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Nurburgring original 10.11.06
Quer conhecer o Nurburgring original - que George Monkhouse grafa Nurburg Ring?

Ficou impressionado com Michael Schumacher andando com pneus em mau estado na Hungria? Veja o que acontece com seu antecessor Rudi Caracciola.

E gostou das largadas da Renault/Alonso? Veja o que faz Nuvolari, numa tentativa desesperada de romper o domínio alemão no campeonato de 1937.

Abraços
Carlos Chiesa






Eiffelrennen, 13 de junho de 1937

As duas primeiras corridas do ano tinham sido realmente quentes, mas agora nós tínhamos chegado a Eiffelrennen, para encarar 10 voltas no famoso circuito de Nurburg Ring. Conseguiria a Mercedes repetir seus dois sucessos anteriores, em Tripoli e Avus?

Rosemeyer com Auto Union em Nuburgring 1936
Rosemeyer, num Auto-Union, tinha vencido tanto Eiffelrennen quanto o Grand Prix da Alemanha de 1936, e era visto como muito difícil de ser batido em Nurburg Ring. A Auto-Union iniciou seus treinos dez dias antes da corrida, com Rosemeyer fazendo a volta em 9m57, com Brauchitsch e Caracciola chegando perto disso durante a sessão oficial de treinos.

Durante os treinos, Delius saiu da pista, indo parar no Berkwerk quando um passarinho saiu de uma cerca-viva e vou direto para sua face. O Auto-Union ficou muito danificado mas felizmente Delius escapou apenas com alguns cortes e uma tremedeira bem severa, natural em uma experiência tão desagradável.

Seaman não pode treinar muito, uma vez que Brauchitsch teve de usar o carro do companheiro depois que o seu quebrou. Outro carro, em todo caso, foi imediatamente enviado de Stuttgart e chegou na noite de sábado, vindo em um dos novos caminhões com compressor que faz 75 milhas por hora. Caso ele quebre, um caminhão comum é enviado em seguida.

Seaman levantou às 5h no domingo antes da corrida e deu uma volta ou duas no carro novo, mas então encontrou um grande problema para voltar ao Eifelerhof, em Adenau, para o café da manhã, devido ao tráfego de mão única. Ele estava, no entanto, armado com um passe especial da polícia, permitindo que fosse contra a corrente, mas diversos motociclistas quase se empalaram sozinhos contra o seu radiador quando contornavam as curvas, crentes que a pista estava livre!

A programação de corridas começou às 8h com um bando de motociclistas. Depois veio a corrida de carros-esporte, que foi vencida pelo piloto inglês Fane em um BMW. A vitória de Fane foi muito festejada mas resultou em um desagradável acidente para Henne, o ás alemão das motocicletas, que, não estando muito feliz em ser ultrapassado por Fane, e tentando ultrapassá-lo na descida para Hocheichen, foi parar na vala, entortando o carro e a si mesmo.

Depois da corrida, Fane levou o Korpsfuhrer Huhnlein para dar uma volta no circuito, o que foi muito bem recebido pela platéia alemã. Também foi muito esportivo por parte do Korpsfuhrer.

Para a grande corrida, as posições de largada foram alocadas conforme os tempos dos treinos. Assim na primeira fila estavam Rosemeyer (Auto-Union), Caracciola (Mercedes) e Brauchitsch (Mercedes), num total de 18 carros.

A largada em Nurburg Ring é dada por um conjunto de luzes vermelha, âmbar e verde e, como de costume, muitos pilotos já vão avançando antes de acender a luz verde. Nuvolari, embora oficialmente na terceira fila, foi parar praticamente na primeira.



Rosemeyer disparou na liderança em direção à Sud-kehre mas foi quase imediatamente ultrapassado por Caracciola, que completou essa primeira volta na velocidade média de 133 km/h, abrindo 5s de Rosemeyer; Brauchitsch estava 4s atrás, seguido por Lang (Mercedes), Delius (Auto-Union), Seaman (Mercedes), Hasse (Auto-Union), Nuvolari (Alfa-Romeo), Kautz (Mercedes), Farina (Alfa-Romeo), Ruesch (Alfa-Romeo), e Muller (Auto-Union).

Na segunda volta, Seaman teve que parar por problemas de alimentação de combustível logo após a Fuchsrohre. Na quinta volta, Caracciola disparou sobre a ponte no fim da reta e veio para os boxes com um pneu traseiro em frangalhos. Ele foi seguido quase imediatamente por Brauchistsch.

Ao cabo de seis voltas, Rosemeyer veio para os boxes para trocar pneus, o que levou aproximadamente 30s, mas ainda mantendo uma liderança de 45s sobre Caracciola. Lang, que estava em quarto lugar, também veio para os boxes, trocando pneus e abastecendo em 48s mas desafortunadamente teve que retornar na volta seguinte devido a velas molhadas. Com isso, perdeu duas voltas.

Nuvolari em seu Alfa-Romeo, embora sem condições de lutar de igual para igual com as máquinas alemãs, dirigiu magnificamente e terminou em 5º, cerca de 3m30s atrás de Rosemeyer. Nenhuma das Mercedes tinha corrido de acordo com o esperado e o problema foi localizado na bomba de gasolina que ou simplesmente não tinha funcionado ou então bombeado demasiado combustível para os carburadores, molhando as velas. Esta falha aparentemente trivial tirou todas as chances da Mercedes ganhar a corrida.

A ordem final foi:

1º B. ROSEMEYER (Auto-Union) à média de 133 km/h
2º R. CARACCIOLA (Mercedes), 50 segundos atrás.
3º M. v. BRAUCHITSCH (Mercedes).

Brauchitsch chegou mais de um minuto atrás de Rosemeyer, que agora tinha completado seu "hat-trick" em Nurburg.

Esta foi a última corrida em que o famoso berro dos Mercedes super-comprimidos foi ouvido, uma vez que o Departamento Experimental alterou o sistema de indução e o mais convencional sistema de aspirar a mistura no compressor e sopra-la no motor foi adotado.

Algumas pessoas podem estar interessadas em saber que o tremendo ruído feito pelo motor no limite de giros usando o sistema anterior era devido a uma válvula no duto que levava aos carburadores, que abria automaticamente assim que o piloto levantava o pé do acelerador, o compressor deixando o ar escapar.

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