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| » » » 17.06.09 |
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| Rubens, o relativo |
17.06.09 |
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Vejo, entristecido, as entrevistas em que Rubens Barrichello, parecendo desconhecer o tsunami de eficiência chamado Jenson Button que está logo ali, do lado dele, fala de conseguir pole, melhor volta e vitória em Silverstone, terra do companheiro de equipe. Por coincidência, bati os olhos num número antigo da minha coleção da Autosport inglesa, edição de 23 de março de 2000, na qual Rubens era capa e assunto de reportagens e colunas, às vésperas do GP do Brasil, no ano em que ele estreou na Ferrari.
Reler aqueles textos foi, de certa forma, um consolo. Eles não apenas comprovam a já bisonha capacidade de Rubens de produzir declarações infelizes e desastradamente ingênuas, mas também nos remetem para o que parece ser uma pista tanto para quem acha que sua carreira foi um relativo sucesso quanto para os que a consideram um relativo fracasso.
Confiram.
“Eu fui para a equipe sabendo que vou ser comparado a um piloto que é considerado o melhor. Esta foi a grande razão para que eu mudasse. Não estabeleci objetivos. Eu sei que tenho um estilo de guiar diferente do dele, e estou certo de que algumas vezes serei mais veloz que ele, outras mais lento que ele. Vamos ver. Eu fui sabendo que ele será o mais difícil companheiro de equipe que já tive, mas, ao mesmo tempo, acho que ele vai descobrir que nunca teve um companheiro de equipe tão difícil como eu”.
Rubens Barrichello sobre sua ida para a Ferrari, em entrevista para a revista Autosport, edição de 23 de março de 2000, às vésperas do GP do Brasil daquele ano.
“O fato de ele ter ido para a Ferrari com praticamente todo mundo achando que será detonado por Michael Schumacher diminuiu a pressão. Qualquer coisa que ele fizer será melhor, considerando a previsão da maioria”.
Texto do repórter Mark Hughes, na mesma reportagem.
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| Rubinho, na coletiva no GP da Turquia |
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“As dúvidas nunca foram relacionadas com sua capacidade de ser veloz. A pergunta era se ele tinha a competitividade necessária. Ele ficou muito abatido pela malícia e pelas manipulações de Eddie Irvine quando eles correram na Jordan. E sofreu muito com as expectativas de que fosse a grande esperança dos brasileiros, depois da morte de Senna. É mais do que natural que existam pessoas em dúvida, quando esse mesmo piloto assume o mais exigente de todos os cockpits da Fórmula 1: o de companheiro de equipe de Michael Schumacher”.
Texto da mesma reportagem da Autosport.
“Nos tempos da equipe Jordan, nunca houve dúvida sobre sua habilidade natural, mas as pessoas achavam que, muitas vezes, ele não dava tudo de si. Um integrante da equipe diz: “Nós sempre soubemos que Rubens tem um grande talento, mas nunca soubemos como fazer esse talento deslanchar”
Trecho da coluna que Nigel Roebuck dedicou a Barrichello na mesma edição da Autosport.
“Honestamente, eu acho que é uma questão de relacionamento humano (...) O fato é que Rubens é bem frágil, no sentido de ser uma pessoa que precisa de alguém botando pilha nele. Ele não é um piloto que tem confiança própria. Não é um galo de briga. Ele precisa de compreensão, de ser querido, quase amado, e responde de forma muito positiva a isso. Foi por isso que, quando ele me disse que estava indo para a Ferrari, eu não tive muita certeza de que esta tenha sido a coisa certa a fazer. Na McLaren seria diferente”
Jackie Stewart, ex-patrão de Barrichello, citado por Nigel Roebuck na mesma coluna.
“Sou uma pessoa diferente hoje. Eu cresci. A sombra de Ayrton agora já se foi”
Barrichello, em uma das reportagens da Autosport.
Abraços
Ernesto Rodrigues
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