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Bremgarten 23.04.07


George Monkhouse foi à Suíça assistir o GP, disputado em Bremgarten.

Hoje, ele fala sobre os treinos. Em nosso próximo encontro, sobre a corrida

Boa leitura.

Carlos Chiesa






Escreva pra Gente | Topo


GRAND PRIX DA SUÍÇA – 22 de agosto de 1937

O GP da Suíça é corrido no Circuito Bremgarten, em Berna, que é provavelmente um dos melhores circuitos permanentes para carros, pilotos e espectadores. Tem pouco mais de 7 km, com média acima de 160 km/h. Lá, não existem curvas lentas. Na verdade, é uma miniatura de Tripoli.

Os treinos estavam marcados para as 15h da quinta-feira. Todos os Mercedes e Auto-Unions, além de um certo número de independentes, já tinham chegado. As Alfa-Romeo oficiais não iriam participar, devido à sua fraca apresentação em Pescara. Naturalmente esse foi um grande desapontamento, especialmente porque Tazio Nuvolari não iria competir. Imagine nossa surpresa, no entanto, quando olhando através da janela do hotel na manhã de quinta e vimos o carro de passeio de Nuvolari parado na rua.

Ele desapareceu durante a manhã mas retornou a tempo de almoçar com Rosemeyer e esposa. Quando perguntei porque ele tinha vindo a Berna, Nuvolari respondeu de um modo displicente: “vim pilotar a minha Contax”, comentário que, sendo ele um dedicado fotógrafo, fazia sentido.

Pouco tempo depois ele apareceu no hall do Bellevue Hotel em seu macacão branco e cachecol amarelo, quando todos os tipos de rumores acerca de ir pilotar para a Auto-Union já circulavam – e que foram confirmados porque, chegando ao circuito, Nuvolari foi direto aos boxes da Auto-Union, indo sentar na mureta ao lado de Fagioli. Naturalmente, a equipe Mercedes ficou um tanto espantada, para não dizer pasma, de ver o grande italiano no campo oposto.

A equipe Auto Union nos boxes de Bremgarten
Rosemeyer experimentou dois Auto-Union, um após o outro, por diversas voltas. Finalmente decidiu qual considerava o mais adequado para Nuvolari pilotar e explicou a ele o funcionamento dos diversos instrumentos e controles. Após o assento ser trocado e Nuvolari confortavelmente instalado, o carro foi empurrado para fora e o piloto foi embora, quase tão devagar quanto se estivesse indo para um gostoso passeio no campo.

Mesmo assim, marcou 3m08 na sua volta de abertura. No total, deu cinco voltas, marcando 2m56, 2m51, 2m49 e 2m46. Muito rápido, considerando a pouquíssima experiência de Nuvolari com o carro. Deve ser levado em conta que não era a primeira vez que ele pilotava um Auto-Union, já tendo testado um em 1934, em Masaryk.

As impressões de Nuvolari ao dirigir um Auto-Union de 1937 foram muito interessantes. Ele disse que a tremenda velocidade desses carros era muito mais estonteantes do que qualquer coisa que ele tivesse dirigido antes e que tinha achado difícil julgar o ponto correto de desaceleração antes de abordar a curva. Tanto ele tinha cortado cedo demais e tido que acelerar novamente, quanto tinha ido longe demais, tendo que frear muito forte, tomando um belo susto no processo.





Kautz e seu Mercedes
A Mercedes iria alinhar quatro carros, para Caracciola, Brauchitsch, Lang e para o suíço Kautz. Eles, mais Rosemeyer e Stuck marcaram tempos entre 2m38 e 2m39 o que, considerando que o recorde de volta era de 2m34, era bem rápido para um primeiro dia de treino.

A arquibancada principal de Berna estava situada em frente aos boxes, numa curva para a direita realmente rápida, tomada em velocidades na casa dos 240 km/h. Era muito inspirador ficar na faixa de grama entre a pista e os boxes para observar os carros mais rápidos negociar essa curva. Eles pareciam vir direto até você como uma bala e assim que você pensava que estava morto o carro já tinha passado e sumido de vista!





Na sexta, os carros da equipe Ferrari, a serem pilotadas por Farina e Sommer, chegaram. Eles estavam, como de hábito, a cargo de Marinoni, que tinha enorme experiência em lidar com os Alfa de 12 cilindros. Devido à chuva, o circuito ficou muito escorregadio e os tempos se tornaram marcadamente mais lentos. Rosemeyer teve uma derrapagem colossal que quase o fez bater e Kautz foi parar nos sacos de areia, entortando as duas rodas traseiras, o que fez a Mercedes voltar para os boxes como se estivesse bêbada.

As melhores voltas foram marcadas por Rosemeyer 2m43, Lang 2m46, Stuck 2m47, Brauchitsch 2m49, Caracciola 2m55 e Sommer 2m57. O tempo de Caracciola foi surpreendentemente lento, mas o veterano piloto não iria por em risco seu carro, especialmente em treinos. Nuvolari continuou treinando e estava obviamente tratando apenas de pegar o jeitão do carro.





Mr. Huber, o organizador da corrida, esteve presente em todos os treinos e não restou dúvida de que ele realmente gosta das coisas muito bem organizadas. Foi interessante vê-lo examinando o asfalto em frente das arquibancadas para verificar se estava firme, uma vez que tinham havido problemas na corrida de 1936. Mr. Huber, à parte ter providenciado uma maravilhosa arquibancada permanente de concreto, também fez um circuito tão seguro para os espectadores quanto era humanamente possível.

Após o término do treino, houve um incidente entre Rosemeyer e Brauchitsch, com o primeiro acusando o último de ter ficado no seu caminho. Neubauer tomou as dores de seu piloto e replicou que Manfred tinha se mantido no lado direito da pista e se Rosemeyer não tinha conseguido passar era porque não conseguia ir mais rápido! Isto, é claro, fez todo mundo rir e a discussão foi encerrada da maneira mais amigável possível graças à diplomacia do diretor Sailer, que obviamente era um mestre em pacificar jovens agressivos.





O treino de sábado aconteceu logo após o almoço. Caracciola e Brauchitsch, seguidos por Stuck e Rosemeyer sairam como raios. Caracciola deu cinco voltas, todas em torno de 2m34, sendo a mais rápida 2m32, uma média de 170 km/h. A pilotagem de Rudi nestas espantosas cinco voltas foi uma das mais impressionantes que já tive oportunidade de ver.

Rosemeyer foi meio segundo mais lento, com Stuck marcando 2m34, Brauchitsch 2m36, Lang 2m37 e Kautz 2m44. Houve uma certa confusão com relação aos tempos da equipe Auto-Union, uma vez que Nuvolari e Fagioli tinham trocado de carros e Rosemeyer tinha guiado o carro de Nuvolari, o nº 6, por duas voltas, e marcado 2m34. Quando os tempos oficiais e posições de largada foram informados pelo posto de cronometragem, Nuvolari foi colocado à direita na segunda fila, como tendo marcado o quarto melhor tempo. Neubauer imediatamente apresentou um protesto junto aos organizadores, apontando a razão de seu erro.

Estas mudanças trazem dificuldades aos cronometristas, que em muitos casos não reconhecem os pilotos, fiando-se mais nos números do carros, os quais, em Berna, passam diante da cabine a 240 km/h, de modo que os cronometristas não tem lá muito tempo para reconhecer quem está pilotando. Se este tipo de coisa fosse permitido, sem dúvida Caracciola poderia guiar todos os Mercedes, fazendo uma ou duas voltas voadoras com cada e assim permitindo que toda a equipe pudesse largar nas duas primeiras filas!

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