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| » » » 27.06.07 |
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| Grand Prix de Masaryk |
27.06.07 |
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George Monkhouse nos conta a história da corrida que teve o seu grid de largada definido não pelos tempos dos treinos mas pelas próprias equipe!
Abraços
Carlos Chiesa
GRAND PRIX DE MASARYK – 26 de setembro de 1937
A corrida tem lugar em Brno, na Tchecoeslováquia, e foi instituida sete anos atrás pelo presidente Masaryk. O circuito é o mais longo da Europa para a categoria Grand Prix, com pouco menos de 32 km de extensão. Cerca de um terço da pista é de concreto e é extremamente rápida, mas o resto do traçado é muito ondulada e perigosa, percorrendo diversas cidadezinhas e uma porção de seções com subidas e descidas.
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| Belíssima pintura de Alan Fearnley, intitulada A Batalha de Beau Rivage, mostra a disputa entre Caracciola e von Brauchitsch em Mônaco 37 - Clique para ampliar |
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A corrida deveria durar mais de 15 voltas e, ao contrário dos procedimentos usuais, o tempos dos treinos não valiam para as posições de largada, o que, na opinião da maioria das pessoas, era um erro. Haveriam somente dois dias de treino, na quinta e na sexta antes da corrida, não se correndo no sábado. Dois dias de treino é bastante inadequado para um circuito longo como Masaryk, mas a razão que os organizadores deram para essa limitação era exatamente que a extensão do circuito o tornava muito custoso para seu isolamento e controle pela polícia.
Durante o treino de quinta, Brauchitsch fez o melhor tempo, com 11m25, Rosemeyer sendo alguns segundos mais lento, Caracciola e Lang marcando 11m50 e Seaman 12m05. Nenhuma das Alfas, que deveriam ser pilotadas por Nuvolari e Brivio, apareceu para esse treino de quinta e havia dúvida se iriam realmente aparecer. Os outros membros da equipe Auto-Union seriam, supostamente, Varzi e Muller. Ocorreram problemas no território da Auto-Union depois do GP da Itália, primeiro porque Stuck tinha se demitido e segundo porque Varzi, que tinha assinado para correr tanto o GP da Italia quanto o de Masaryk decidiu não correr neste último, deixando a equipe apenas com Rosemeyer e Muller, já que Hasse estava doente.
Na sexta, Lang e Rosemeyer cravaram 11m18. Brauchitsch não melhorou seu tempo do dia anterior; Caracciola marcou 11m35, Seaman 11m38 e Muller 11m50. A esta altura as Alfas tinham aparecido, mas não pareciam estar levando o assunto seriamente e Nuvolari praticamente não treinou.
Brauchitsch, que tinha ficado muito tempo nos pits, foi visto por Caracciola parado ao lado do seu carro, com varetas quebradas saindo para fora de uma das rodas traseiras. Mesmo assim Brauchitsch conseguiu chegar até os pits e Neubauer, bravo, perguntou no que ele tinha batido. Brauchistch, em meio a uma incrível gargalhada, disse que não tinha batido em nada, e que tinha saído do carro por causa dos inúmeros gritos e gestos dos espectadores, descobrindo então que a roda tinha se desintegrado parcialmente sózinha. Por mais estranho que pareça, foi isso mesmo que aconteceu.
Conforme disse, as posições de largada não eram definidas de acordo com os tempos do treinos, cada time definindo seus próprios lugares, colocando seus pilotos mais rápidos nas melhores posições. A Mercedes colocou um carro na primeira fila, um na terceira e dois na quinta fila. A Auto-Union colocou um na segunda fila e outro na quarta. A Alfa-Romeo tinha um carro na primeira fila e outro na terceira. Houve alguma discussão na equipe Mercedes sobre quem deveria ocupar a cobiçada posição na primeira fila e Lang pareceu pensar que deveria ser dele, por ter feito o melhor tempo nos treinos, com Rudi atrás, dividindo a última fila com Seaman.
A ordem de partida no domingo ficou assim:
Nuvolari
Alfa-Romeo |
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Lang
Mercedes |
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Rosemeyer
Auto-Union |
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Brauchitsch
Mercedes |
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Brivio
Alfa-Romeo |
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Muller
Auto-Union |
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Seaman
Mercedes |
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Caracciola
Mercedes |
Os carros pareciam perigosamente juntos, com não mais de uns 3o centímetros os separando, o que fazia a cena parecer mais um congestionamento em uma estrada muito estreita.
Como Caracciola já tinha vencido os Campeonatos Europeu e Alemão, ficou decidido que Lang e Brauchitsch deveriam tentar bloquear o desafiante Rosemeyer enquanto Rudi aguardava os acontecimentos.
Na primeira volta, Rosemeyer conseguiu ficar na frente de ambos, Brauchitsch e Lang, e
foi aumentando consistentemente sua liderança.
Estava muito óbvio que nem Brauchitsch nem Lang seriam capazes de lidar com o problema Rosemeyer e pouco tempo depois Lang bateu, matando dois espectadores. O problema com os espectadores é muito semelhante ao de Pescara, eles ficam na beira da pista, particularmente nas curvas, sem nenhum tipo de proteção, e foi uma benção que Lang bateu sem causar ainda mais mortes.
Rosemeyer estava aumentando sua liderança sobre Brauchitsch, e Rudi, que estava sossegado na retaguarda, foi sinalizado para vir para a frente, o que ele prontamente fez. Rudi passou por Brauchitsch e acenou a ele para segui-lo. Esse ritmo mais acelerado por parte deste último foi demais para os pneus e uma banda de rodagem voou, obrigando a uma parada no longínquo depósito de pneus para trocar a roda. Infelizmente, não havia gasolina nesse lugar e Brauchitsch foi obrigado a fazer mais uma parada nos boxes principais para abastecer. Isto deixou Seaman em 2º.
Caracciola agora dava o máximo para alcançar Rosemeyer, o que ele fez com incrível rapidez, quebrando o record de volta em 10m58, a uma velocidade média de 152 km por hora, sendo a volta mais rápida de Rosemeyer, em 11m07.
A maioria dos carros veio para os boxes para abastecer e trocar pneus na metade da corrida. Na oitava volta, Rosemeyer parou para encher o tanque e trocar os pneus traseiros. Largando novamente na nona volta, todavia, Rosemeyer entrou rápido demais numa curva, bateu forte na guia e entortou as rodas tão gravemente que teve que abandonar o carro. Isto, entretanto, não foi o fim dos esforços de Rosemeyer, como veremos mais adiante.
Na décima volta, Caracciola estava ainda na liderança e Seaman, que tinha parado para trocar pneus, repassara Muller, voltando a ocupar o 2º posto, com Brauchitsch em 4º. Naturalmente, assim que a ameaça Rosemeyer ficou fora do caminho, a equipe Mercedes diminuiu o ritmo e na décima-segunda volta Brauchitsch passou Muller e Seaman, indo para o 2º.
Quando tudo parecia cor-de-rosa para uma vitória tipo 1,2,3 para a Mercedes, Rosemeyer apareceu nos boxes, tendo caminhado mais de dois km. O chefe da equipe Auto Union imediamente sinalizou para Muller parar; Rosemeyer pegou o carro e começou a dirigir como um possesso. Imagine a surpresa de Seaman quando, depois de estar muito seguro de manter o 3º, apareceu na frente dos boxes e encontrou Neubauer e todo o staff Mercedes de boxes acenando freneticamente e segurando um sinal onde se lia “Muller-Ros. – 48”. Seaman fez então um cálculo mental e claramente se deu conta que, se Rosemeyer vinha de pé embaixo, ele não seria capaz de manter o 3º não importa o quão mais rápido andasse. No entanto, em resposta ao sinal dos boxes, ele fez um grande esforço, apenas para ser ultrapassado na última volta, com Rosemeyer indo como uma bala, tratando de ficar a menos de cinco segundos de Brauchitsch.
Se algum outro exceto Rosemeyer dirigisse desse jeito, seria pura loucura mas numa emergência como essa, Rosemeyer parecia imbuido de habilidade extra e uma colossal coragem – e ser bem sucedido.
A ordem final foi:
1º - Caracciola (Mercedes) – 144 kmh
2º - Brauchitsch (Mercedes)
3º - Rosemeyer/Muller (Auto-Union)
4º - Seaman (Mercedes)
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