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Home » Convidados » Ernesto Rodrigues » 24.11.05
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O leão e o rato 24.11.05
Amigos do GPTotal,
Ainda não tive chance de ver como foi a primeira corrida dos "masters" da Fórmula 1, na África do Sul. Não sei nem se essa nova "categoria" tem um nível técnico compatível com o currículo de alguns dos seus participantes. Ou se os veteramos estão "açulerando" de verdade. Mas só de ler que Emerson Fittipaldi passou a prova inteira colado na traseira no carro do líder Nigel Mansell a vontade de acompanhar essas provas passou a ser muito grande.
E, já que a questão era Emerson no vácuo de Mansell, achei interessante puxar, do meu livro "Ayrton, o herói revelado", razão da minha presença neste site, um episódio que tem duplo significado: foi uma experiência inesquecível de Emerson atrás de Mansell, desta vez no oval de Indianápolis, e foi também a última vez em que Nigel e Ayrton se enfrentaram na pista.
Aproveitem e um abraço
Ernesto



 


Senna e Mansell no GP da Austrália de 1992. O brasileiro perseguiu o inglês até errar uma freada e bater no Williams.
O leão e o rato

O último duelo entre Senna e Mansell terminou num local não muito surpreendente para quem acompanhou os nove anos que os dois tinham passado disputando o mesmo pedaço da pista: a grama. Fora da pista. O que despertou uma certa polêmica naquela estranha batida, na 19ª volta do GP da Austrália, em Adelaide, no dia 8 de novembro, foi saber, mais uma vez, quem tinha provocado o acidente.
Foi Mansell, aproveitando a superioridade da Williams para aplicar um break test naquela incômoda McLaren que tirava a tranqüilidade de seu adeus à Fórmula 1, na liderança da última corrida do ano? Ou foi Senna, correndo mais que o carro e encontrado o ponto de freada, à força, na traseira daquela Williams que ele tanto desejara e que, ingrata, estaria nas mãos, logo de quem, Alain Prost, no ano seguinte?
O lendário Stirling Moss, compatriota de Mansell, era um dos que acreditavam na hipótese do brake test,. Já o jornalista Enzo Russo, da revista Rombo, pendia mais, ainda que ironicamente, para a tese da reação antecipada de Senna à volta de Prost à Fórmula 1 naquele carro imbatível. Em sua autobiografia, Mansell passa rápido como a Williams pelo episódio, apenas lamentando ter sido atingido por trás por Senna e sem repetir a declaração que dera em Adelaide logo depois do acidente:
' Senna é um piloto perigoso que faz manobras inaceitáveis e devia ser excluído da Fórmula 1'.
Ayrton, talvez pela alegria com a vitória da McLaren de Berger contra a Benetton de Schumacher no final daquela corrida, ou para evitar uma nova tempestade com declarações de fim de temporada, reagiu com calma:
"Ele pode dizer o que quiser. A verdade é que freei tarde demais. Não tinha como evitar o acidente".
Mansell e Senna nunca mais se falariam. Nem se encontrariam. Ayrton ouviu, de Emerson Fittipaldi, tempos depois, um relato impressionante sobre o que Nigel fez nos ovais da Fórmula Indy. Nas mais de 150 milhas em que resistiu às investidas de Emerson, nas 500 Milhas de Indianápolis do ano seguinte, Mansell fez, estreando no circuito, o que nunca se vira na pista mais famosa do mundo. Saiu de traseira e conseguiu recuperar a trajetória várias vezes, sem se estatelar no muro e contrariando a regra básica da Indy de que não se deve nunca tentar corrigir o carro naquela situação. O relato de Emerson para Ayrton:
- Eu via a mão dele no cockpit corrigindo, as rodas dianteiras mexendo, a 340 quilômetros por hora, e não acreditava. Várias vezes gritei no rádio para a equipe: "Ele vai bater! Ele vai bater!" E tirava o pé, esperando a pancada. Mas o cara completava a curva. Isso não existe em Indianápolis.
A reação de Senna ao comentário de Emerson foi um sinal de que, encrencas à parte, ele tinha muito respeito pelo rival:
- Ele tem um controle fantástico do carro.

Ernesto Rodrigues
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