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| » » » 07.07.06 |
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| Neubauer, o organizador |
07.07.06 |
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Neubauer, o organizador
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| Capa do livro de Monkhouse |
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Em mais este capítulo de Motor racing with Mercedes-Benz, George Monkhouse conta o que viu ao visitar o departamento de corridas da Mercedes, em Stuttgart.
Carlos Chiesa
As modernas corridas de automóvel tornaram-se uma ciência específica, uma vez que, para um fabricante de automóveis construir carros de corridas bem sucedidos, é essencial ter uma equipe de especialistas a seu serviço. Isto inclui engenheiros e desenhistas, para os projetos e especificações das várias partes do carro, metalurgistas com íntimo conhecimento de aços e ligas leves de metal, físicos com experiência em termodinâmica, químicos orgânicos para resolver problemas de combustível e óleo, e finalmente, um engenheiro aeronáutico para o desenho da aerodinâmica da carroceria. Uma organização separada mas igualmente especializada também é necessária para controlar a corrida propriamente dita.
A pessoa encarregada de todas as atividades de corridas da Daimler-Benz e também do Departamento Experimental, no qual trabalham nada menos do que 400 empregados, é o Diretor Max Sailer. É ele que decide a política de corridas da Mercedes, as corridas em que irá competir, e o método geral de atacar a questão. Ele não tem um conhecimento puramente teórico do assunto, porque teve uma carreira invejável no automobilismo.
No passado, Sailer era um dos mais rápidos pilotos em atividade e, embora não tenha vencido muitas corridas, freqüentemente marcava a volta mais rápida. No famoso Grand Prix da França de 1914, no qual a Mercedes levou o primeiro, segundo e terceiro lugares, Sailer tinha uma Mercedes especialmente preparada, com a qual liderou a corrida por bastante tempo, até que uma barra quebrada o obrigou a abandonar.
Mais recentemente, em 1921, Sailer decidiu correr com um Mercedes de turismo na Targa Florio, e foi de Stuttgart até a Sicília dirigindo esse carro. Com as condições da Alemanha depois da guerra e considerando o estado das estradas italianas naquela época, foi uma façanha. Sailer aparentemente se deu conta da dureza da tarefa, pois fez questão de reunir toda a família antes de partir, para tirar uma fotografia. Não apenas chegou até a Sicília, como ganhou na categoria carros-esporte, terminando em segundo na classificação geral. E voltou dirigindo até Sttutgart!
Para lidar com a organização de corridas propriamente dita, Sailer conta com Alfred Neubauer. Sem sua portentosa figura nenhuma corrida na Europa estaria completa. Neubauer é o típico alemão de coração grande e um apreciador inveterado de boa comida - em grande quantidade.
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| Neubauer nos boxes da equipe Mercedes |
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Como gerente de competições, ele é o responsável por receber os carros do Departamento Experimental para usar nas corridas. Desse momento em diante, é Neubauer que tem que cuidar de tudo. Os diretores tinham decidido em quais corridas a Mercedes deveria competir no ano seguinte. Neubauer então tinha que cuidar de todos os detalhes, que vão desde verba, transporte para os carros de corrida, pilotos, os passes para estes e a extremamente complicada burocracia para as alfândegas, que incluía toda a equipe, bem como hospedagem em hotéis para pilotos, mecânicos, cronometristas, fotógrafos e o médico.
Acredite, era um trabalho e tanto! Durante a temporada de 1937, Neubauer cuidou de todos esses itens para a Mercedes-Benz em 12 corridas internacionais, que tiveram lugar em diferentes partes do mundo, incluindo Trípoli, no norte da África, Avus, em Berlim, Pescara, na costa italiana do Adriático, Donington, na Inglaterra, e a Vanderbilt Cup, em New York, tudo num espaço de seis meses.
Durante os treinos Neubauer faz copiosas anotações a respeito da performance de cada carro. Isso é passado para os mecânicos-chefe, Zimmer e Lindenmaier, que são os responsáveis por quaisquer alterações ou ajustes nos carros. Neubauer deve decidir, com base nos tempos dos testes e treinos, se será ou não necessário para a equipe Mercedes usar táticas especiais durante a corrida, bem como planos de ação. Informações são passadas aos pilotos por meio de sinais, basicamente usando uma larga prancha branca, com o nome do piloto escrito, sua posição na corrida e mais alguma coisa que Neubauer queira dizer a ele. Se Neubauer quer que o piloto vá mais depressa, sua bandeira rubronegra é mostrada acima da prancha; se aparece embaixo, é para o piloto diminuir o ritmo.
A meticulosa supervisão de Neubauer sobre pilotos, mecânicos, carros e equipamento, e sua capacidade de organização é refletida no grande número de vitórias que a Mercedes conseguiu durante sua associação com a Daimler-Benz como gerente de corridas.
No passado, somente em raras ocasiões o pessoal técnico do Departamento Experimental realmente ia com os carros de corrida às corridas. Foi no final da temporada de 1936 que a Mercedes decidiu que essa política era errada e que no futuro o chefe do Departamento Experimental deveria realmente acompanhar os carros às corridas.
Esse chefe era Uhlenhaut, o responsável por construir e testar os carros vindos do Departamento de Projetos. O interessante a respeito de Uhlenhaut é que ele não apenas sabia tudo a respeito de desenhar e construir carros de corrida, mas também era perfeitamente capaz de dirigi-los em alta velocidade, o que é mais do que pode ser dito a respeito de qualquer projetista de Grand Prix da atualidade.
Uhlenhaut frequentemente punha seus óculos de proteção, pulava para o banco do piloto e saia rugindo pelo circuito a uma tremenda velocidade durante os testes, apenas para verificar por si mesmo que os carros estavam funcionando adequadamente.
A Mercedes freqüentemente usa o ramal Bruchsal da autoestrada Frankfurt-Darmstadt para testar seus carros, uma vez que fica bem perto de Stuttgart.
Um dia, Uhlenhaut estava andando a cerca de 290 km/h nesse trecho, num dos carros de corrida, quando, para seu espanto e horror, um cavalheiro saiu direto de um dos estacionamentos para entrar na frente dele. Felizmente Uhlenhaut manobrou para escapar. Eu perguntei a ele o que tinha dito ao motorista e ele me disse que o tempo que ele levou para se recobrar do susto e conseguir por o carro novamente em linha reta já o tinham levado 8 km à frente!
O mais excitante passeio de carro que fiz foi quando fui com Uhlenhaut de Monte Carlo a Augustine Temple por uma estrada de montanha, com sua miríade de curvas em grampo. O pequeno Mercedes de 1,7 litro, cujo desenvolvimento Uhlenhaut tinha sido pessoalmente responsável, pareceu andar o tempo todo em duas rodas!
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| Caracciola vence a Mille Miglia de 1931 |
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Desnecessário dizer que a equipe Auto-Union tinha um departamento de corridas semelhante, dirigido pelo Dr. Feureisen, tendo Sebastian como seu assistente. Sebastian, naturalmente, tinha uma valiosa experiência em automobilismo, por ter sido mecânico - no tempo em que este ia ao lado do piloto - de Caracciola, tendo sido seu companheiro na famosa Mille Miglia de 1931, a qual Rudi venceu com uma Mercedes SSK.
O projetista do Auto-Union original tinha sido o renomado Dr. Porsche, o qual tinha agora retornado à Daimler-Benz como consultor. Recentemente, todavia, Eberan von Eberhorst tinha acompanhado os carros da Auto-Union como responsável técnico.
(do livro Motor racing with Mercedes-Benz, de George Monkhouse)
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