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| » » » 31.03.10 |
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| O Último GP da Alemanha |
31.03.10 |
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Não é só nos sites brasileiros que a psicose fanático-patrioteira aparece.
Mal terminou o GP australiano a claque alonsiana expôs sua indignação com a falta de ordem da Ferrari para Massa deixar Don Fernando I passar. O pobrezinho teve que se acomodar ao suposto ritmo de tartaruga do brasileiro. Curioso é que ele mesmo não deu o menor sinal de aborrecimento, o que tira a base desse surto coletivo. Mas foi engraçado ele dizer, logo apos a classificação, que Michael estava dando show para a torcida ao ir tirar cara-a-cara satisfações sobre um suposto bloqueio proposital.
Alguém se lembrou de Don Fernando descendo do carro, chamando as câmeras e mostrando as marcas dos pneus de Massa na lateral do seu carro, com eloqüentes gestos de reprovação, após um incidente normal de corrida? E um Massa indignado, reagindo de forma politicamente incorreta quando essa reclamação foi verbalizada no recinto de pesagem? Veneno se cura com veneno?
Seja como for, não é de favor que Don Fernando está na liderança do campeonato. Suas rodas patinaram na largada, se espremeu com Button em seguida, virou, foi lá pra trás e chegou ao fim bufando no cangote do terceiro colocado. Não é pouco.
Massa não pode vacilar nem por um nano-segundo. Já tem gente querendo que ele seja substituído por Fisichella. Obviamente só o asturiano teria a ganhar com isso, em detrimento da Ferrari.
Felizmente a Scuderia está confiante para Sepang e Button afirma que esse circuito não é feito para as McLaren. Mas pode ser que esteja criando cortina de fumaça.
O fabuloso Sir Jackie Stewart costumava fazer jogo psicológico antes do campeonato começar, apontando concorrentes medianos como seus maiores rivais e omitindo propositalmente os principais oponentes. Com isso plantava a dúvida e eventualmente tirava do foco um piloto competente mas mentalmente fraco.
Lewis Hamilton talvez esteja sofrendo algum problema psicológico.
Sem a figura paterna por perto, meteu-se numa encrenca idiota nas ruas de Melbourne, classificou-se mal e, ao contrario do seu colega de equipe, deixou quilos de borracha pelo caminho. Pior, afirmou que não sabia porque a equipe o chamou para o segundo pitstop e Mr. Whitmarsh o desmentiu, dizendo que foi a decisão correta porque dava pra ver que seus pneus não iriam durar muito mais. Arrisco dizer que ele provavelmente esbanjava auto-confiança, se sentia muito king of the black cocoanut candy, andando constantemente mais rápido que o Botão.
Ora, este campeão desprezado de bobo não tem nada. Assumiu que demorou para se sentir à vontade em seu cockpit atual mas, matreiro, sabe que a regra voltou a ser “vence quem chega em primeiro correndo o mais devagar possível”. Agora é hora de administrar o equipamento, consumo de combustível e pneus, como faziam Sir Stewart e um certo rival dele, de sobrenome Fittipaldi.
Lewis não pode vacilar um nano-segundo.
“Michael está se divertindo e isto é o que importa.” “Isso é o que ele gosta realmente de fazer, senão estaria atrás de uma escrivaninha.”
Pode ser, mas desconfio que está pagando uma dívida com a montadora alemã, que forneceu um apoio extraordinário no início de sua estupenda carreira.
Agora que a Mercedes voltou de corpo, alma e verba a competir, é justo que ele retribua. Se não voltar a ser campeão pagará com a visibilidade que seu nome atrai e a equipe precisa, particularmente em caso de carência de resultados.
Muito natural que ele se ressinta dos três anos parados e da diferença de carros e regulamento. Também não deverá ser surpreendente que não consiga voltar ao nível de antes. A meu ver, não será nenhum vexame. Mas acho que ele vai tentar e tentar. Em seu livro, Gerhard Berger conta que ele e Michael pegaram um carro apos o GP de Mônaco e saíram rumo à Itália. Em algum trecho da estrada viram um kartódromo. Pois não é que Michael para o carro e convida o austríaco a uma disputa? Horas depois de ter corrido o GP monegasco!
Alguém tem alguma dúvida de ele gosta disso? Paixão ou obsessão?
Eu não tenho nenhuma dúvida de que Rubens gosta tanto quanto.
Longe de mim discordar da autoridade dos que o criticam como piloto, mas acho muito mais embasada a opinião do diretor técnico da Williams, Sam Michael, que não entende como Barrichello nunca foi campeão. “Ele não comete erros, traz o carro para casa, é um excelente desenvolvedor de carros e continua rápido apesar da idade.”
Não precisa ser Freud para explicar que, em certos momentos, talvez tenha faltado a ele força mental, mais que tudo. Isto vai ser necessário para todos os que estão correndo no último pelotão. Porque a vida deles ao longo deste primeiro ano deverá ser cheia de frustrações.
O próprio Nico Hülkenberg, que pilota o melhor carro equipado com o pior motor do grid já está sendo alvo de criticas pesadas. Lucas di Grassi, Bruno Senna e companheiros deverão precisar de apoio psicológico em breve.
Carlos Chiesa
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