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A dança dos cockpits 30.09.09


A temporada vai chegando ao fim e, como na dança das cadeiras, cada vez menos gente vai ficando para sentar na última delas.





Alonso vai de Ferrari no ano que vem
Só um milagre de proporções bíblicas poderá manter Vettel com chances reais e não meramente matemáticas. Além de componentes que só são fornecidos com a experiência, falta a ele, fundamentalmente, motor. Não apenas o estoque é o menor da categoria como, visivelmente, a cavalaria francesa não é páreo para a alemã que carrega a estrela de três pontas.

Aliás, qual é o segundo melhor motor da categoria? Arrisco a dizer que deve ser a usina de Maranello, mas tem o mau hábito de exagerar nos drinques, obrigando os pilotos a pagar uma conta mais alta no bar stop.





Em sua última coluna o colega Lucas chamou a atenção, como fiz anteriormente, para o espírito de luta do Rubens. Mesmo os críticos mais ofídicos do brasileirinho-contra-tudo-isso-que-está-aí precisarão segurar a língua dentro da boca diante de tanta determinação.

Rubinho vai pro lugar de Nico?
Evidente que não é por dinheiro que Barrichello disputa cada metro, cada décimo de segundo para ser campeão. Ele quer porque quer ser campeão e está tendo a sua primeira chance real em sua longa, em grande parte brilhante, carreira.

Se é para apontar um senão - único - em sua capacidade técnica, precisaremos olhar para os freios.

Lembra-se de quando ele guiou o Honda pela primeira vez? A principal coisa que estranhou foi o sistema de freio, muito diferente do que ele estava acostumado. Aluno de destaque na escola do kart, Rubens usa mais os freio traseiros e essa característica nem sempre lhe foi favorável, como por exemplo com certos modelos da Ferrari.

Foi este seu maior problema no começo da temporada e isto pesou tanto que, francamente, será preciso um milagre um pouco menor que o do Vettel para que ele realize o mais que legítimo sonho de erguer o grande caneco. Não vou ficar aqui fazendo contas, mas Jenson ainda está com uma vida relativamente mansa, principalmente porque viu seu compatriota Lewis jogar fora uma vantagem de 17 pontos a esta altura da temporada dois anos atrás e vai tomar todos os cuidados para não acontecer de novo. Falta muito pouco para selar o jogo antes do final. Talvez convenha as pessoas que rezaram pela recuperação do Massa dirigirem agora suas orações para o incansável lutador Rubens.





Nico vai pro lugar de Rubinho?
Por falar em Massa, qualquer astrólogo de meia-tigela vai prever tempos difíceis para ele na Scuderia. O patrocínio do Santander evidencia a vinda do Alonso com a bola cheia. O asturiano já aprendeu na McLaren o que é um contrato que não prevê regalias para um ego tão crescido quanto o dele. Seguramente vai querer tudo para si e mais um pouco. Desde técnicos da sua preferência até o direito de não informar seu set-up.

Michael fez exatamente isso e, como já repetimos, a Marlboro devia ter investido tanto para colocá-lo na Ferrari que esta se viu impedida de ganhar o campeonato com o Irvine, quando o alemão enfiou as pernas numa enrascada braba e deixou a pista livre. Esquecer de levar o pneu traseiro para o pit stop, quando a equipe era reconhecidamente muito mais rápida que as outras nessa hora, tenha a paciência… Mesmo a eventual sensação de dívida que Domenicali & cia. possam ter com o Felipe pela perda do título no ano passado, muito mais culpa da equipe do que do piloto, vai ser difícil pagá-la perante o poder da grana espanhola.

A falta de treinos evidencia a dificuldade dos pilotos em dominar os carros atuais, penalizando pilotos veteranos como Fisico, quanto mais verdinhos como o Grosjean. Talvez tenha sido bom para o Di Grassi não ter sentado no carro; provavelmente teria a mesma dificuldade que o franco-suíço e o Alguersuari a se adaptar a carro e ao meio ambiente.





Pra onde vai Kubica?
Humildemente discordo do locutor número 1, que afirmou Massa e Kimi serem pilotos excepcionais por conseguirem domar a instável Ferrari 09.

Salvo engano ele falou isso em um momento da classificação em que o Kimi estava embolado na frente e o Fisico atrás. No fim os dois ficaram pra trás. Palpito que o Felipe estaria muito mais próximo do Kimi, possivelmente à frente, mas muito pouco. O carro deste ano deixa muito a dever ao nível habitual da Ferrari e ela já jogou a toalha, passando a pensar no carro do ano que vem. Já foi pra Cingapura sem nenhum upgrade, coisa que até a insigne retirante BMW não deixou de fazer.





Vai ser interessante ver o Kimi e o Hamilton na mesma equipe.





As mudanças de regras mais uma vez vão embaralhar os projetos e neste momento seria lotérico arriscar favoritos.





Que motor irá equipar as Williams? Será decisivo para manter o sonho de Barrichello de pé caso ele seja vice este ano e confirme mesmo sua ida para lá. E tomara que essa equipe tenha dinheiro suficiente para voltar a ser uma dominadora na categoria, como foi no passado.





Pobre Renault. Poderíamos dizer que foi vítima de Briatore, mas quem dorme com morcego acorda de cabeça pra baixo. Agora vai ter que, literalmente, correr atrás de produtos de limpeza ultra-eficazes para desenlamear a reputação. E sem o dinheiro dos patrocinadores.

Seria pior sair. Mas é bom lembrar, como fez meu bom amigo Gigante em mais uma de nossas conversas, que na F1 atual não tem bonzinho. Como ela reproduz em escala menor o que existe na sociedade, o padrão mundial de “vale-tudo pelo dinheiro” se impôs e o espírito esportivo deu lugar ao “vencer é o que importa”.

Nós reclamamos da falta de ética endêmica no Brasil, especialmente vinda de certos lugares famosos de Brasília. Na F1 atual, não duvido que outros chefes de equipe teriam agido como o histriônico Flavio, se tivessem tido a chance, com a maior naturalidade.

Não posso deixar de registrar que esta história em nada favorece a imagem dos Piquet, não importa quantas exclusivas derem ao Reginaldo Leme.

Kimi volta pra McLaren?
Parece que hoje a maioria das pessoas, nos mais diversos lugares do mundo, segue a frase do Cel. Jarbas Passarinho, ao concordar em aplicar o Ato Institucional número 5, que se sobrepôs à Constituição da época: “Às favas os escrúpulos”.

Mas há esperanças. Na Inglaterra há um movimento pelo fairplay no futebol. Parece ser sério. Um jogador brasileiro que cavou um penalti não cometido e foi crucificado pela mídia, a ponto de uma voz respeitável como a do famoso ex-goleiro Gordon Banks simplesmente pedir seu banimento do futebol.

Ah, se a F1 voltasse a ser um esporte…

Carlos Chiesa

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