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Home » Convidados » Ricardo Divila » 29.09.05
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No calor de Sepang 29.09.05
Outra vez em casa, na França, para quatro dias inteiros de folga! 

Chegando a Sepang.
Tivemos a corrida em Motegi dia 18, e apesar da longa e cansativa viagem até a Europa, queria ficar no meu campo olhando nuvens e ovelhas, escutando Mozart e aproveitando o final de verão. Mas, antes, quero colocar a correspondência do GPTotal em dia.

Após Le Mans, Sepang. Terminada a corrida, fui direto para Paris pegar meu novo passaporte (o velho, depois de um ano, já está com as páginas esgotadas). Na mesma tarde, saída para o Japão, pernoite, passada breve no escritório e, na quarta-feira, vôo para Kuala Lumpur. 

Jantando na Malásia.
Viagem surreal: jantar em Le Mans, na praça da Catedral, no Maitre Kanter, brasserie famosíssima; café da manhã em Paris, com vista para a torre Eiffel; jantar em Londres, antes do vôo; almoço em Tókio e jantar em Kuala Lumpur, tudo isso em 36 horas.

O ponto negativo da Malásia é a questão de sono. Não sou religioso, mas cada um tem o direito a sua crença, contanto que não seja forçando o vizinho. Pois o Islã tem os muezzim, que começam as suas preces as quatro da manhã. Voz esganiçada, fora de tom e, pior, com um sistema de alto-falantes que daria inveja a um DJ de rave. E logo na frente da MINHA janela do hotel. Contive a vontade de fazer uma visita ao dito cujo com um bastão. Mas não era hora de um incidente diplomático-religioso.




As torres Petronas.
Após instalar o equipamento no box de Sepang, fomos jantar no bairro chinês, a poucos passos das torres Petronas. Sentados em mesas no meio da rua, com as barracas vendendo de tudo: tênis, cds pirateados, ervas chinesas, t-shirts de clubes de futebol, espetinhos de carne, pastéis, frutas cortadas, sucos exóticos, as donzelas da noite em cheong sams, os artistas de rua e malabaristas, engolidores de fogo, os batedores de carteira e malandros, enfim... bem folclórico. E tudo isso a poucos metros do prédio mais alto do mundo.

Na manhã seguinte, calor infernal e umidade aos tornos de 90%, começamos a preparar o box. O treino aqui começa mais tarde, pois no horário habitual é muito quente. É claro que isto implicaria trabalhar até mais tarde mas, miraculosamente, isso não acontece. Suspeito que seja algo ligado às compras a custo baixo e a disponibilidade de outras atrações mais carnais... 




Temperatura nas alturas.

Começamos bem, terminando o dia em 2o, com o Benoit Treluyer a um décimo do pole, o Honda de Ralph Firman Jr. Erik Comas, piloto da nossa equipe, foi o 5o, Michael 10o, com 50kg de lastro, e o Satoshi, com 30kg, 12o. Tempos bem próximos, com o 3o ao 7o dentro de um décimo de segundo e três Hondas dentro dos dez mais rápidos.

Nós havíamos trabalhado muito no sistema de refrigeração e ventilação do carro. É algo muito importante: os cockpits dos GTs podem chegar a 60 graus centígrados, no limite da resistência dos pilotos. O que falta é um sistema de refrigeração para a equipe de boxe: o macacão antifogo a 40 graus ambiente é um forno.

O primeiro treino classificatório dá a ordem de entrada dos dez carros que fazem a SuperPole (que dará a posição no grid), testando a habilidade do piloto em esquentar os pneus corretamente. Na maior parte das pistas, as três voltas disponíveis não são suficientes para se atingir a temperatura ideal. Em Sepang, pensamos que seria mais fácil, dada a temperatura elevada mas no sábado, embora muito quente, o céu estava encoberto e a pista não tão quente quanto o esperado.

O sistema de ventilação interna do nosso Nissan.
Isso ajudou nosso piloto Motoyama, que consegui num tempo excelente, no braço, ficando em 4o a despeito do lastro, com Benoit logo atrás, mas três Hondas nos seis primeiros lugares: Firman na pole, mais de um segundo à frente, Lotterer em 2o, Wakisaka no Toyota em 3o. 

Quem saiu perdendo foi o Erik. Para termos uma tática diferente, Michael estava de pneu duro. Com o peso, isso implicaria consumo mais elevado do pneu. Como os dois estavam se classificando juntos, deixamos o Michael passar a frente na volta de aquecimento, tentando trazer o pneu à temperatura. Erik, teoricamente, com pneu soft poderia ser menos agressivo na primeira volta.

Boa idéia, só que não ajudou o Michael. O pneu era realmente duro demais sem o sol. Ficou em 11o e o Erik em 9o.

Eu, no forno.
Com o Erik estávamos tranqüilos para a corrida pois a performance do carro parecia ótima, especialmente com a previsão de dia ensolarado e temperaturas em torno dos 40 graus. Estávamos mais preocupados com o carro de Treluyer/Ide e o de Motoyama/Lyons, pela durabilidade seus pneus. 




O Satoshi, no nosso primeiro Nissan, pulou de 4o para 2o já na primeira curva e o Honda do Lotterer começou a ficar para trás - seus pneus Dunlop não aqueceram tão rápido como os Bridgestone; Toshihiro no Nissan já estava em 5o na quarta volta. Enquanto isso, Firman já havia aberto quase seis segundos para Satoshi mas não nos preocupamos: tínhamos pneus mais duros e a corrida 54 longas voltas.

Brigando contra seis carros, Treluyer deu uma escapada quando um problema de software fez o blow-off do turbo ficar travado - é como um acelerador blocado. Teve sorte de conseguir voltar mas perdeu oito lugares. Toshihiro com o Nissan já estava em 4o, ultrapassando Michigami na curva antes do box, um pouco como Fisichella e Weber no GP - só que Michigami rodou. Isso teria conseqüências mais tarde.

Como previsto, os pneus de Firman começaram a cair de rendimento e a sua vantagem de 18 segundos foi se reduzindo. Após as paradas de boxe, era de apenas três segundos, sendo seguido pelo nossos dois Nissan e pelo Toyota Tom's e Michael vindo lá de trás, com dificuldades causadas pelos pneus duros.

Foi quando tivemos a notificação da direção da corrida que Toshihiro tinha sido penalizado com um stop and go, após seu toque com o Michigami. Isso nos fez cair para o 12o lugar e o pobre Erik, que não tinha entendido bem porque teve que reentrar ao box três voltas após começar seu turno, ainda teve o azar de ser abalroado por um Toyota na volta seguinte. Ficou por ali mesmo, com uma roda e suspensão traseira quebradas.

Os carros restantes estavam numa grande batalha. Lotterer brigando com o Toyota do Wakisaka, André Couto passando e sendo repassado várias vezes por Schwager e Lyons passando ao 1o lugar na frente do Honda de Ito/Firman. 

O calor e o cansaço causaram várias rodadas. Mesmo Lyons teve um lapso e foi repassado por Ito, a duas voltas do fim e teve que forçar muito para conseguir retomar a liderança!

Finalmente uma vitória, depois de um começo de temporada frustrante, onde fizemos várias poles mas sempre com problemas mecânicos ou erro de pilotos. Agora, estamos de novo à frente do campeonato.

Semana que vem eu volto para comentar notícias interessantes. Até lá

Ricardo Divila

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