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Sentimos sua falta, Marco! 01.06.05
Marco Campos - 1995.

Tava fazendo hora e lendo as maravilhosas cartas dos leitores quando me deparei com uma velha mágoa minha: a morte de Marco Campos. Cara, aquilo doeu muito. Quem sabe muito a respeito do Marcos é o Dinho Leme, que era o assessor de imprensa na época.

Conheci o Marco um pouco antes de ele morrer, lá no escritório do Dinho. O moleque era um daqueles mágicos da velocidade, com toque de Midas, pois tudo dava certo na mão dele. Mas acho que a ansiedade dele, da família e dos brasileiros que queriam ver um novo Ayrton Senna custou-lhe a vida.

Marco Campos - Fórmula 3000.

Em pouco mais de um ano, Marco saiu do kart para a Fórmula 3000. Estreou na Fórmula Opel em 1994, e de cara conquistou o título europeu daquele ano. Mas não tinha patrocínio para passar para a Fórmula 3 em 1995. Aí, sua equipe da Opel, a Draco, fez a oferta para disputar a Fórmula 3000. Na época, os carros mais competitivos da F-3000 eram os Reynard e a Draco foi convidada a usar os chassis Lola, bem menos competitivos. Para Marco, era isso ou encerrar a carreira. E ele aceitou. Lembro claramente do título de um release: Marco Campos, do kart à F-300 em um ano.

Capacete de Rubens Barrichello
Eu estava de viagem marcada para passar dois meses na Alemanha e não acompanhei a carreira dele, apenas soube que estava ralando feito louco para controlar o F-3000 da Draco. Mesmo com um carro bem menos competitivo, Marco se classificou várias vezes entre os dez primeiros colocados e conseguiu um 4º lugar em Enna (Itália) como melhor resultado. Até que na última etapa, disputando um ridículo 9º lugar, na França, na última volta ele tentou passar um piloto (Thomas Biagi, italiano) por fora. As rodas se tocaram e o carro do Marco decolou, batendo o cockpit direto no muro. O santoantônio não aliviou a pancada e o choque foi todo para o capacete.

Quando voltei da Alemanha ainda não sabia do acidente, então vi uma foto do Rubens Barrichello, na qual trazia a mensagem: “Marco, we miss you” (Marco, sentimos sua falta), sendo que os dois esses da palavra miss eram do logotipo do Senna.

Fiquei muito triste, porque o menino era genial no volante, tremendo gente boa, bonito, educado e com futuro de ouro, mas acho que forçaram uma barra muito grande em cima dele. Certamente seria um fenômeno, mas queimou etapas desnecessariamente. Este foi mais um capítulo do tal automobilismo que não consigo engolir até hoje.

O acidente que matou Marco Campos em Magny Cours, na França, no final de 1995.

Marco, a gente realmente sente sua falta!

Tite
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