpo do piloto sofreu uma séria pane e quase caiu - mas acabou conseguindo pousar em segurança.

O corpo de Clark está enterrado num pequeno cemitério na Escócia, próximo ao local onde nasceu.


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