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| » » » 02.06.06 |
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...e aí fomos para a corrida final de 2005 (desculpem pelo atraso...), em Suzuka, o circuito feito para as Hondas NSX, baseados no GT de rua com motor central, tendo um momento polar de inércia pequeno, o que faz deles carros ótimos em curvas. A forma da carroceria contribui para um coeficiente de arrasto baixo, com a mesma carga aerodinâmica. E eles passaram para um motor atmosférico no lugar do turbo, ganhando muito em performance. O motor responde melhor e tem uma curva de torque muito boa, bem gorda na parte de RPM baixo.
O Honda Aberta #8, líder do campeonato teria 90 de lastro. O sistema de pontuação é de 20 pontos para o 1o lugar e mais 50 kgs de lastro; 2o, 15 pontos mais 40 kgs; 3o, 12 pontos mais 30kgs. Também os três carros mais rápidos na corrida e na qualificação ganham 10 kgs de lastro.
Os carros que estavam disputando o campeonato eram #36 Toyota Toms, de Courtney/Tsuchiya, com 20 kgs, a Toyota Supra #38 40kgs e nós, com 60 kgs no carro do Michael (#22).
Já na sessão livre da sexta feira, com pista molhada, marcamos o 2o tempo com o carro do Satoshi/Lyons, a 0.082 seg da pole, e o Eric Comas em 6o a três décimos. Dava para esperar uma corrida interessante se ficasse molhado, pois no seco o peso e falta de motor nos penalizava.
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| Largada sob chuva em Suzuka |
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No sábado o dia começou seco e ensolarado... dava pra ver que não estaríamos na pole. Dito e feito: foi aquele festival Toyota, com a pole, 2o e 3o tempos, sendo o primeira Honda em 4o, o líder do campeonato - Firman - em 60, e o Eric logo atrás. Os Nissans Nismo ficaram em 9o e 10o.
O pior foi a saída de pista do Yuji Ide, no Nissan Z Calsonic, na curva de alta Dunlop... Passamos o resto do dia e a noite toda reparando o carro, sem saber se os médicos dariam autorização para que ele pudesse fazer a corrida.
Dava para ver o empenho do pessoal, com quatro carros quebrando o recorde do circuito
O dia amanheceu como a gente queria: frio, cinza e chovendo!! Ia dar para disputar bem esse final de campeonato. Estávamos colocados perto do líder e ele teria nada menos do que quatro Toyotas na frente, dois dos quais disputando o campeonato também. Paras nós, a tática era simples: com Satoshi no carro 1, teríamos que chegar na frente dos outros competidores - ou seja, vencer. Para o Michel Krumm, teríamos que estar na frente do #8.
Depois do warmup, onde deu para ver que estávamos bem na chuva, tivemos a noticia que, devido à chuva forte, a corrida seria encurtada para 75% da distância, caindo de 52 para 39 voltas.
E logo antes da largada mais uma novidade. Como tivemos que esperar meia hora devido a um dilúvio que encharcou a pista, a largada seria dada com pace car.
Foi aí nossa oportunidade.
O regulamento diz que, durante a entrada do safety car, a partir do momento que ele está em pista, não se pode abastecer ou trocar de pneus por quatro voltas. Esse regulamento foi feito devido às nossas táticas nos anos anteriores, quando fomos mais rápidos de raciocínio e parávamos ou não atrás do safety car, dependendo das circunstâncias. Hoje, com quatro voltas, dá para pensar tranqüilamente...
Só que desta vez, como a janela de abastecimento era no máximo de 36 voltas, pensei: se o safety car ficasse na pista por no mínimo três voltas, valeria a pena entrar e trocar de piloto, reabastecer e arriscar contar com pista molhada, fazendo a corrida inteira sem paradas, e aproveitando a decalagem com o grupo da frente após a parada, ter a pista sem tráfego.
E foi perfeito: na quarta volta o safety car entrou para os boxes e os dois carros da Nismo também: troca de piloto (com o número de voltas revisado, o segundo piloto teria que dar no mínimo 10% das voltas, ou seja 4 voltas...) e reabastecimento rápido. Na volta seguinte, a primeira lançada, éramos já dois segundos mais rápido do que o carro na ponta da corrida. O único senão é que o engenheiro do carro #38 Toyota Cerumo, o Yuji Kato, meu engenheiro na Nismo com quem trabalhei dez anos, conhecendo as minhas manhas, também trouxe o seu carro para os boxes na volta seguinte. Isso teria conseqüências mais tarde.
Enquanto isso a Toyota #37 Toms liderava, sendo seguido de perto pelo Honda #8 de Firman, que havia subido de 6o para o 2o posto, com Courtney no Toyota, outro dos concorrentes ao título, subindo de 13o para 9o na primeira volta, 8o na segunda e 5o na terceira.
Nessa altura, nos estávamos em 12o com o Richard Lyons no Nissan #1 após a troca de pilotos, mas tendo feito a parada obrigatória para trocar de piloto, assim como o carro #22, agora com o Michael ao volante. O Benoit Treluyer no Nissan Z #12 estava fazendo uma corrida ótima, ganhando onze posições em oito voltas e brigando pelo 5o lugar com Courtney.
Lá pela 15a volta, já havia briga pelo 2o lugar, e estavam chegando três segundos por volta na Honda #8 do Firman que, evidentemente, tinha feito uma escolha errada de pneus.
A entrada do safety car levou muitos carros a fazer as suas paradas, deixando Courtney e Treluyer disputando o 1o lugar - mas teriam que entrar para a troca de pilotos, o que estava ótimo para o Toyota #38, já em 3o lugar, e o Lyond no Nissan #1, em 5o., com Michael em 6o.
Lyons estava pressionando o Tachikawa no Toyota #38, quase passando na freada da chicane na última volta - mas não deu: 2o, arghh... Perdemos o campeonato de pilotos por 3 décimos. Mas afinal meu pupilo aprendeu bem...
Com a parada obrigatória, o Treluyer passou o carro para o Ide, a 8 voltas do fim, que a despeito do pescoço doendo pela batida do sábado, terminou em um honroso 8o lugar, com Eric em 4o e Krumm em 6o.
Foi uma corrida interessantíssima e nos garantiu o campeonato de construtores e equipes mas não o de pilotos. Uma pena, pois queria três em seguida, o que não acontece nunca. Já são três vezes dois campeonatos seguidos...
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| Fittipaldi FD 04 restaurado, que emocionou Divila |
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Logo após o fim do campeonato, passagem rápida pelo Brasil, após mais de um ano de ausência, ótimo ver a família e rever os amigos. Cheguei em casa cedinho na sexta-feira, e como era o final do campeonato Stock em Interlagos foi um chuveiro rápido e direto para a pista...
Fiquei impressionado com o profissionalismo da apresentação das equipes, o número de carros e a competitividade. Os carros são restritos em tecnologia, o que trás beneficio em termos de custo e igualdade de equipamento e ressalta a preparação das equipes e pilotos. Uma boa fórmula e espero que a Associação de Stock Car Brasileira a mantenha. É muito fácil destruir um campeonato mas leva anos para o estabelecer.
Ótima corrida no fim de semana. Estranho estar no grid de Interlagos de novo antes da largada. Fazia anos que não tinha aquela vista. Bela corrida, e um fim de campeonato disputado... como tem que ser.
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| E aqui, ainda em restauração |
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Segunda-feira, de volta a Interlagos. Havia um teste dos Stock, onde aproveitei para fuçar um pouco nos carros e papear com todo o pessoal que não via há anos.
Na quarta-feira à tarde, apresentação do novo livro de Lemyr Martins sobre a equipe Copersucar, e a apresentação do FD04 reconstruído, meu carro favorito. Um trabalho de muito carinho e atenção, deixando-o novo e reluzente. E com muitos integrantes da equipe reunidos e todos os nosso pilotos: Wilson, Emerson, Ingo, Alex, faltando só o Chico, preso a outros compromissos.
De tirar o chapéu o trabalho patrocinado pela Dana e conduzido pelo Luciano Pires, o novo monstro sagrado da comunicação brasileira, que esta tentando mudar a visão do brasileiro, dando um nível de cultura que o Brasil merece. Confira o seu site http://www.lucianopires.com.br/boletim/boletim.asp
Obrigado Luciano, é difícil eu ficar com os olhos úmidos, mais dessa vez...
Ricardo Divila
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