Faz tempo, muito tempo que devo umas colunas, para dizer o mínimo - como terminou Le Mans (pois é...), as corridas do GT japonês e o 8o campeonato ganho, a Fórmula Nippon, e o 4o campeonato ganho em seguida. Como naquele velho samba "devo, não nego, pago quando puder..."
Mas mesmo com o tempo apertado, em Fuji, testando o carro de 2009, rodando pela primeira vez, a uma da matina no quarto do hotel, sabendo que vou me levantar às cinco da manhã, não posso deixar de escrever sobre o mais que Schumacher brasileiro (18 campeonatos!), o piloto, o businessman e o cavalheiro Ingo Hoffmann, que acaba de encerrar a sua extraordinária carreira como piloto.
O Brasília Divisão 3 de Ingo
Conheci Ingo na época que ele andava com o seu VW divisão 3, preparado pelo saudoso Giba, ganhando o campeonato de 73. Já era sério e profissional, além de rápido. Nos divertimos muito dando uma mão na preparação do Brasília azulzinho, trazendo um miolo de câmbio Hewland 5 marchas e outras modificações.
Dali para frente, especialmente apos sua vitória junto com o Wilson e Reinaldo Campello nas 25 Horas Souza Cruz de 74 com o Opala Divisão 1 e o campeonato Super V com um Kaimann preparado na oficina da Fittipaldi com motor do Giba, naturalmente. Era fácil ver que teríamos mais um piloto brasileiro brevemente na F1.
O Ingo perdeu o campeonato de Super V na última corrida, por um problema de motor, mas na primeira oportunidade que tivemos, o convidamos para testar na F1 com o nosso Copersucar, no fim da temporada de 75, quando ele já corria na Inglaterra com um March 753 Novamotor (onde inclusive ganhou em Oulton Park, uma daquelas pistas de "piloto"). Ele já havia andado também de Fórmula 5000, fazendo uma corrida incrível em Brands Hatch, chegando em 4o depois de largar na última fila por problemas mecânicos no treino.
No seu primeiro teste de F1, em Silvertone, virou um tempo excelente e já estava no nosso plano lhe dar um carro em 76. A história complicou, pois foi quando o Emerson veio para a Copersucar.
Mesmo assim, Ingo estreou em Interlagos, com o velho FD-03, enquanto o Emerson já estava com o novo FD-04, chegando em 11o. Ingo fez mais duas corridas mas com os problemas que tínhamos, foi uma lástima o pouco suporte que pudemos lhe dar, já que a pressão para melhorar as performances do Emerson tomava todos os recursos da equipe. Mais uma vez: desculpe Ingo, você merecia melhor.
Em 77, correu mais duas corridas, na Argentina, não terminando com um motor quebrado, e, em Interlagos, já com um FD-04, amarelinho (tenho a maquete deste carro em lugar de honra em casa), andava bem e a caminho do seu primeiro ponto no Mundial de Pilotos quando a poucas voltas do final teve um pneu furado, chegando em sétimo.
Foi um dos pilotos do Ron Dennis, que fala bem dele até hoje, para quem ganhou corridas. Da sua passagem pela Stock-Car nem preciso falar.
Todo esse tempo, o Ingo sempre me impressionou pela claridade de pensamento e mais importante, a sua humanidade e dignidade, um gentleman que muito respeito.
Espero que a sua carreira fora do cockpit lhe dê tantos resultados quanto obteve nas pistas, e vamos ver se conseguimos fazer algumas corridas "off-road" juntos. Eu sei que ele é ótimo também fora do asfalto.