 |
 |
|
| Comente |
| 13.11.08 |
 |
|
 |
|
| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 18.12.08 |
 |
|
 |
|
| Friends |
| 05.12.2008 |
 |
|
 |
|
| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
15.12.08 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
10.12.08 - Roberto Agresti |
 |
|
|
19.12.08 - Eduardo Correa |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 06.04.05 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
| Eu avisei para não me provocarem... |
06.04.05 |
|
 |
|
Bem que que eu avisei para não me provocar. Mas alguns leitores mais abilolados insistiram na abertura do meu baú e agora agüentem.
 |
| Villeneuve no chuvoso GP do Brasil de 1981, em uma cena típica da "era turbo": uma língua de fogo sai do escapamento no momento da redução de marcha. A foto foi tirada na entrada dos boxes. |
|
 |
 |
 |
Recebi uma boa notícia: minha sábia mãezinha me ligou dia destes dizendo que havia encontrado umas fotos antigas de corrida. Como já escrevi uma vez, fotografei TODOS os GPs Brasil de F1 desde 1977 até 1997. No final dos anos 90 comecei a namorar uma vegetariana alto astral, que veio com um papo-cabeça de me livrar das coisas do passado, que traziam energia negativa, implicações cósmicas e outras maluquices. Como eu estava mais interessado no que havia por baixo da túnica indiana, acabei por acreditar e jogar um monte de fotos no lixo, incluindo as de F 1. Não cheguei a casar com a bicho-grilo e abortei um projeto bem metrossexual de escrever um livro de poesias de corno. Depois, comecei a escalar montanhas e minha vida adquiriu um sentido menos holístico, parei com as poesias, mas infelizmente as fotos de F1 já estavam em algum aterro sanitário. Se um dia eu encontrar esta bicho-grila ventindo um tailler, pasta executiva e trabalhando na bolsa de valores eu estrangulo a desgraçada.
Imagine a festa quando descobri que minha santa mãe tinha guardado umas caixas de quando eu morava no seio da família. Achei fotos de Gilles Villeneuve correndo de Ferrari nº1. É, amiguinho psicóticomaníacodepressivo de plantão, eu tenho uma foto do Gilles Villeneuve pilotando a Ferrari número 1! E vou colocar no ar pra vocês não acharem que foi excesso de remédio tarja preta. Também achei fotos daquele rali do Brasil no qual tomei o tapão do corno e belíssimas fotos do GP Brasil de F1 no Rio de Janeiro, com Piquet na Brabham, Gilles na Ferrari, Prost na Renault, além de bastidores, como Elio de Angelis xavecando uma loirinha, Teo Fabi de peruca, Piquet dormindo na mesa e outras bobagens. No meio destas fotos achei também algumas dos GPs Brasil de Motovelocidade em Goiânia.
Se tem uma coisa que não me conformo de forma alguma é o assassinato duplo provocado com as mudanças de endereço das corridas de F1 e Motovelocidade. O GP Brasil de F1 jamais deveria sair do Rio de Janeiro, cidade muito mais querida pelos gringos do que a cinzenta São Paulo. E o GP de Moto jamais deveria sair de Goiânia, cidade com a maior concentração de mulher linda por metro quadrado. Se a F1 continuasse no Rio não teríamos o crime de lesa pátria praticado contra a pista de Interlagos e as corridas de moto em Goiânia continuariam memoráveis, loiráveis e morenáveis.
 |
| Villeneuve com a Ferrari 312 T3 durante o GP do Brasil de 1979. Terminou a corrida em quinto lugar. |
|
 |
 |
 |
Os gringos da motovelocidade amavam Goiânia e suas morenas de olhos verdes. A cidade toda virava uma festa semelhante ao Daytona Bike Week, nos Estados Unidos. Os malucos varavam madrugada de moto pelas ruas, com escapes esporreantes infernizando a população, sem falar em uma ou outra gatita mais animada que passeava nas garupas totalmente nuas, exibindo a geografia corporal, sobretudo os países baixos. Era uma verdadeira Sodoma e Gomorra motorizada.
A festa começava uma semana antes do GP com eventos como eleição da “Miss GP”, concurso “Gata Motovelocidade”, “Recepcionista de Ouro”, ou seja, a gente passava uma semana vendo aquele monte de mulheres lindas, mas acessíveis só aos pilotos, fazendeiros e gringos. Era como ficar preso em uma fábrica de geléia, mas sem nenhum pedaço de pão. Só olhava, mais nada. Para você ter uma idéia do nível da mulherada, a Luma de Oliveira foi descoberta (em vários sentidos) em um destes eventos de Goiânia. E outras coisinhas fofas do mesmo naipe. Pra nós, jornalistas, pobres e brasileiros talvez sobrasse uma “Miss Anorexia”, “Manequim de Funerária”, “Sorriso de Ouro”, promovido por uma empresa de prótese dentária, ou algo semelhante.
 |
| A imagem que muitos fãs sempre sonharam ver: Gilles Villeneuve a bordo de uma Ferrari com o número 1, nos treinos para o GP do Brasil de 1980. Seu número naquele ano era o 2, mas ele provavelmente estava experimentando o carro-reserva da Ferrari. Note o nome "Jody Scheckter" na lateral do carro. Outros tempos... |
|
 |
 |
 |
Nossa diversão consistia de reunir jornalistas e ver esta confusão toda da janela do quarto dos hotéis ou nas mesas dos botecos. Até que alguns colegas me chamaram para um evento totalmente inusitado, com possibilidades reais de sexo, drogas e música sertaneja. Não poderia perder isso por nada.
Socamos cinco marmanjos em um Gol alugado e o motorista saiu rodando pela cidade. Parou em frente a uma farmácia, que estava com as luzes acesas, mas a grade de ferro abaixada. Não entendi nada, mas desci para o prometido espetáculo. Um dos jornalistas berrou na grade e apareceu um negão aparentado do rei do Sudão. Nem telefone de baquelite era mais preto. O jornalista entregou um papel parecido com receita médica e o negão desapareceu. Fiquei desesperado:
– Mas que p... é esta? Afinal, a farmácia está aberta ou fechada?
O jornalista explicou:
– Ela está de plantão, mas a grade de ferro fica abaixada para evitar assaltos. Quando alguém precisa de remédio, chama o farmacêutico, entrega a receita, paga e vai embora.
O sudanês voltou e percebi um sorriso gaiato naquela negra face. Quando o cara começou a falar o chão até estremeceu:
– O senhor prefere tomar na bunda?
– O quêêê??? esgüelei – mas que papo é este? O que está acontecendo aqui? Se esse cara encostar em mim corto os pulsos com alicate de cutícula!!!
– Calma, Tite – gargalhou um dos jornalistas – o cara só vai tomar uma injeção. Você não poderia perder esta cena, veja só!
 |
| Randy Mamola e sua Yamaha no GP do Brasil de Motovelocidade, em Goiânia, em 1987. Agressivo e corajoso, este piloto norte-americano era muito popular em todo o mundo. |
|
 |
 |
 |
Quando desci do poste vi algo que nem o espanhol Luis Buñel, pai do surrealismo, poderia imaginar. Meu amigo baixou as calças, encostou a bunda na grade e o negão aplicou a (ai!) injeção. Um dos cinegrafistas gravou tudo. Pena que naquela época não existia Pânico na TV.
Pensa que acabou? O GP foi perfeito: Eddie Lawson ganhou, mas Wayne Gardner foi campeão. Na 250 ganhou o Sito Pons (dono da atual equipe do Alexandre Barros), mas Anton Mang foi campeão antecipado. A 125 não veio para cá naqueles anos.
Na segunda-feira pós-GP, ainda em Goiânia, ligo a TV e recebemos a notícia mais bombástica do final de semana. Alguém achou um aparelho de raio-x no ferro velho e desmontou a pastilha de Césio 137. Pronto, agora só me faltava essa! Vou começar a fazer xixi verde e perder os cabelos... A história do C-137 todo mundo soube, uma criança agonizou aos olhos agourentos da mídia, definhou, morreu e outras pessoas tiveram seqüelas por conta da forma irresponsável com que manipulam material radiotaivo no Brasil. Não fiz xixi verde, mas meus cabelos foram todos embora graças a uma conspiração genética. E, Césio à parte, acho que foi o maior erro transferir o GP Brasil de moto para São Paulo (em 1992) e depois Rio de Janeiro. Jamais deveria ter saído de Goiânia, um circo de horrores a céu aberto.
|
|
 |
| | |
|
|
 |