Sessão Convidados
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
15.12.08 - Luis Fernando Ramos
Viva a crise
12.12.08 - Alessandra Alves
Carta ao editor
10.12.08 - Roberto Agresti
Soichiro triste
19.12.08 - Eduardo Correa
O site é de vocês, leitores!
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini
Micos brasileiros III
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Convidados » Carlos Chiesa » 09.02.07
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
A CORRIDA MAIS IMPORTANTE DO ANO 09.02.07


Vamos em frente com as corridas do Campeonato de 1937, desta vez em Nurburgring, gentileza de George Monkhouse e seu livro Motor racing with Mercedes-Benz, lançado nos anos 40.

Hoje, transcrevo a primeira parte do texto, concluindo na 2a-feira.

Abraços

Carlos Chiesa





GRAND PRIX DA ALEMANHA – 25 DE JULHO

Os relatos das corridas até este ponto tinham sido compilados a partir de informações fornecidas por Dick Seaman e vários outros pilotos, além de reportagens. As cinco corridas que se seguem, no entanto, eu testemunhei, durante minha maravilhosa viagem de quase 5 mil km com a equipe Mercedes.

Ela começou quando deixei a Inglaterra em 21 de julho com destino ao circuito de Nurburg. Dick Seaman me encontrou em Colonia à noite e nos dirigimos até a pequena e pitoresca aldeia de Adenau, 80 km mais à frente. Na manhã seguinte, no café do Eifelerhof, ali estavam todas as caras conhecidas: Caracciola, Brauchitsch, Lang, Nuvolari, Farina, Ruesch, e muitos outros. Infelizmente a equipe Auto-Union estava hospedada em algum outro lugar perto de Adenau. Assim nós perdemos a jovial companhia de Rosemeyer, que sempre arranjava um jeito de encontrar algo divertido para fazer ou dizer.

O Grand Prix da Alemanha deve ser olhado como a corrida mais importante do ano, conseqüentemente era a competição que todos queriam vencer, por isso a equipe Mercedes estava lá com força total.

Tanto Mercedes quanto Auto-Union tinham inscrito cinco carros cada, e os treinos começaram na quinta, 22 de julho. O circuito de Nurburg sempre foi mais rápido para o GP da Alemanha que o de Eifelrennen porque no último acontece um grande número de corridas de motocicletas e carros esporte antes da corrida principal, de modo que a pista fica coberta de óleo e, conseqüentemente, escorregadia.

O tempo na quinta-feira estava muito seco. Rosemeyer fez a volta no estonteante tempo de 9m46, batendo seu próprio recorde anterior em não menos de 10 segundos. Nenhum dos pilotos da Mercedes fez voltas realmente rápidas, à exceção de Caracciola, que marcou 10m3. Lang foi o outro piloto da Mercedes a treinar, e ele fez uma volta apenas em 10m17. Neubauer deixou os pilotos novatos Baumer e Brendel pegarem o carro “de treino”, para que pudessem ganhar experiência no circuito.

Lang lidera grupo de competidores em Nurbur 37
O tempo na sexta-feira estava úmido e o céu encoberto, com trechos sob neblina, embora não tenha tido chuva digna desse nome. Os pilotos da Mercedes agora começavam a mostrar suas cartas, Lang fazendo uma volta muito rápida em 9m52 e Brauchistch em 9m55. Os carros da Ferrari dirigidos por Nuvolari, Farina e Trossi a esta altura já tinham chegado e Nuvolari surpreendeu todo mundo levando o Alfa de 12 cilindros ao tempo de 10m8, o que era realmente uma espantosa façanha, com Farina marcando 19 segundo acima desse tempo. Seaman, embalado por seu recente sucesso nos Estados Unidos, marcou 10m12. Seu carro parecia estar indo muito bem, bem como os demais Mercedes.

Para poupar os carros titulares, a maioria dos pilotos da Mercedes treinaram com o carro reserva, de número 17, o qual, a julgar por algum dos relatos, parecia ser uma fera a ser domada. Esse era o carro com que Brauchitsch tinha capotado nos treinos de Spa.

A equipe Auto-Union estava tendo problemas com a carburação de seus carros, e Stuck foi o único capaz de fazer a volta em 10m35.

O sábado amanheceu úmido, os jornais trazendo previsões de mau tempo no domingo. Grande parte do circuito estava muito escorregadia, impedindo que se marcassem tempos realmente rápidos. Um dos jornais alemães trazia como manchete, em letras garrafais: “Dez alemães contra 17 italianos”. Como uma vitória alemã era 100% certa, isso soava muito divertido, mas talvez não tanto quanto
Mecânicos reabastecem o Mercedes de von Brautchitsch
“A ameaça estrangeira” que apareceu nos jornais ingleses antes das corridas em Brooklands e Donnington. Na realidade as inscrições consistiam em cinco Mercedes e cinco Auto-Unions contra três carros da Ferrari (o carro de Trossi agora estava sendo pilotado por Marinoni, o mecânico-chefe) e 14 outros Alfa-Romeos e Maseratis bem obsoletos.

No jantar de sábado no Eifelerhof havia um grande sentimento de confiança na mesa da Mercedes, e todos pareciam estar no melhor de seus espíritos. Um bom presságio para o domingo.





Conforme previsto pelos profetas da meteorologia, o tempo no domingo foi miserável, e indo para o circuito com Seaman e Brauchitsch, parecia que a corrida ia ser uma repetição da de Eifelrennen do ano anterior, que seria lembrada por ter sido corrida em meio a densa neblina.

A multidão, que tinha se espalhado pela aldeia de Adenau durante todo o sábado, agora ocupava seus lugares favoritos ao longo do circuito - o campeão deles parecia ser Konigsplatz, que dava uma visão privilegiada
Desenho de Gotschke mostra largada do GP da Alemanha de 37 - Clique para ampliar
da sucessão de curvas que levavam ao Karrussel. A grande arquibancada e o terraço atrás dos pits estavam lotados de alemães entusiasmados, que tinham estado observando os mecânicos aquecendo os motores e trocando velas nos Mercedes e Auto-Union prateados e nos Ferrari Alfa vermelho-sangue. Adicione a essa cena a longa linha de grandes bandeiras coloridas, flutuando com a brisa, uma banda alemã de instrumentos de sopro, com o maravilhoso velho castelo de Nurburg ao fundo e você terá o cenário perfeito para um corrida de automóveis. Tudo que você precisa agora para tornar a festa completa é um grande prato cheio de lingüiças e meia dúzia de cervejas!





A largada estava marcada para as 11h e as nuvens começaram a se dissipar na hora em que os carros estavam sendo conduzidos para suas posições. Ao contrário do último treino, as posições de largada este ano estavam dispostas de acordo com os tempos mais rápidos nos treinos, com as cinco primeiras filas reservadas aos pilotos que obtiveram os melhores tempos.

Após estes vinha a retaguarda, incluindo o inglês Kenneth Evans, em sua primeira participação numa grande competição continental, num antigo Monoposto Alfa. Após breve discurso feito pelo Korps-Fuhrer Huhnlein, os pilotos entraram em seus carros, que já tinham sido ligados, os Mercedes por um dispositivo elétrico portátil, os Auto-Union e Alfa-Romeo por manivela, 30 segundos antes da largada.

A ordem era:

Rosemeyer (Auto-Union) com 9m46s2; Lang (Mercedes) com 9m52s2; von Brauchitsch (Mercedes) com 9m55s1”; Caracciola (Mercedes) com 10m04s0; Nuvolari (Alfa-Romeo) com 10m08s4; Hasse (Auto-Union) com 10m104; Muller (Auto-Union) com 10m12s0; Seaman (Mercedes) com 10m12s3; von Delius (Auto-Union) com 10m15s1; Kautz (Mercedes) com 10m53s3; Farina (Alfa-Romeo) com 10m27s2; Stuck (Auto-Union) com 10m35s3 Ruesch (Alfa-Romeo) com 10m47s2.

O ruído era ensurdecedor e foi aumentando num crescendo conforme as luzes foram mudando de vermelho para amarelo para verde. Parecia um tufão, o solo tremendo, quando os vinte carros dispararam juntos em sua louca corrida para a Sudkehre.

Quem estaria na liderança quando aparecessem na reta atrás dos pits? Esperava-se que fosse Rosemeyer, por estar na melhor posição de largada.

O locutor no Karrusel deu as posições e todos aguardaram em suspense os números aparecerem no placar. Esses números eram passados por telefone do outro lado da reta assim que os carros entravam por ela, e dava aos espectadores um leve aviso do que estava por vir. O número 4 de Rosemeyer apareceu primeiro e um tremendo aplauso irrompeu, ao passo que todos se esticaram para a frente para ver sua Auto-Union aparecer entre os pilares de concreto diante das arquibancadas.

Imagine a surpresa quando o primeiro a aparecer foi Lang. Ele tinha passado Rosemeyer na reta e aberto uma liderança de 2 segundos, que era a mesma distância que separava Rosemeyer de Caracciola, que vinha em 3o, com Brauchitsch em 4o a 3 segundos. Houve então uma espera de cerca de 10 segundos, até aparecerem Muller, Delius, Hasse, Nuvolari, Kautz e Seaman em uma longa corrente. Este último tinha feito uma largada muito ruim mas estava claramente trabalhando para abrir seu caminho para cima.





Rosemeyer fez a segunda volta em 9m53, que era o novo recorde de corrida, conseguindo assim retomar a liderança e abrir nove segundos sobre Lang, que era seguido por Caracciola e Brauchitsch.

Na volta seguinte Rosemeyer aumentou sua liderança para 11 segundos mas Caracciola tinha passado Lang e estava obviamente vindo em seu encalço. Seaman agora tinha passado Nuvolari, Kautz e Hasse e estava em 7o. Assim que Rosemeyer entrou na Sudkehre na sua quarta volta, uma grande parte do capô traseiro, incluindo as “orelhas de cachorro” voou. Um nazista de camisa marrom recolheu o que sobrou dessa peça e correu para os pits para avisar a equipe do iminente desastre. Estava certo, pois ao final da quarta volta três Mercedes, lideradas por Caracciola, apareceram em “formação de batalha” nos primeiros lugares.

Ouviu-se um tremendo grito quando Rosemeyer apareceu 28 segundos depois, com seus pneus traseiros completamente despedaçados fazendo um estranho - “wooishing” - ruído. Se isto já era ruim o suficiente para jogá-lo do 1o para o 4o lugar, não era nada perto do que estava por vir. Havia pouco ou nenhum resto de capô e outras partes da carroçaria tiveram de ser removidas a frio com martelo e cinzel, provocando um atraso de 2m28, o que fez Rosemeyer despencar para o 10o lugar. A maioria dos pilotos teria a esta altura abandonado todas as esperanças de terminar nas primeiras posições e se retirado da corrida ou simplesmente continuado sem correr mais riscos. Mas não Rosemeyer, que saiu dos pits com uma série de derrapagens alarmantes e seguiu em frente como um gato escaldado.

Muller, entrementes, para evitar bater em Delius na entrada de Adenau, tinha saído da pista, atingindo ruidosamente uma ponte. Isto causou pouco dano a Muller, mas entortou bastante a Auto-Union.
 Leia mais colunas de Chiesa | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação