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| » » » 29.06.07 |
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| Brigando com a polícia |
29.06.07 |
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George Monkhouse conta as histórias do GP da Itália de 1937, prova marcada por uma grande briga entre torcedores e a polícia, gente caindo de árvores e muito mais!
Abraços
Carlos Chiesa
Grand Prix da Itália – 12 de setembro de 1937
Embora por 14 anos o GP da Itália tenha sido corrido em Monza, perto de Milão, o Automóvel Club da Itália decidiu que, em 1937, ele deveria ter lugar no circuito de Livorno, onde tinha sido realizada a Coppa Ciano em 1936.
Esse circuito era ideal para Nuvolari, e os italianos sentiram que no seu GP nacional o Maestro teria uma chance de mostrar suas habilidades em fazer curvas. Eles provavelmente lembraram, com satisfação, como Nuvolari tinha derrotado, em 1936, com sua modesta Alfa 3,8l de oito cilindros, toda a equipe Auto-Union e seus carros de 12 cilindros – um deles quebrou na linha de largada.
O circuito de Livorno se estende ao longo da cidade e na direção do interior, com 8 km de extensão. Nos lugares onde o circuito não é ladeado por casas ou muros de tijolos existem belos e grandes blocos de concreto ao longo do limite da pista, a intervalos de 15 metros; na realidade, não é o tipo de circuito onde alguém pode praticar cross-country.
O circuito tinha recebido melhorias para a corrida deste ano e tanto Mercedes quanto Auto-Union estavam alcançando 270 kmh na reta. O lugar para se observar Nuvolari era ao redor da Piazza, em frente às arquibancadas, que parece muito Berkeley Square em escala menor. Aqui, ele negociava a curva em uma única e longa derrapagem controlada, com os pneus gritando e as rodas dianteiras apontando para as mais estranhas direções. Tipicamente Tazio!
Durante o treino do primeiro dia o melhor tempo foi 3m19, marcado por Brauchitsch, Caracciola sendo três segundos mais lento, com Lang e Seaman fazendo 3m31. A Auto-Union tinha voltado a inscrever Varzi entre suas fileiras, e ele foi bem sucedido em cravar 3m20, aproximadamente um segundo mais rápido que Rosemeyer.
Nuvolari experimentou tanto a Alfa de doze cilindros quanto a de oito, marcando 3m23 com a primeira e 3m26 com a última. Só havia uma das mais recentes Alfas de 12 cilindros da fábrica, das que haviam corrido em Pescara, e esta estava nas mãos de Guidotti, que virou em 3m33, muito lento.
Choveu bastante durante a maior parte do treino de sexta-feira e Nuvolari fez o melhor tempo, em 3m22, Varzi fazendo o segundo melhor tempo em seu Auto-Union. Os pilotos da Mercedes não fizeram nenhuma volta rápida e estavam obviamente esperando um tempo melhor no sábado, quando poderiam mostrar sua rapidez.
Mas não choveu no sábado e Caracciola disparou, marcando 3m11, o que deixou todo mundo pasmo! Varzi surpreendeu, aparentemente mantendo sua boa forma, e fez o segundo melhor tempo em 3m13, Rosemeyer sendo o terceiro com 3m14. Stuck, Brauchitsch e Lang estiveram todos entre 3m16 e 3m17, Nuvolari e Seaman marcando 3m20. Desnecessário dizer que Seaman estava levando as coisas com muito cuidado após sua desafortunada experiência durante os treinos para a Coppa Acerbo.
Como é usual no GP da Itália, a corrida foi precedida por uma impressionante marcha dos carros e pilotos até a linha de largada, cada piloto sentado no seu carro, o qual era empurrado por três mecânicos, cada equipe permanecendo em fila adiante da formação, que era liderada por um jovem marinheiro levando a bandeira de cada país. Conforme os carros passaram diante da arquibancada, todos os pilotos fizeram a saudação fascista, e então ocuparam suas posições de largada, como se segue:
ROSEMEYER VARZI CARACCIOLA
Auto-Union Auto-Union Mercedes
STUCK BRAUCHITSCH LANG
Auto-Union Mercedes Mercedes
TROSSI SEAMAN NUVOLARI
Alfa-Romeo Mercedes Alfa-Romeo
FARINA GUIDOTTI MULLER
Alfa-Romeo Alfa-Romeo Auto-Union
Essa pompa e circunstância foi, todavia, estragada por um anticlímax. Três minutos antes da largada, quando todos os pilotos estavam sentados em seus carros aguardando os motores serem ligados, uns 500 metros depois da linha de largada a pista foi completamente bloqueada por espectadores que estavam brigando com a polícia… e estavam vencendo!
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| Rudi e seu Mercedes em Livorno 1937 |
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De repente, com enorme ruído, uma multidão de 3 ou 4 mil pessoas disparou pela pista em direção à parte de trás dos boxes. Nuvolari, para ter uma visão melhor do que estava acontecendo, ficou de pé na traseira do seu carro. Era óbvio que levaria certo tempo até que a polícia conseguisse reestabelecer a ordem, então Neubauer muito sabiamente mandou que os mecânicos colocassem de volta os plugs macios e aquecessem os motores novamente; a Auto-Union prontamente fez o mesmo.
Afinal a ordem pareceu ter sido restaurada e os pilotos voltaram para seus carros, quando foi anunciado que infelizmente haveria um novo atraso, enquanto uma ambulância dava a volta no circuito para recolher um espectador que tinha caído de uma árvore e morrido.
Finalmente os motores foram ligados e logo o barulhento grupo largava, com Caracciola e Lang na liderança seguidos por Rosemeyer e Brauchitsch; então vinham Varzi, Nuvolari, Muller e Seaman. Nuvolari estava fazendo um terrível esforço para passar Varzi, para grande alegria da torcida, e acabou conseguindo.
No início da quarta volta Lang passou Caracciola para consternação geral do box da Mercedes. Não houve movimento de bandeira nem sinalização dos boxes, nem sequer a figura irada de Neubauer na pista que fizesse efeito em Lang, que parecia ter posto a faca entre os dentes.
Rosemeyer estava guiando bem feliz em terceiro e não causava nenhuma impressão nos líderes, estando, na verdade, perdendo terreno. Brauchitsch estava em quarto lugar e então vinham Nuvolari, Varzi, Muller e Seaman, este um pouco atrás, todos envolvidos em seu próprio jogo. Nuvolari obviamente percebeu que o ritmo estava ficando um tanto forte, porque estava tendo que forçar ao máximo sua Alfa para se manter em frente aos Auto-Union, então sabiamente deixou passar Varzi, assim como Muller e Seaman.
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| Trossi com o Alfa da equipe Ferrari |
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Este último começou a fazer frenéticos esforços para ultrapassar Muller, que obviamente estava achando muito divertido. Como Nuvolari estava colado na sua traseira durante estas manobras, Seaman decidiu deixar Tazio passar novamente, e ficar assistindo ao show.
Nuvolari fez diversos esforços para passar Muller mas sem sucesso, e então começou a fazer algumas das suas reais acrobacias de pilotagem, as quais ele usualmente reserva para seus compatriotas. Nuvolari, quando a adrenalina realmente sobe, fica parecendo um macaquinho no trapézio. Ele ficava pulando para cima e para baixo no assento, derrapando seu Alfa dos dois lados do carro de Muller, a centímetros dele, sem no entanto obter sucesso. Ele chegou mesmo a se espremer na entrada de uma curva, milímetros entre as rodas dos dois carros. A multidão ficou maluca de ver Tazio no melhor da sua forma.
Durante todo esse excitamento, todo tipo de coisa tinha acontecido. Brauchitsch, Farina e Stuck tinham abandonado por este ou aquele tipo de problema, assim como a Alfa 12 cilindros de fábrica, que tinha sido inapelavelmente superada, com desempenho semelhante ao de Pescara.
Nuvolari, embora tenha feito uma colossal demonstração de pilotagem, descobriu que não tinha causado nenhuma impressão nos carros alemães e assim entregou o carro para Farina na 32a. volta.
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| Lang, 2o colocado na prova |
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Nesse meio-tempo, a briga entre Caracciola e Lang continuava e na 33a. volta ambos levantaram o recorde de volta para 136 kmh. Desnecessário dizer que a multidão se deliciou imensamente com esse duelo, ao contrário de Neubauer, que ficou realmente bravo, e quando Lang veio para os boxes para reabastecer no meio da corrida, falou com ele duramente, dizendo para não bancar o estúpido. Caracciola estava fazendo o máximo esforço para vencer essa corrida, para conquistar o Campeonato Europeu, e havia dois Mercedes na frente de Rosemeyer, portanto não havia necessidade de aumentar ainda mais essa liderança.
Quando Seaman parou para trocar pneus o aparelho elétrico de partida não funcionou e ele perdeu cerca de dez segundos, o que fez com que voltasse novamente atrás das Alfa de oito cilindros, bem como de Muller, que agora tinha uma vantagem de 35s. Seaman estava obviamente começando a sentir bem mais confiante e passou a andar muito mais rápido. Ele estava virando em 3m15 e logo passou Muller e Varzi, ocupando o quarto lugar.
Caracciola seguido por Lang, 20 metros atrás, manteve sua liderança de cerca de um minuto sobre Rosemeyer até o fim, de modo que a Mercedes obteve uma dupla vitória no GP nacional final da atual formula. Essa vitória foi muito importante para Caracciola, pois foi a que deu a ele o Campeonato Europeu.
A classificação final foi:
1º CARACCIOLA (Mercedes) – 131 kmh
2º LANG (Mercedes)
3º ROSEMEYER (Auto-Union)
4º SEAMAN (Mercedes)
5º MULLER (Auto-Union)
6º VARZI (Auto-Union)
7º FARINA/NUVOLARI (Alfa).
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