A contenda entre Mad Max e a Fota ainda não acabou.
As fotos e link do Youtube desta coluna são uma homenagem a Jack Brabham Aqui, ele está em Spa 66 - Clique para ampliar
Mad Max não se satisfez com o resultado e está ameaçando voltar atrás na palavra dada de não se recandidatar ao cargo, coisa que ele prometeu faz tempo, desde que interpretou o papel de um nazista sádico. Naturalmente, resultado de aplicação de panos quentes sobre o constrangedor assunto. Os panos esfriaram e ele se sente revigorado para encarar a briga.
Agora se descobre que Jean Todt, há tempos cogitado para o cargo, tem um contrato esquisitão para ser “embaixador do turismo” na Malásia. Fogo de encontro? Estariam os aliados de Mad Max tratando de queimar um candidato antes da largada? Quem disse que o idioma mais falado na F1 era a mentira parece ter acertado.
Por que houve a disseminação dessa linguagem?
Aqui do meu canto, palpito que um ambiente tão competitivo quanto a F1 é um terreno fértil para disfarces, frases equívocas, induções a erro etc. O grande Jackie Stewart costumava elogiar pilotos com mínimas chances de ganhar como seus principais rivais. Com isso, deixava estes com um grande ponto de interrogação na parte de trás do cérebro - “será mesmo que ele me acha ruim…” - o que tendia a desestabilizar os competidores psicologicamente menos fortes. Imagina um Chris Amon ou um Jacky Ickx em momento promissor da carreira ouvindo o campeão deixando claro que não o considerava à sua altura.
Parece um truque de pré-primário perto da sofisticação atual, que inclui um setor de espionagem que, como a McLaren mostrou no ano passado, vai do simples suborno até satélites.
A razão disso? Dinheiro, muito dinheiro.
Por que Mad Max está tão empenhado nessa “renovação”, abrindo espaços para novas equipes no grid?
Dinheiro, muito dinheiro. Provavelmente para ele, mas também para essas equipes.
O nível de grana que gira em torno da F1 compensa, mesmo para quem vai andar no fundo do grid. Eddie Jordan não ganhou nenhum campeonato nos anos em que sua equipe competiu mas hoje é certamente um homem com muito mais recursos pecuniários do que quando começou. Sem falar em Ron Dennis, ex-mecânico da equipe de F2 em que corria Graham Hill, acho que o nome era Project Four, com aqueles Brabham azul claro. Vai ver se ele está preocupado com eventual aumento de preço das passagens no metrô londrino.
Não espere que essas novas equipes repitam o sucesso da BrawnGP, supostamente uma equipe “nova”. Acho que elas estão de olho simplesmente no espaço de tempo que vão obter na TV para seus patrocinadores e no tipo e volume de audiência que vão atingir. Ninguém vai cobrar resultado delas, Toyota e Honda são ótimos exemplos de como isso pode demorar, mas estar no grid representa dinheiro, muito dinheiro.
Por falar em BrawnGP, Jorg Zander, o projetista, saiu da equipe.
Será que é mero corte de despesas? Será que o carro está suficientemente desenvolvido para dispensar os serviços dele? Ou alguma outra equipe fez uma oferta milionária, ainda que clandestina, para obter a chave do sucesso?
Hum, talvez não seja apenas dinheiro, muito dinheiro. Parece que a equipe está feliz por vê-lo pelas costas e sua biografia registra, efetivamente, o hábito de pular de um boxe pro outro com muita rapidez. Qualquer profissional razoável de RH desconfiaria.
Pobre Graham Hill, pobre Jim Clark! Ganharam misérias comparadas com esse pessoal, mesmo com os resultados que obtiveram nas pistas. Francamente, não sei se a F1 melhorou com tanto dinheiro.
Embora a BrawnGP tenha alguma simetria com a Brabham em 1966 - ano do seu primeiro título -, embora as diferenças dos tempos de volta, tanto em classificação como em corrida, fossem enormes comparadas com os de hoje, fico com a impressão de que era um mundo menos artificial. Mais verdadeiro. Onde os talentos eram mais evidentes. Os primeiros dois títulos do Michael Schumacher se devem, muito, ao especialista em softwares e a retirada, esperta, de um componente da bomba de reabastecimento. A meu ver, obscurecem o talento dele.
O mérito de Black Jack em 1966 foi apostar num motor menos potente mas confiável e num chassis clássico mas confiável. Sem truques baixos. Talvez seja excesso de romantismo meu...
De fato, hoje, o que manda no mundo é o dinheiro, quanto mais melhor. Basta ver as revistas de celebridades, onde fama e dinheiro são expostos, as pessoas que aparecem lá tornando-se exemplos a ser seguidos. Se chegaram lá honestamente, limpamente, pouco importa. O que interessa é que ganharam muito dinheiro. Ah, mas essas revistas não devem ser levadas a sério, apesar do sucesso? Então veja as revistas de economia.
Vai ver se os empresários e executivos que se sucedem nas capas são analisados pelo prisma da ética.
Negativo, o que interessa é se suas empresas estão enfrentando a crise com êxito, e se usa golpes abaixo da linha da cintura isso não aparece. O que interessa é o resultado, o fim justifica os meios.
Talvez estejamos mesmo presenciando o fim da F1 do jeito que nós a conhecemos e nos apaixonamos.