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Carro Novo I 05.04.07
“Ciao, Geraldo, solo yo, Flavio”.

Rubinho visitou os boxes da Honda na manhã de hoje
A voz era de Flavio Briatore, então diretor da Benetton, ligando da Europa. O relógio de Geraldo Rodrigues, então manager de Rubens Barrichello, marcava cinco da manhã. O dia que ainda estava para amanhecer em São Paulo era uma quarta-feira do final de 1995, véspera de uma viagem para Londres que tinha tudo para ser histórica, tanto na carreira do manager quanto na do jovem piloto brasileiro.

Dias antes, Geraldo estivera em Nova York, reunido com a direção da Pepsi, para apresentar o projeto de patrocínio no valor de cinco milhões de dólares - hoje insignificantes - que permitiriam a transferência de Barrichello da Jordan para a Benetton, onde correria ao lado de Jean Alesi. Estava tudo aprovado: layout do carro, bonés, macacões e carenagem pintada de azul. A viagem para Londres era apenas para assinar o contrato. Não havia nada mais a discutir. A Benetton, que perdera Michael Schumacher para a Ferrari e dispensara os serviços de Johnny Herbert, já tinha uma dupla de pilotos para a temporada de 1996.

“Ciao, Flavio...”

Um Ferrari nos boxes de Sepang
Geraldo Rodrigues respondeu no automático, sem entender muito a razão do telefonema àquela hora da madrugada, 9 da manhã em Londres. Quando se preparava para perguntar do que se tratava, Briatore emendou:

“Olha, a Renault quer um piloto que fale alemão para substituir o Schumacher e nós vamos ficar com o Berger. Desculpa.”

E desligou.

E mais não disse, deixando Geraldo Rodrigues com a sensação de quem tinha destruído um Porsche Carrera num poste a caminho de casa, depois de uma noitada. O resto todos nós sabemos. Geraldo e Barrichello voaram para Londres, sim, mas para assinar com a Jordan mais uma vez, com os resultados conhecidos.

Heikki Kovalainen hoje, em Malásia
É por esta história, tirada de uma entrevista que fiz com Geraldo Rodrigues em 2003, e por muitas outras que não me surpreendo nem um pouco com a atitude de Briatore com Heikki Kovalainen, após a estréia desastrosa do rapaz no GP da Austrália. Ron Dennis, por exemplo, não é assim porque lá no fundo, quase escondido na montanha do ego, da soberba e dos milhões de libras esterlinas, bate o coração de um ex-mecânico de Fórmula 1.

Frank Williams também não é assim. Ou alguém acha que aquele sacrifício físico, duas décadas de paddock praticamente imóvel em uma cadeira de rodas, é por causa de dinheiro?

Briatore não pertence a essa categoria.

Lá no fundo, tenho certeza de que ele detesta esse negócio de Fórmula 1. E como quem gosta percebe, Briatore acaba merecendo comentários não muito edificantes de apaixonados pelo esporte como, por exemplo, Lito Cavalcanti: "Quem gosta do Flavio Briatore é a mãe dele, assim mesmo com restrições".

Carro Novo II

Nelsinho também está na Malásia
Passei o Fiat Dobló pra frente e já estou de volta bem antes do que imaginava. E muito por causa das mensagens de solidariedade que recebi de leitores de todos os matizes e torcidas, após aquela coluna saideira,publicada em 3/2/2007. Aproveito para agradecer, de coração, tantas manifestações de carinho e respeito.

A partir de agora, no entanto, a coluna terá outro formato.

Em vez de reproduzir trechos do meu livro, “Ayrton, o herói revelado”, vou tentar contar histórias interessantes sobre automobilismo, torcendo muito para que elas sejam novidade para o público assustadoramente especializado deste site. A história que escrevi acima é a primeira tentativa.

Como opinião de qualidade é o que não falta aos outros colunistas e ao público deste site, pretendo dar preferência a fatos, relatos e curiosidades que poderão ter a forma de notas, artigos, entrevistas e citação de publicações. De vez em quando, no entanto, porque ninguém é de ferro, também vou dar meus pitacos.

Vamos ver se dá certo. É bom estar de volta.

Abraço a todos

Ernesto Rodrigues

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