Sessão Convidados
Escreva pra gente
Friends
17.08.2011
Fangio begins
Top Five para o Red Five II
Comente
10.05.11
Nossos leitores comentam o GP da Turquia
Nossos leitores comentam o GP da Austrália
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
16.08.11
Cartas - Segunda quinzena de Agosto
Cartas - Primeira quinzena de Agosto
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
11.08.11 - Roberto Agresti
Talvez sim, talvez não
17.05.11 - Eduardo Correa
Mauro
18.09.09 - Luis Fernando Ramos
O melhor Rubinho, o Rubinho de sempre
12.12.08 - Alessandra Alves
Carta ao editor
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini
Micos brasileiros III
mais
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Convidados » Carlos Chiesa » 29.05.09
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
BBB e os vilões que querem dominar o mundo. 29.05.09
Tudo indica que duas pessoas com o nome começando com B vão se dar bem nesta temporada de 2009 da F1.

Brawn.

Mesmo que não conquiste o título deste ano, deverá passar para a posteridade como um sucessor legítimo do legendário Alfred Neubauer. Ou de seu compatriota Colin Chapman.

Não é só o carro que foi brilhantemente concebido, o sucesso independe do difusor, do fundo, da colocação do lastro. Provavelmente é a combinação de tudo isso e mais um pouco. Combinação de inúmeros detalhes.

A equipe toda está sendo magistralmente conduzida. Prova de que na equipe Ferrari/Schumacher ele não fazia a diferença apenas como estrategista. Ross The Fox, mesmo com menos dinheiro que McLaren e Ferrari, não sabemos exatamente quanto menos a esta altura, vai conseguindo se manter no topo da tabela, contrariando 99,999% das expectativas.

Sabemos, pelas declarações pós-pódio, que a equipe teve um “upgrade” de pessoal, isto cerca de dois meses depois de ter cortado, salvo engano, 200 pessoas. Sou maldoso: será apenas o dinheiro da Virgin que faz o carro continuar evoluindo? Há muito a F1 deixou de ser um esporte para virar um negócio, como sabemos. Volto ao assunto mais abaixo.

Button.

Fato inconteste que ele está guiando como um campeão, qualificação muito corretamente usada por seu – até o momento – principal rival, Barrichello. Pergunto aos observadores que analisam a F1 com a habitual superficialidade: ele não era um sub-Barrichello até o ano passado? Rápido, às vezes, mas inconstante?

Uma promessa não cumprida? Um sucessor do Jean Alesi, quando muito, como bem lembrou o colega L. Fernando Ramos?

Talvez alguém se atrevesse a dizer que não serviria nem pro nosso stock, como já disseram de Felipe Massa, hoje o piloto preferido dos exigentíssimos tifosi.

Se esses observadores/analistas fossem mergulhadores, diria que examinam o fundo do mar com um simples óculos de natação. Nem usam snorkel, muito menos cilindros, quanto mais um escafandro. Gostam de passar o tempo desenvolvendo teses, sem se preocupar em buscar a mínima base. Bem, palpiteiro é o que mais tem neste país, especialmente em Brasília, não é verdade?

No entanto, se investimos um mínimo de tempo em uma análise na profundidade de snorkel, nos damos conta de que as diferenças de tempos entre os carros são mínimas. Nano-diferenças. Conte até 2. Equivale a dois segundos. Pois Button conquistou a pole em Monaco míseros 0.025 à frente de Raikkonen. Como visualizar isso? Imagino que seria menos que um fio de cabelo. Dá pra dizer que o Kimi desaprendeu a guiar, que não está motivado, com base em uma diferença como essa?

Nos anos 70, quando o Emerson providenciou a inclusão do Brasil no mundo da F1, costumava-se dizer que os pilotos que estavam na categoria eram os melhores do mundo. Pertenciam a um fechado círculo de privilegiados, lugar alcançado graças exclusivamente ao talento.

Como disse o colega Ernesto, já vai longe o tempo em que os pilotos faziam a maior parte da diferença. As diferenças agora são infinitesimais. Logo, natural pensar que a grande maioria dos ocupantes dos cockpits na categoria máxima está em nível muito, muito, muito próximo. Logo Button estava longe de ser um braço-duro mas talvez não seja um fora-de-série. Mas de agora em diante é preciso prestar muita atenção antes de falar dele pois está se tornando um mestre em surpreender.

Finge que está fora da luta pela pole e de repente aparece no topo, por exemplo. E não comete erros, coisa que o diferencia bastante do suposto/eventual fora-de-série Lewis Hamilton. É gente fina, competente e esperto, esse Button.

Barrichello.

No final do ano passado, GB fez uma entrevista exclusiva com Barrichello nos boxes da Honda. Lembro bem do entrevistado afirmando “- Ainda tenho a minha chance de ser campeão.” Muito estranho, considerando o retrospecto da equipe japonesa e os - na época - boatos sobre sua retirada do grid.

No GP do Brasil, confirmada a desistência da Honda, a imprensa logo anunciou que este poderia ser o último de Rubens. Ele retrucou que nem pensava em aposentadoria. Depois veio todo aquele período de notícias e contra-notícias, Bruno Senna envolvido, e Rubens pontuando que a equipe iria precisar de sua experiência, inclusive por já ter competido com pneus slick.

É de se supor que ele sabia muito mais do que o que estava sendo noticiado. Começa a temporada, ele é confirmado e, de forma até certo ponto surpreendente, vai sendo batido corrida após corrida por seu colega.

Demérito dele? Está tomando uma diferença enorme?

Não, como ele mesmo diz, continua tendo velocidade, aos 37 anos. Button corrobora isso, sempre dizendo que foi uma batalha superar o brasileiro e que não vai ser nada fácil ganhar dele em Silverstone.

Insisto em mostrar aos mergulhadores de beira d’agua que RB pode não estar mais no auge de sua forma, pode simplesmente não ter recursos para superar o britânico mas nem por isso é um piloto indigno de estar onde está.

Não vi nenhuma publicação inglesa ou italiana que cobre a F1 fazer qualquer comentário negativo a respeito do Barrichello.

Já aqui, tem gente convencida que ele está perdendo penalti sobre penalti diante de um goleiro cego e maneta. Evidente que Button aprendeu com ele durante o tempo que dividiram os boxes da Honda e tudo indica que o líder do campeonato vê com muito bons olhos a capacidade do colega de acertar carros.

Mais uma vez vou me arriscar a tomar uma posição contrária à da maioria e dizer que aplaudo Barrichello.

Declarações suas desta semana: “Enquanto não consigo batê-lo (está falando de Button), em minha humildade, aplaudo. Mas vou continuar tentando superá-lo.”

Então temos um sujeito obviamente na fase final da carreira, com uma conta bancária que deve dispensar o exercício de uma atividade remunerada até para os netos, decidindo correr por mais um ano (certamente por salário muito menor do que o do ano anterior), se arriscando a perder para o companheiro de equipe, mas achando que tudo vale a pena porque a causa - tentar o título inédito – não é pequena.

Esqueça a choradeira de ter sido enganado pela mudança de estratégia na Espanha. Mais uma entre tantas coisas que não deveriam ser ditas.

Pense: quantos pilotos em sua posição não desistiriam?

Pense: quantos colegas de profissão, não importa a profissão, você vê com essa garra, com essa vontade, e ainda com essa competência, já no final da carreira? Nada me divertiria mais do que uma reviravolta no campeonato e Rubens tornar-se campeão do mundo.

Os vilões que querem dominar o mundo.



A reunião feita no iate de Flavio Briatore, em Monaco, com Mr. Ecclestone sentado bem ao lado do proprietário, é sobre isso, como mudar tudo para que fique tudo como está, ou seja, a dupla Bernie (ops, outro B!) & (Mad) Max dominando o mundo.

A propósito, se quer saber como era Dr. Mosley no início da carreira, pergunte ao Alex Dias Ribeiro, ou leia seu livro Mais que vencedor.

Até o GB observou que o que está em jogo nessa reunião não é meramente o regulamento de 2010.

Francamente, porque o laboratório da dupla Bernie & Max todo ano vem com algum experimento exótico, que só pode ser produto de uma mente muito maluca? Alguns são do tipo “Se colar colou”, outros são só balões de ensaio, mas provavelmente todos tem em comum servir de alguma forma para a dupla ganhar o jogo da grana.

Comentou-se, no início da temporada, que Bernie estava destinando uma parcela (ínfima) de sua fortuna para bancar os primeiros quilometros da BrawnGP. Por que pararia? Com a equipe de Brackley na sua mão, e tendo todo esse sucesso, talvez tenha inventado um coringa para embaralhar o jogo das montadoras.

Agora é seu dileto amigo Briatore (outro B!) que pode ficar com a Renault. Duas cartas do baralho estarão marcadas e em sua mão.

Durante a transmissão de Monaco GB nos informou que Ross The Fox já avisou que está com Montezemolo só até a véspera da data-limite para a inscrição. É um ultimato (mal) disfarçado. Penso que há mais no tanque do que combustível pra fazer o circo da F1 pegar fogo. Talvez haja um ventilador escondido soprando as chamas para o continente europeu e poupando as equipes britânicas. O fato de a Williams já ter se inscrito pode ser uma confirmação dessa conspiração. Ferrari e Toyota podem ficar efetivamente isoladas. Mas Montezemolo também é muito inteligente e experiente, deve saber muito bem que tipo de jogo os ingleses estão jogando. A punição da FOTA à Williams também era mais do que esperada.

Acho divertida a notícia de que a Ferrari está estudando o regulamento de Les Mans. Tendo a achar que tudo faz parte do braço-de-ferro na disputa da grana.

Todo mundo quer baixar os custos. Agora, porque insistir em ter, de fato, duas categorias dentro do mesmo regulamento com esse fim? Por que Mad Max simplesmente não volta atrás e inventa outra coisa? Provavelmente porque tem alguma coisa a ganhar com isso.

Talvez a gente deva adicionar ainda mais um B aqui, de Britannia.

Britannia era o nome que os romanos davam àquela ilha nevoenta, em que alguns habitantes, a partir de 1960, começaram a deixar de ser garagistas, como os classificava o Comendador Enzo, e dominaram a F1 em todos os aspectos.

Em outras palavras, a Ferrari, com sua sede em Modena/Maranello, já recheada de engenheiros ingleses, está isolada. Só o sucesso avassalador da era Schumacher a salvou. Talvez até tenha provocado esse movimento suspeitosamente anglófilo.

Carlos Chiesa

 Leia mais colunas de Chiesa | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação