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| » » » 06.10.05 |
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| Rossi e João Paulo |
06.10.05 |
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| Bernd Rosemeyer e seu Auto Union em Nurburgring 37. |
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Em meio a viagens, aeroportos, campeonatos e fusos horários, um tempinho para comentar algumas notícias diferentes, por exemplo, a aposta da Ferrari em Valentino Rossi.
Sem sombra de dúvida, aqui temos um fenômeno, no seu quinto campeonato consecutivo, fora o carisma de uma personalidade cativante.
Sempre disse que um piloto de moto é mais do que capacitado para ser um ótimo piloto de automóveis. Temos os exemplos de Nuvolari, Varzi, Ascari e Fagioli, todos vindo da moto, e outro fenômeno de antes da guerra, o Bernd Rosemeyer, que foi direto da moto para o equivalente da época à Fórmula 1 já na sua primeira corrida com automóveis. Após a guerra, tivemos o exemplo de John Surtees, Mike Hailwood e mesmo Johnny Cecotto.
A oferta da Ferrari a Rossi tem um pouco disso como raciocínio, mas à parte a publicidade e o retorno, é algo que pode ajudar muito a equipe na era post-Schumacher que está chegando, onde possivelmente a decadência vista este ano pode se aprofundar. É muito difícil restar no topo da pirâmide permanentemente e Rossi pode ser a saída ou, por sair dos moldes comuns, ao menos manter um interesse dos tifosi e a imprensa em geral. A ver.
A única coisa que me parece um pouco estranha é que Valentino Rossi estará ocupado no ano que vem em ganhar mais um campeonato mundial de Motovelocidade e pensar que ele vai ter tempo para testar uma vez por mês no mínimo me parece um pouco difícil. Será que não é mais uma manha para distrair os tifosi da falta de competitividade da Ferrari?
Flavio Briatore diz a Fernando Alonso que, mesmo ganhando o Campeonato, é inútil esperar por um aumento enorme de salário.
Corretíssimo. Uma equipe não é somente o piloto. Está aí a Ferrari, mesmo com o King Schumacher que não consegue sair desse marasmo. Quando se tem entre 600 e 800 pessoas trabalhando para fazer um F1, o piloto é uma peça importante mas não vale US$ 30 milhões. É melhor utilizar parte desse dinheiro para desenvolver o carro e melhorar sua performance. E Briatore sabe muito bem disso. E mostra a faca, sabendo que há muitos jovens na fila capazes de dar resultados num bom carro e numa boa equipe.
Pausa para reflexão.
Embora meu aniversário tenha sido em maio, só me dei conta disso após Sepang. Entretempo, tivemos Le Mans e uma série de testes e corridas, sem tempo para parar e pensar.
Foi nessa pausa (cinco dias, em casa, na França) que finalmente me dei conta que não sou mais um jovem engenheiro. Afinal, sessenta anos querem dizer que já estou mais para lá do que pra cá...
Fazendo as contas, agora tenho certeza de que já passei o meio do caminho da minha vida. Quando a gente está nos 50 dá para acreditar que se chega aos 100 anos. Mas a 120 é só uma parcela ínfima da humanidade que chega.
Há anos que digo quer farei um ano sabático, para viajar por prazer e não por obrigação, ler todos livros que estão acumulados em casa, ir mergulhar na barreira de coral da Austrália, surfar no Havaí, terminar de tirar o meu brevet de piloto, fazer uma série intensiva de classes de japonês (sim falo, mas da vergonha, não sou fluente como nas minhas outras línguas), passar uns tempos no Brasil para ver a família e os amigos...
Os anos e campeonatos passam, mas o tempo para a família e amigos continua escasso. E agora, após quarenta e oito anos de corrida, com mais de 1650 corridas disputadas, incontáveis vitórias, cerca de vinte e dois campeonatos ganhos, está na hora de fazer a contabilidade.
Le Mans, outra vez 2o. GT, mmm, provavelmente ganhamos o campeonato outra vez este ano. E daí? Será o sexto campeonato de construtores e o quinto de pilotos em nove anos. Dakar, esse ano farei com as equipes semi-oficiais, sem o orçamento para fazer frente a Mitsubishi nem a VW. Ok para o prazer pessoal de participar, mas sem chance de vitórias. Fórmula Nippon, vamos ganhar de novo este ano - e dai? Já ganhei três, portanto esta começando a perder a graça.
Tá na hora de encontrar um outro desafio grande, algo que faça ferver a adrenalina, um desafio técnico, seja em monopostos ou possivelmente Rally, uma categoria no qual não mexi muito, mas tem seus atrativos.
Um momento de dúvida, aquelas encruzilhadas de decisão que chega de vez em quando na vida. Ou, talvez, só a decepção de perder a Le Mans da minha vida e se dar conta que a vida é curta e devo decidir em breve qual caminho tomar.
É claro que sempre em competição, com automóveis, mas faltam poucas categorias que não fiz ainda. Esperar que a Nissan se decida a fazer Le Mans com equipe de fabrica ou pode ser que esteja na hora de dar aulas (como em Cranfield), formar os novos engenheiros e escrever um livro. Vamos ver.
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| João Paulo e seu F3, com o qual ganhou o campeonato japonês da categoria. |
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Belíssima notícia: a vitória de João Paulo de Oliveira no Campeonato de F3 japonês, um grande presente para os brasileiros e o reconhecimento do ótimo trabalho do piloto. É o segundo título, após o Campeonato Alemão de F3 e, a bem dizer, deveria ser o terceiro, pois o 2o lugar do João Paulo no campeonato do ano passado não foi a altura de seu desempenho, muitas corridas perdidas por falha da equipe.
Parabéns João Paulo, espero te ver na Formula Nippon no ano que vem!
Na próxima coluna as corridas de Sugo e Motegi, mais os testes em Autopolis, Suzuka, Fuji, Sugo e as corridas de Suzuka e Mine da Fórmula Nippon.
Abraços a todos
Ricardo Divila
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