 |
 |
|
| Comente |
| 13.11.08 |
 |
|
 |
|
| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 18.12.08 |
 |
|
 |
|
| Friends |
| 05.12.2008 |
 |
|
 |
|
| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
15.12.08 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
10.12.08 - Roberto Agresti |
 |
|
|
19.12.08 - Eduardo Correa |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 22.06.07 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
| Papo com o Gigante |
22.06.07 |
|
 |
|
Conversei com o Gigante sobre os três últimos GPs. Aí vai extrato da nossa conversa:
 |
| Aqui, com Alonso, e nas demais fotos desta página, imagens de ontem, em Silverstone |
|
 |
 |
 |
Chiesa: Você também achou a corrida de Mônaco chata?
Gigante: Totalmente. Não tem o que acrescentar ao que todo mundo falou: não aconteceu nada de especial. É uma pista que só sobrevive pelo glamour.
Chiesa: O que acha das regras da atual F1 com relação aos Safety Car?
Gigante: Realinhar os carros eu acho bom, é uma maneira de refazer a corrida, especialmente para o público, embora possa ser injusto para quem tinha uma boa vantagem. Agora, se a regra da luz vermelha na saída dos pits é do conhecimento de todos, só dá pra discutir antes de ser instituída, e não depois. Isso vale para qualquer lei. Acho que foi uma comida de barriga a desobediência do Massa e da equipe. Se o piloto vê essa luz e não sabe o que fazer, deveria perguntar pra equipe e esta deveria responder, antes dele ir em frente. Não sei se isso aconteceu. O Kubica parou, portanto não tinha porque abrir exceção para a Ferrari.
Chiesa: Como explicar a involução da Ferrari (ou evolução da McLaren/
Mercedes) em Montreal?
Gigante: A McLaren vem crescendo já há alguns anos, resolvendo problemas, dentro os quais pilotos, troca de projetista etc. Como eu disse antes, a Mercedes seguramente ia resolver os problemas de motor e assim por diante. Pilotos? O Montoya estava enchendo muito o saco? Vai pra casa... o Ron Dennis limpou a área. Estão colhendo os frutos de um trabalho de dois, três anos atrás, incluindo a vinda do Alonso e a ascensão do Hamilton.
Não é que o Hamilton seja essa sumidade toda sozinho. Ele vem sendo preparado, com muito cuidado, há 10 anos, dentro de uma estrutura muito afinada. Ele tem ainda a sorte de estar chegando numa hora maravilhosa para a McLaren. É claramente um talento, mas que foi burilado. O dinheiro investido nele foi bem aplicado, cuidaram de todos os detalhes. Todos. Isso envolve até a atitude perante a mídia. Quem vem nessa balada é o Nelsinho Piquet.
 |
| Nelsinho andou com o Renault |
|
 |
 |
 |
Quanto à Ferrari, ela perdeu vários elementos da estrutura, o Rory, o Ross Brawn, o Michael... Tenho a impressão de que ela está andando ainda no embalo, mas começa a sofrer com a ausência dessas peças-chave, tenho medo que comece a patinar. A Ferrari visivelmente não conseguiu evoluir tanto quanto a McLaren e até mesmo a BMW. O fato do Raikkonen ficar tão pra trás ajuda a jogar pra baixo a equipe, botanto pressão negativa. Vem aquela pergunta "Por que não estamos tendo resultado? Nós pagamos US$ 40 milhões para ter esse cara..."
Chiesa: Você já sofreu um acidente mais ou menos do jeito do Kubica na SuperVê. O que acontece com o piloto numa situação como essa, de desaceleração súbita?
Gigante: Eu rodei e bati forte no final do antigo Retão de Interlagos. Foi um bico de roda que escapou, quando eu estava embolado na luta pelos primeiros lugares com Nelson Piquet, Alfredo Guaraná, Mauricio Chulan e Chiquinho Lameirão. O SuperVê era um carrinho muito leve, muito rápido, curto entre-eixos. A primeira coisa que o cérebro comandou foi olhar pelos retrovisores para ver se tinha fogo. OK, não tinha, mas daí pra frente eu não consegui fazer nenhum movimento. O cérebro comandava direitinho os procedimentos, mas o corpo não obedecia. Não conseguia abrir o cinto, me levantar nem nada. O corpo ficou sem ação. Mesmo quando me tiraram do carro, eu estava com as pernas moles e caí no chão. Efeito da desaceleração. No caso do Kubica, eu confesse que pensei o pior. Hoje os carros têm uma porção de "fusíveis" para absorver o impacto, que realmente funcionaram.
Chiesa: Continuando no acidente do Kubica, o que você acha que aconteceu?
 |
| Massa, testando em Silverstone ontem |
|
 |
 |
 |
Gigante: Tenho a impressão de que o Kubica tentou armar um bote pra ultrapassar os dois na freada do hairpin e roçou a asa dianteira esquerda na traseira do Trulli e daí quebrou ou arrancou essa asa e ele virou passageiro. A pressão fica só na traseira, ele entra numa área de piso irregular, levanta a frente e, talvez esse tenha sido o dedo de Deus, ele bateu com a frente já levantada. Se ele bate de frente, em cheio, ela abaixada, não sei não...
Chiesa: Não entendi a estratégia da Honda para o Rubens no Canadá. Ele não ia parar uma vez só se tivesse um único safety car? Ele não deveria ter aproveitado o último SC para trocar pneu etc., se, conforme disse o Galvão Bueno, ele precisava colocar pneus moles, fazendo assim uma segunda parada?
Gigante: Sem dúvida. Lição de casa, tão óbvio que chega a ser absurdo, parece que não leram o regulamento.
Chiesa: O Alonso justificou sua atuação em Montreal com 'falta de sorte'. Você está de acordo?
Gigante: Não, acho que ele está mostrando um lado emocional que não aparecia muito quando estava na Renault. Creio que a palavra é... soberba. Agora a soberba está aparecendo e poderá vir a derrubá-lo. Decepcionante, se for confirmado, considerando que ele já tem dois títulos e é de fato um tremendo piloto. Deveria estar muito bem preparado para esse tipo de situação.
Chiesa: Como você explica a melhora do BMW? Especialmente em relação à Ferrari.
Gigante: A BMW também está colhendo frutos de um planejamento feito há tempos, aprendeu com a Williams, escolheu um bom time pra comprar, agora é uma questão de tempo, creio que só tende a melhorar.
Chiesa: GB e Reginaldo comentaram que o Hamilton fez mil voltas em um simulador antes de Montreal. Na terceira volta já estava fazendo tempos equivalentes aos favoritos e terminou fazendo a pole e ganhando de ponta a ponta. Isso significa que ele é realmente um gênio ou os simuladores permitem aos pilotos ganhar muito tempo com a adaptação?
Gigante: Sem dúvida os simuladores ajudaram imensamente, assim como ajudam os pilotos civis e militares de aviação. Claro que ele teve que acertar exatamente os ângulos das curvas na prática, mas já sabia bem como era o circuito, onde frear, onde acelerar... Agora é claro que isso não adiantaria muito se ele não tivesse talento.
Chiesa: Confirmando isto, seria uma má notícia para pilotos cujo CV exibe experiência nos circuitos de F1?
Gigante: Há tempos que não tem piloto de qualidade que não vire bons tempos depois de umas cinco voltas num circuito onde nunca tinha andado. O Jacques Villeneuve, por exemplo, andou rápido já na sua primeira temporada em todos os lugares que não conhecia e nessa época não tinha simulador.
Chiesa: Você acha que o GB está forçando muito a história do Nelsinho Piquet na Renault ou ele tem realmente estofo para fazer melhor que o Kovalainen?
Gigante: Acho que o GB está jogando pra torcida. Duvido que ele tenha lido o contrato do Nelsinho com a Renault.
Chiesa: Quanto a Indianápolis, parece que a situação do Alonso vai continuar complicada por um bom tempo, não?
Gigante: Vai. O "Luís" comprovou que domina todos os fundamentos. Desconfio inclusive que ele escondeu uns décimos do Alonso no treino, dando um drible no espanhol. É impressionante a preparação dele, a capacidade de não cometer erros. Agora entendo o que ele disse na segunda corrida, que tinha induzido o Massa ao erro. Ele já está condicionado para esse tipo de ataque, deve ter aprendido também em simuladores. Pode ter a pressão que quiser, mas ele freia nos 50m, não nos 22m, porque sabe que nesse ponto não faz a curva.
Quero frisar que eu acho que ele está PRE-PA-RA-DO, mas ainda não chamaria de gênio, não. Gênio é uma palavra que vejo associada a gerações anteriores, onde não havia telemetria, computador etc., o piloto era obrigado a descobrir, aprender e resolver sozinho. Nesse tempo todo que passou dentro da McLaren o "Luís" certamente foi apresentado a uma infinidade de dados, é impressionante o que as equipes têm de informações, não só de telemetria mas de satélite também. Isso certamente encurta muito o tempo de aprendizado. Se você ficar assistindo várias vezes a um condensado das corridas dos últimos cinco anos e tentar reproduzir as diversas situações difíceis, estudar como sair delas, vai aprender muito mais rápido e estar muito mais preparado quando chegar a situação real.
Chiesa: Você acha que a Ferrari consegue recuperar a desvantagem nessas próximas duas semanas? Ou é um prazo curto demais?
Gigante: Na F1 tudo é possível, embora seja realmente um prazo muito curto. Mas infelizmente acho que a Ferrari começou mesmo a patinar, essa corrida dos USA confirmou minha suspeita.
Chiesa: Em Mônaco o pessoal da Globo disse que a vantagem da McLaren estava no motor, que permitia acelerações mais rapidamente do que o propulsor Ferrari. Agora, após USA, estão falando em uma asa traseira miraculosa. Onde está o segredo?
Gigante: Acho que é a soma. Não adianta ter um motor melhor se você não transfere isso pra tração. Fica patinando, girando as rodas no mesmo lugar. Mais cavalos não significam necessariamente maior rapidez. A combinação dessas forças é que faz a diferença. E são esses pequenos detalhes que vão representar centésimos de segundo de vantagem por volta que, em 70 voltas, dão uma vantagem considerável. Portanto, a equipe tem que ser ótima em todos os componentes, em toda a cesta de fatores: aerodinâmica, suspensão, freio, motor, eletrônica, piloto... e na combinação deles.
Chiesa: O Vettel está com jeito de ser o próximo Hamilton? Será que teremos campeões cada vez mais jovens e cada mais produzidos por simuladores?
 |
| Timo Glock, testando pela BMW em Silverstone, ontem |
|
 |
 |
 |
Gigante: É possível mas acho cedo pra afirmar isso. Agora sem dúvida a experiência McLaren/Hamilton vai frutificar e deverá ser repetida por outras equipes.
Chiesa: Como é que o Hamilton consegue se defender tão bem de um companheiro de equipe experiente, bicampeão, que em certo momento andava visivelmente mais rápido?
Gigante: É essa questão de ser eficiente em todos os fundamentos. O Hamilton já sabe se defender. Isso se desenvolve no kart, nas categorias onde a garotada abusa, onde tentam passar onde não dá, dois corpos
ocupando o mesmo lugar, contrariando a lei da física.
O Gil de Ferran, por exemplo, era muito rápido, atacava bem, mas não tinha desenvolvido o fundamento da defesa, quando chegou pra trabalhar comigo na Fórmula Ford. Não era nada difícil passar por ele. Aí passamos a trabalhar especificamente esse fundamento e resolveu. Se desenvolveu tão bem que ficou quase que impossível passa-lo.
|
|
 |
| | |
|
|
 |