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Adeus! 12.11.08


Gil e seu Penske Honda - Clique para ampliar
Quando Gil de Ferran se tornou o piloto brasileiro mais bem sucedido no exterior na era pós-Senna, conquistando um vice-campeonato na então chamada Fórmula Cart, lá por 1999/2000, nosso amigo em comum Gigante me pediu para ajudá-lo a trabalhar melhor sua imagem.

Embora viesse obtendo resultados menos expressivos nas pistas, André Ribeiro era o campeão inconteste entre os patrocinadores. Independente das qualidades de ambos em um cockpit, o André era um verdadeiro gênio diante de uma câmera, ao passo que o Gil era mais tímido e focado nas questões técnicas de sua profissão.



O melhor exemplo disso foi quando o André ganhou a corrida do Rio e subiu ao pódio com a bandeira brasileira. Acompanhe: André sobe ao pódio e segura a bandeira, esticando os braços de forma que ela fique estendida atrás de sua cabeça. Coloque-se na posição de um fotógrafo: você está na frente e abaixo do pódio. Ao levantar sua lente para registrar o triunfo do André, o que aparece em primeiro plano é a marca do patrocinador estampada no peito do macacão. Em segundo plano, o rosto do vencedor e em terceiro, mas mais alto que tudo, o pavilhão nacional. Uma perfeição!

Iniciamos o trabalho, formando uma equipe Gil de Ferran fora das pistas, destinada a buscar mais patrocinadores. Como forma de integrar melhor essa equipe com seu desempenho nas pistas, Gil convidou a mim e ao Waldomiro Carvas Jr., amigo e parceiro na área de assessoria de imprensa/relações públicas, a assistir à corrida de Miami, a primeira da temporada seguinte.

Nos boxes, inúmeras celebridades brasileiras, inclusive ainda em formação. Felipe Giaffone, por exemplo, que viria a ser o rookie of the year na F-Cart no ano seguinte, estava perplexo com o acidente que tinha sofrido nos treinos da Indy Light, em que escapou por pouco de ter a perna perfurada por fragmentos do chassis de seu carro. Ele nos mostrou o estado em que ficou o monoposto e, francamente, fiquei admirado ao vê-lo alinhar no dia seguinte.

Wilson e Emerson Fittipaldi passeavam pelo paddock, inteiramente à vontade. Nos boxes, mais pilotos brasileiros, como Mauricio Gugelmin e Roberto Pupo Moreno, zanzando com scooters devidamente identificadas com seus nomes. Toda equipe tinha um certo número de scooters, e todas tinham pintado o nome do usuário.

Pois havia uma com um nome legendário: Paul Newman.

Primeira corrida da temporada, a lenda estava lá, para acompanhar o desempenho de seu piloto Christian Fittipaldi. Ao vê-lo ao vivo, sem uma legião de fãs em volta, pude notar que era bem mais mirrado do que parecia nas telas. Mas os olhos daquele particular tom de azul impressionavam.

O Giga me contou que, já no grid de partida, o Gil estava concentrado, fazendo últimas verificações, e de repente se deu conta que estava sendo observado. Levantou o olhar e notou Mr. Newman, não muito perto da frente do seu carro, olhando fixamente para ele. Carisma, deve ser essa a palavra.

www.youtube.com/watch?v=4bMnWT58pGU

Ali no meio de tanta gente bonita e famosa, apesar do tamanho, ele se destacava. Em minha modesta opinião, de alguém que gosta de cinema tanto quanto de automobilismo, um dos artistas mais completos de Hollywood.

Mas, de repente, nossa atenção foi atraída para uma disputa de kart que estava acontecendo lá junto à entrada dos boxes. Wal e eu fomos para lá e encontramos o Felipe Giaffone, que iria fazer dupla com o Alex Dias Ribeiro. Havia um circuito improvisado mas bem pensado para divertir o público antes da corrida. E quem eram esses pilotos?

Epa! Peraí, aquele capacete verde é inconfundível! Só pode ser o Henri Pescarolo!

Esse cara é um dos melhores pilotos de sport-protótipos de todos os tempos, talvez o melhor que a França produziu na categoria. Mas o que faz ele aqui nos Estados Unidos, nas preliminares de uma categoria em que nunca participou?

Sim, vejo a barba por baixo do capacete e ele agitado, pronto para sentar rapidamente no kart que seu colega está trazendo para o, digamos assim, boxe. Como se estivesse numa troca de pilotos em Le Mans.

Espere: o piloto saiu do kart direto para a cadeira de rodas! É o Clay Regazzoni! Ele fazia dupla justamente com o Pescarolo.



Alex e Felipe deram um show e ganharam disparado essa competição. Mas a lembrança que ficou para mim foi Clay e Henri se divertindo, se empenhando a fundo, pouco se importando se a multidão os reconheceria ou não. Genuína diversão.

A gente pode não gostar do automobilismo da cepa americana, essa simplicidade mecânica dos carros comparada com os F1, essa mania de só virar pra esquerda e acelerar, mas, caramba, como entendem de entretenimento!

Mr. Newman era o traço de união entre automobilismo americano, europeu e entretenimento.

Já tínhamos dado adeus a Clay Regazzoni e recentemente demos adeus a Paul Newman. Este GP do Brasil, na mítica Interlagos, teria deixado ambos felicíssimos, com tanto entretenimento. Tivemos um belo circuito, uma bela disputa, chuva para embaralhar o jogo e um final absolutamente ‘grand finale’.

Só seria melhor, para nós, brasileiros, se a chuva tivesse esperado um pouco mais para reaparecer.

Um adeus inesquecível de Interlagos como palco de encerramento do campeonato.





Digna a atitude do Massa. Um bom perdedor é um bom vencedor em potencial.

Penso que foi mais a Ferrari que perdeu do que ele. Embora a McLaren tenha errado menos que sua colega italiana, a Ferrari teve mais chances de fechar o campeonato com antecedência.

Como no ano passado, Massa deu de presente o campeonato para ela, deve ter um bom crédito para usar em 2009. Quem achava que o Hamilton só andava bem porque tinha o Alonso como referência deve estar dando adeus a antigas convicções.





David Coulthard dá adeus à F1, num final tão melancólico quanto a maioria de suas últimas performances.

Rubens corre o risco de ter o mesmo fim, contra a sua vontade. Se for para igualar o DC, será melhor que deixe de insistir com a Honda. Está no limite da humilhação. Mais cedo ou mais tarde, Toyota e Honda vão obter melhores resultados e darão mais calor em McLaren e Ferrari, mas mais um ano ruim delas não ajudará em nada a imagem de seus pilotos. Alguém terá que pagar o pato. Aliás, o que levou o Trulli a desperdiçar uma classificação tão boa e um começo de corrida tão promissor?

Este ano também daremos adeus aos pneus sulcados, que não deixarão propriamente saudades, e a outras características que tornarão os carros do ano que vem uma incógnita.

Como o Alonso vai permanecer na Renault, embora a boataria do pagamento da multa do Raïkonnën pelo Santander viesse de fonte respeitável, a montadora francesa terá mais chances de continuar sua evolução.

A Renault tem menos dinheiro, mas em compensação oferece um ambiente de prima-dona para o asturiano e ele realmente não gosta de companheiros de equipe competitivos, coisa que certamente o Massa será no ano que vem.

BMW? Será que o Mario Thiessen vai continuar satisfeito com um terceiro lugar?

Se olharmos direito, este ano McLaren e Ferrari tiveram mais companhia na disputas pelos maiores canecos. Não apenas a dobradinha Alonso/Renault ganhou dois GPs como uma impensável STR, pilotada por um estreante na categoria, levou com categoria o troféu que é quase obrigatório ser entregue à Ferrari.

Quem sabe em 2009 daremos efetivamente adeus à bipolaridade na F1?

Carlos Chiesa

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