Clark larga, fazendo bico, para o GP da França de 63
Com o Lotus 25 na ponta dos cascos, Clark nadou de braçada em 63, vencendo sete das dez corridas disputadas. Na França, tudo levava a crer que ele teria outro passeio tranqüilo por Rheims, um circuito de altíssima velocidade, basicamente um triângulo em meio a um belo trigal.
Clark de fato marcou a pole e partiu na frente, abrindo vantagem para o 2º colocado, Jack Brabham. Mas repentinamente o motor Climax do seu Lotus começou a falhar. Clark não sabia mas o cabo de uma das velas havia se desprendido e ele estava correndo com sete cilindros. Qualquer outro piloto teria perdido velocidade num circuito ultra veloz como Rheims mas Clark deu um jeito de entrar mais forte nas curvas, de forma a compensar a perda de velocidade nas retas e foi se agüentando até que começou a chover. Brabham estava 20 segundos atrás e começou a descontar a diferença. Mas a sorte ajudou. Brabham quebrou e Clark seguiu tranqüilo para a vitória.
Mas não foi só o talento de Clark o responsável pelo título de 63. Contribuiu também a excelência do Lotus 25, um dos mais belos Fórmula 1 jamais construídos. Além de belo era um carro revolucionário, tendo um chassi monocoque, o primeiro da Fórmula 1 em lugar dos tradicionais chassis tubulares.
MÉXICO 64
Com o Lotus 25, com o qual disputou boa parte da temporada 64
Três pilotos poderiam vencer o título de 64: Jim Clark, Graham Hill e John Surtees, este correndo pela Ferrari.
Clark fez a pole e escapou na frente. Liderava a corrida com folga quando, restando sete ou oito voltas para o final da corrida, percebe uma trilha de óleo na pista. De forma a evitá-la, Clark muda de trajetória. Na volta seguinte, percebe que o carro que estava deixando aquela trilha era o seu Lotus. Maneirando no acelerador, ele consegue manter o carro em movimento até ingressar na última volta mas o motor não resiste e Clark fica para trás, cedendo a liderança a Dan Gurney, o adversário que mais temia.
Surtees, campeão de 64, o Ferrari azul e branco é uma longa história
John Surtees chega em segundo depois que os mecânicos da Ferrari pulam na pista e detêm seu companheiro de equipe, Lorenzo Bandini, mandando-o ceder lugar a Surtees. Se este chegasse em 3o, o campeão seria Graham Hill, que foi abalroado covardemente por Bandini no começo da corrida.
Clark perdia seu segundo título em três anos, de novo por causa do óleo.
INDIANÁPOLIS 65
Clark com o magnífico Lotus 38, vencedor em Indy 65
Clark com seu Lotus estava de volta a Indianápolis em 64. Marcou a pole, passou ilesos por um acidente na largada que custou a vida de dois pilotos mas teve problemas e acabou por abandonar.
Em 65 seria diferente. Clark simplesmente disparou na frente com o maravilhoso Lotus 38, outra obra prima de Chapman. Houve alguma disputa nas primeiras voltas com A.J.Foyt mas depois Clark impôs seu ritmo, tendo cedido a liderança apenas quando parava para abastecer ou nem isso. Terminou duas voltas à frente do segundo colocado. Foi a primeira vez que um carro com motor traseiro venceu as 500 Milhas e a primeira vitória de um europeu na corrida desde 1916.
Colin Chapman era capaz de jurar sobre a Bíblia que ele e seu piloto repetiram a vitória em 66 mas saíram apenas com o 2o lugar, atrás de Graham Hill.
O problema teria acontecido na parte final da corrida, quando Clark, liderando a prova, deu uma das rodadas mais espetaculares da história das 500 Milhas.
Em Indianápolis, dizem os especialistas, quando se roda o melhor a fazer é soltar o carro e deixá-lo livre para ir onde bem entender. Clark resolveu contrariar a regra. Lutou bravamente para realinhar seu Lotus e o conseguiu depois de três cavalos de pau. Só que ele parou no sentido contrário ao da pista, de forma que teve de forçar uma nova rodada.
Seu show atrapalhou os cronometristas da equipe, que deixaram de contar uma volta para Graham Hill. Com dez voltas para o final, Jackie Stewart, que passara a líder das 500 Milhas, abandonou. Para a Lotus, a ponta voltara para as mãos de Clark mas foi Graham Hill quem recebeu a bandeirada. Houve muita discussão mas o resultado foi confirmado e Clark viu a vitória nas 500 Milhas escapar pela segunda vez em quatro anos.
Olhando o Lotus a turbina para Indy 68
67 foi um ano miserável para a Lotus em Indianápolis, com Clark e Graham Hill abandonando logo no começo da prova. Em 68, estava tudo pronto para Clark competir com um Lotus movido por uma turbina de helicóptero mas a morte chegou antes.
O piloto que substituiu Clark, Mike Spence, veio a falecer, depois de bater o Lotus turbina durante os treinos para as 500 Milhas e ser atingido por uma das rodas do carro.
FRANÇA 65
Na França 65, desligando o carro nas curvas
Se você achou maçante o campeonato de 2002, com as seguidas vitórias de Michael Schumacher, o que não diria da temporada de 65.
Nas sete primeiras corridas do ano - de um total de dez provas - Clark ganhou seis. Por que não ganhou as setes? Simples: porque não disputou o GP de Mônaco, pois estava ganhando as 500 Milhas de Indianápolis. Clark e seu Lotus 33 esmagaram a concorrência, deixando poucas histórias para contar. Uma delas aconteceu no GP da França.
No espetacular mas perigoso circuito de Clermont Ferrand, Clark lidera o GP da França quando a pressão do óleo (sempre o óleo...) do seu Lotus começa a cair e ele percebe que isso só acontece em algumas curvas. 35 segundos à frente do 2o colocado, Clark começa a aliviar o acelerador nestas curvas mas logo percebe que só isso não bastaria para preservar o motor. Resolve então simplesmente desliga-lo nestes trechos, religando-o nas retas. Seu tempo de volta, incrivelmente, aumenta em apenas dois segundos por volta. Ele consegue chegar em primeiro.
O campeão com frio, Clark corre com um pullover nos EUA 65
Em 66, Clark protagonizaria outro acidente famoso durante os treinos para o GP da França: um pássaro bateu contra o seu rosto enquanto dirigia a 250 km/h. Momentaneamente cego pelo choque, Clark conseguiu parar seu Lotus.