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George Monkhouse descreve em minuciosas o que aconteceu no GP de Mônaco – de 1937!
Abraços
Carlos Chiesa
Grand Prix de Mônaco – 8 de agosto de 1937
O Grand Prix de Mônaco, “A corrida das 1000 curvas”, é a original e mais famosa das corridas “entre casas”, e começou há oito anos.
A corrida dura mais de 100 voltas no circuito de 3,2 km, e é usualmente vista como o mais extenuante teste do mundo, tanto para o carro quanto para o piloto. Como o circuito é muito curto, as inscrições ocorrem unicamente por convite, o que quer dizer que os competidores, tanto pilotos quanto carros, são a nata do mundo do Grand Prix.
A coisa que mais chama a atenção acerca do Grand Prix de Mônaco é a maneira rápida com tudo acontece, devido, em não pequena medida, à maravilhosa organização de Antony Noghes, que é tanto uma pessoa extremamente charmosa quanto um grande entusiasta do esporte a motor.
O treino de quinta-feira aconteceu de tarde, a partir das 13h30 e foi usado apenas para fazer os carros funcionar - por isso não apareceram tempos realmente rápidos.
Na sexta, Brauchitsch virou em 1m50, com Rosemeyer sendo um segundo mais lento.
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| Carlos Pintacuda, com Alfa, contorna a curva do Gasometro |
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O treino foi suspenso por cerca de quinze minutos enquanto o óleo do Maserati de Pietch era removido da pista e ele convidado a retirar seu carro da corrida, o que efetivamente fez. Óleo num circuito é ruim o suficiente a qualquer tempo, mas em Mônaco, onde a pista é estreita e confinada entre edifícios e muros, é um perigo terrível. A corrida de 1936 foi completamente estragada quando cinco carros bateram durante a segunda volta devido a óleo na pista.
O calor estava terrível, e andar ao longo do circuito carregado com diversas cameras não era brincadeira, portanto eu decidi usar shorts com uma toalha em volta da minha cabeça, o que pareceu causar não pouca diversão; Neubauer gritou “Ah, o pescador!” eu suponho que por causa de toda minha indumentária eu devia parecer realmente com algum notório pescador, mas no final das contas eu me senti realmente refrescado!
O treino de sábado ocorreu às 6h da manhã. Caracciola fez uma magnífica volta rápida em 1m47, mais de 10 segundos abaixo do velho recorde da pista. Brauchitsch foi um segundo mais lento, com Kautz, Rosemeyer e Stuck virando em 1m49. Os carros da Mercedes pareciam estar mais adaptados ao circuito que os Auto-Unions, porque muito difíceis de se dirigir em curvas tipo grampo.
Houve um grande desapontamento quando se soube que Nuvolari não iria correr, por estar em Monza, testando o novo Alfa-Romeo de 12 cilindros. Os diretores da Alfa-Romeo, que tinham requisitado os serviços de Nuvolari, queriam muito ter o novo carro pronto para a Coppa Acerbo (veja coluna de 4/4/2007), que ocorreria uma semana mais tarde. Foi uma pena pois Mônaco é um dos poucos circuitos onde Nuvolari, usando a sua maravilhosa habilidade, podia compensar a superioridade dos carros alemães.
Depois de Kautz ter marcado 1m49, ele recebeu aviso para voltar aos boxes, mas resolveu continuar por mais uma volta. Ele queria especificamente verificar a quantos giros estava o motor quando fazia a curva do Casino. Essa olhada rápida ao tacometro teve resultados desastrosos, pois ele acabou batendo nos sacos de areia colocados do lado de fora do Hotel de Paris, deixando seu Mercedes bem danificado.
Kautz recebeu severa descompostura de seu chefe Neubauer e seu “subchefe” Caracciola! A única pessoa que achou isso tudo divertido foi Rosemeyer, o qual, tendo batido diversos Auto-Unions enquanto aprendia a guiar, sabia o quanto era fácil bater um moderno carro de Grand Prix. Os mecânicos da Mercedes trabalharam o dia inteiro no carro de Kautz, que ficou pronto e repintado na noite de sábado.
Eu fui acordado no domingo de manhã por uma orquestra de escapamentos de Auto-Union. Pulando para fora da cama, descobri que a equipe promovia uma espécie de mini-corrida particular, subindo e descendo a Corniche.
Quando cheguei no circuito, o céu estava encoberto e tudo indicava que haveria um aguaceiro tropical, fazendo com que muitos pilotos preparassem seus visores. O Conde Trossi, conhecedor de Mônaco, assegurou a todos que não havia necessidade de alarme: a tempestade não viria. E ele tinha razão.
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