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| » » » 26.08.09 |
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| Novela inacabada |
26.08.09 |
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A seis corridas do final, a temporada 2009 de F1 vai tomando a forma de uma novela rumo aos últimos capítulos. Jenson Button assombrou todo mundo nas sete primeiras, dando a impressão de que repetiria o modelo Schumacher, ocupando a vaga de personagem principal até o fim.
Mas entrou em cena um certo Adrian Newey, personagem habitualmente secundário, embora com performances anteriores marcantes, e trouxe com ele mais dois atores, um dele um jovem muito promissor mas ainda inexperiente e, nos últimos tempos, dado a quebrar motores. A Red Bull já cogita de pular para os Mercedes no ano que vem, mas talvez devesse olhar melhor a telemetria do alemãozinho.
O outro piloto, já veterano, dificilmente ocuparia o topo de qualquer lista de favoritos no início da temporada. Parecia estar condenado a papéis de coadjuvante até o fim da carreira. Não tão rápido para ser vencedor, não tão lento para ser jogado para outra categoria. E quebra muito menos que o coleguinha. Pois o australiano desenvolveu um jeito mineiro de atuar e, de repente, olha ele sendo considerado o principal rival do Button.
Mas, êpa, a tradicional McLaren, que estava lá no fundo do palco, amargando um papel humilhante em comparação com seu brilhante passado, encontra o caminho e volta a brilhar. Será duradouro? Hamilton já avisou que não está otimista para Spa, mas a equipe disse o contrário. Como estará o carro num circuito diferente do de Valência, onde dominou amplamente?
Dominou amplamente? Sim, a imprensa inglesa acha que foi mais a McLaren que perdeu do que o Rubens que ganhou. O título da F1 News não poderia ser mais claro: “Uma esmola para Rubens” (em tradução livre).
A esse respeito, o colega Lucas Giavone, em sua coluna 04/10/1970 – 23/08/2009, foi muito mais profissional e provou que Rubens teria ganho de qualquer maneira, independente da trapalhada da equipe adversária no segundo pitstop.
Já se discute se RB é candidato ao título. Patriotada galvanica?
Não necessariamente. O próprio Button declarou que tem sido incapaz de superar seu colega. Diagnostica que precisa ser mais agressivo. Parece que o passo para trás que a BrawnGP deu, removendo a mola saltadora e outros aparatos, tornou o carro mais favorável ao estilo Barrichello que ao estilo Button. Press the Button. Parece que o apelo que ele fez em seu capacete funcionou e foi atendido pelo inimigo mais próximo.
Não se iludam: Ross the Fox vai botar suas fichas no piloto que tiver mais chances de ser campeão.
Ele está satisfeito com os dois, a tal ponto que – oficialmente – não vê motivos para trocá-los até o fim do ano que vem. E a BrawnGP não terá problemas de dinheiro: após a assinatura do Pacto de Concórdia suas contas, foram garantidas até o fim de 2010. Só falta revelar o nome dos patrocinadores, mas já se sabe que a Virgin não estará entre eles.
No núcleo cômico da novela não poderia deixar de brilhar o histriônico Briatore.
Em entrevista à agência DPA, declarou que o Mundial é falso, que as regras precisam ser elaboradas de modo a deixar o campeonato mais imprevisível, com três ou quatro pilotos com chances de ganhar. Que é preciso menos política e mais show. “Uns correm com Kers, outros não. Uns correm com difusor, outros não.” E assim por diante, dando seus palpites em um enredo pra lá de sem graça.
Mas ele disse que a volta do Schummi seria o grande acontecimento do ano e acho que tem razão. Mais pela notícia em si do que por prováveis resultados. Não, ele não teria uma performance como a de Badoer mas duvido muito que andaria na frente do Kimi.
Ele não teve a oportunidade de treinar com o carro atual, que é consideravelmente diferente do de 2007. Tem pneus slick, não tem controle de tração etc. etc. Humm, o pescoço iria doer mas a imagem mais ainda…
Fica fácil crucificar o Badoer, como aquelas leviandades proferidas pelo Galvão durante a transmissão, mas sua atuação mostra – claramente – que pilotar um F1 não é nem nunca foi tarefa para pilotos comuns. Como disse Fangio, “carreras son carreras.” Testes são testes. Fica claro que um bom piloto de testes não necessariamente se dá bem na corrida. Nem é uma questão de andar rápido, mas de se entender com todas as variáveis, que são inúmeras.
Badoer deu espaço para ser ultrapassado na saída dos boxes porque não entendeu perfeitamente as instruções do boxe sobre o que deveria fazer. Como já tinha tomado duas multas por excesso de velocidade no pit lane, na dúvida deve ter achado melhor não criar problemas. Ele estava bem acostumado a pilotar o carro e deve ter feito simulações para essa pista, mas não estava treinado para processar todas as informações geradas durante classificação e corrida ao mesmo tempo. Conforme foi se acostumando, seus tempos começaram a melhorar consistentemente.
Ah, mas o Alguersuari e o Grosjean andaram melhor que ele. Tudo bem, mas ambos não tinham nada a perder. Não tinham um passado nem uma nacionalidade a defender. Luca é um veterano. E o primeiro italiano a pilotar uma Ferrari em GP em quantos anos? Muita pressão para alguém que retorna ao palco depois de nove anos, tendo sempre desempenhado papéis pra lá de secundários.
Alonso na Ferrari. Deve ser verdade, mas talvez para 2011. Kimi não vai abrir mão do ano que resta do seu contrato, que vale cerca de 28 milhões de euros. Em época de crise, não é dinheiro para jogar fora e o Domenicali deve estar fazendo as contas para avaliar se o resultado que o touro espanhol traria para a Scuderia vale a pena.
Tenho batido repetidamente na tecla que chegar até a F1 é difícil mas não impossível, mas só se mantém nela quem é bom de verdade. Por isso sempre achei injustas e indignas as opiniões desfavoráveis ao talento de Barrichello como piloto.
Isso é tão evidente que a maior parte das mensagens no Twitter que ele recebeu de amigos famosos abordava exatamente esse aspecto, com um tom de desagravo.
Duvido muito que o Mark Webber seja tão criticado na Austrália quanto o Rubens.
Se o rumo da novela se mantiver até o fim como o deste último capítulo, RB poderá se tornar o personagem principal.
“Merde, alors.”
Carlos Chiesa
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