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Grand Prix de Tripoli 21.07.06
Grand Prix de Tripoli

Procure se lembrar do GP de abertura da temporada deste ano. Lembrou?

Pois agora vamos a um país do Norte da África, um circuito de rua rapidíssimo, sem retas, sem guard-rail, sem área de escape, caixa de brita, controle de tração, telemetria etc., mas com 600HP embaixo do capo. E uns oito carros em condições reais de vencer a corrida.

O circuito de Trípoli


Use a maquina do tempo, volte à temporada de 1937 e compare as duas corridas numa gentileza, como em nossos encontros anteriores, do livro Motor racing with Mercedes-Benz, de George Monkhouse.

Carlos Chiesa






A corrida de abertura da temporada de 1937 teria lugar em Trípoli, na costa norte da África. É de longe o mais rápido circuito de rua do mundo. No ano passado, Achille Varzi venceu com um Auto-Union a uma velocidade média de mais de 200 km/h.

A prova de Trípoli vem sendo disputada desde 1927, embora só depois de 1933 tenha se tornado conhecida como "A corrida dos milhões".

O Marechal Balbo, que tinha acabado de assumir o governo da Líbia, concebeu a idéia de uma loteria estatal ligada à corrida e cerca de 4 milhões de bilhetes eram vendidos todo ano, por pouco menos de 3 xelins cada. O sistema não apenas dava um prêmio de 60 mil libras para o acertador e outro polpudo prêmio para o piloto vencedor, mas inúmeros outros prêmios para espectadores e pilotos sendo, no balanço final, uma ótima fonte de renda para o governo líbio.

Um bom uso, todavia, foi dado a esse dinheiro, porque o Marechal Balbo transformou o circuito em um dos melhores do mundo, completo com suas arquibancadas e boxes de concreto, alvos como a neve.

Antonio Brivio com Alfa Romeo em Mônaco 37.jpg
Naturalmente existia uma grande especulação a respeito do resultado do GP deste ano, porque todos sabiam que tanto Mercedes quanto Auto-Union tinham trabalhado muito durante o inverno. A disputa parecia ficar entre essas duas marcas, com as Ferrari-Alfas sendo inapelavelmente superadas em velocidade final.

O circuito de Trípoli tem 13,1 km de extensão e não existem retas longas; ele é composto por uma série de curvas rápidas, muitas das quais podem ser feitas de pé embaixo, a 290 km/h.

Tudo indica que é por isso que se torna inútil correr com um carro como o Alfa Bimotore que, embora seja muito rápido em reta, tem pouca dirigibilidade e freios que não são dignos desse nome.

Hermann Lang
Esses problemas de dirigibilidade e freios apareceram quando os americanos Pete de Paolo e Kelly Petillo inscreveram dois Millers para a corrida de 1934 e foram ultrapassados pelos dois lados da pista, ao mesmo tempo, pelas Ferrari-Alfa, na zona de frenagem de uma curva.

Durante os treinos, Hans Stuck (Auto-Union) fez o melhor tempo, com 3m19s, Rudi Caracciola e Bernd Rosemeyer sendo os próximos com 3m20s. Tazio Nuvolari tinha um Alfa de doze cilindros especialmente preparada, que parecia ser muito pouco confiável, passando a maior parte do tempo funcionando em 11 cilindros. Por isso ele conseguiu 3m33s, ficando 10s à frente de todas as outras Alfas.

Tazio estava obviamente irritado e fez o carro voar na curvas ainda mais rápido que o habitual. Após o treino, Tazio anunciou que não sabia se correria, mas depois de muita discussão acabou confirmando sua participação, para alegria do público italiano, para quem ele era uma espécie de herói nacional.

A corrida de Tripoli seria a primeira de Dick Seaman desde seu acidente em Monza e embora seu joelho ainda estivesse inchado, ele conseguiu uma ou duas voltas realmente rápidas durante os treinos.

Estava claro que, pelo número de pneus usados nos treinos, a corrida seria vencida nas trocas de pneus. Preciso explicar que para circuitos de rua rápidos como o de Trípoli, pneus com banda mais fina deveriam ser usados, e a força centrífuga nessas velocidades fazia voar pedaços espessos de borracha. Isso significa que os pilotos teriam que agir com grande cuidado e técnica nas frenagens, curvas e retomadas, caso contrário desgastariam seus pneus rápido demais.

A largada estava prevista para as 15h e, quinze minutos antes, o Marechal Balbo inspecionou os carros e apertou as mãos dos pilotos. Alfred Neubauer, como de hábito, estava dando suas instruções de última hora e dizendo aos pilotos "bon voyage".

A largada foi dada por meio de luzes coloridas e 100 jardas após quase ocorreu um desagradável acidente quando Ernest von Delius e Hermann Lang tocaram os cubos das rodas e diminuíram momentaneamente, de modo que Seaman, que estava bem atrás, teve que frear muito forte, e Nuvolari executou uma colossal manobra, evitando a traseira do carro de Seaman por polegadas!

A estratégia da Mercedes era ir razoavelmente devagar e levar a corrida com somente duas trocas de pneus. Os Auto-Unions, no entanto, decidiram fazer o oposto e dispararam como balas, com Rosemeyer trocando pneus após 5 voltas. Isso, todavia, não era nada perto de Stuck, que trocou seus pneus 7 vezes durante a corrida, que durou 40 voltas!

Muitos dos pilotos acharam muito difícil ler os sinais dos boxes, uma vez que estes estão situados numa trecho que se percorre a 290 km/h.

Todos os Mercedes continuaram sem trocar pneus até a volta 14, quando Caracciola estava na liderança. Logo depois ele diminuiu, porque areia atirada pelos carros fazendo curvas à sua frente entrou na tomada de ar do seu compressor e avariou o motor.

O Mercedes de Herman Lang em Trípoli 37
Com 30 voltas, Lang, Seaman e Caracciola, todos de Mercedes, estavam em primeiro, segundo e terceiro lugares. Os Auto-Unions estavam fazendo frenéticos esforços para alcançá-los e estavam indo tremendamente rápido, mas com o resultado natural que os pneus estavam indo embora e um tempo precioso era gasto com as trocas.

Durante as 10 voltas seguintes, o carro de Seaman também teve areia dentro do compressor, de modo que, um a um, os Auto-Unions guiados por Rosemeyer, Delius, Stuck e Fagioli passaram por ele. Lang manteve a liderança e venceu sua primeira corrida para a Mercedes na colossal velocidade média de 215 km/h. Ele tinha guiado uma corrida perfeitamente avaliada e não tinha tido problema de nenhuma ordem.

Nuvolari, cujo carro tinha apresentado tantos problemas durante os treinos, retirou-se após meras 3 voltas e as outras duas Ferrari-Alfa guiadas por Giuseppe Farina e Antonio Brivio terminaram em nono e décimo respectivamente, uma volta atrás.

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