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Pioneiros da caneta e do microfone <%=strData%>
Uma das boas coisas que o advento da Fórmula 1 trouxe ao Brasil foi a criação de uma responsável e competente geração de jornalistas de automobilismo esportivo. Ela surgiu junto com o início das corridas em Interlagos e foi se especializando ao longo dessas três décadas. Se há quem mereça o reconhecimento por ter participado diretamente da formação desse núcleo de imprensa, esses são Luis Carlos Secco e Janos Lengyel.

O velho e bom Secco continua na ativa, com uma assessoria de imprensa própria, atuando principalmente no setor de autopeças. Janos morreu há quase 20 anos, depois de cobrir a primeira corrida de Fórmula 1 em seu país natal, a Hungria, em 1986. 

Secco foi o primeiro responsável pelas informações que vinham da Europa, onde um então jovem e desconhecido piloto começava a impressionar: Emerson Fittipaldi. Da Inglaterra, Emerson fazia ligações semanais, quase sempre aos domingos, contando suas experiências na pistas européias. Nessa época, Luis Carlos Secco já era um competente jornalista que cobria a indústria automobilística nacional e era freqüentador assíduo da pista de Interlagos. Ao lado do fotógrafo Oswaldo Luiz Palermo, o Vadeco, já cobria as provas internacionais realizadas no autódromo de Buenos Aires.
Emerson no GP da Alemanha de 1970, época das ligações noturnas para Luis Carlos Secco.

Com Luis Carlos Secco, comecei a cobrir as corridas em Interlagos para o Jornal da Tarde. Em seguida vieram Reginaldo Leme, na época repórter de O Estado de S. Paulo, e, pouco depois, Luis Fernando Silva Pinto, o “Paquinha”, estagiário no Jornal da Tarde – fanático por automobilismo, colecionador compulsivo de revistas como Quatro Rodas e Auto Esporte. Hoje, ele é correspondente da Rede Globo de Televisão em Washington.

Quase ao mesmo surgiram Nivaldo Nottoli, do antigo e extinto Diário de São Paulo, dos Diários Associados; Charles Marzanasco Filho, da Gazeta Esportiva, hoje assessor da Senna Import; Roberto Ferreira, Fernando Calmon, Lemyr Martins, Marco Antonio Lellis (que, durante certo período, foi responsável pelo credenciamento da imprensa no GP do Brasil de Fórmula 1), o excelente profissional Cecílio Favoretto, já falecido, da Agência Folhas, entre outros. Todos, de uma maneira ou de outra, aprenderam com Luis Carlos Secco. Assim como o repórter especial Ricardo Kotscho, ex-gerente de comunicações do Governo Lula. Kotscho apaixonou-se pela Fórmula 2 quando acompanhou a turnê sul-americana de 1971, começando em Interlagos e terminando em Cordoba, na Argentina. “Um super-herói de verdade” foi o título que o próprio Kotscho escolheu para um longo perfil que escreveu do piloto Emerson Fittipaldi, antes mesmo de seu primeiro título mundial. Em outros estados, Sérgio Rodrigues (Jornal do Brasil, Rio de Janeiro) e Joyce Larronda (no Zero Hora, de Porto Alegre) seguiram caminhos semelhantes. Os dois jornais, a partir daí, investiram bastante no automobilismo. Na área das emissoras de rádio, o “Barão” Wilson Fittipaldi, ex-piloto de moto, ex-criador das Mil Milhas Brasileiras, primeiro narrador a transmitir uma corrida internacional (uma prova com Chico Landi, em Bari, na Itália, em 1949) pontificava sozinho. 

Ainda na primeira metade da década de 1970, apenas dois jornalistas brasileiros podiam se dar ao luxo de serem membros da então poderosa IRPA (International Racing Press Association): o “Barão” e Reginaldo Leme. Outro que possuía a braçadeira de couro vermelho da IRPA era Janos Lengyel, húngaro de nascimento, brasileiro naturalizado desde a década de 1950. Lengyel voltou para a Europa nos anos 1960 como correspondente de O Globo em Genebra onde tinha um escritório no edifício da ONU, e realizou trabalhos incríveis como entrevistas com os Beatles (isso em plena Beatlemania), com o astronauta soviético Yuri Gagarin, com líderes mundiais, com o Papa. Suas reportagens foram compiladas em um livro há muito tempo esgotado, chamado “Do Enviado Especial”. A partir da década de 1970, Janos começou a cobrir regularmente as corridas de Fórmula 1 na Europa para O Globo e a assessorar as transmissões da Rede Globo, primeiro com Luciano do Valle e depois com Galvão Bueno.
São raros os jornalistas brasileiros que não receberam algum tipo de ajuda de Janos Lengyel nas coberturas internacionais. Além do português e do húngaro, Janos falava fluentemente inglês, francês, italiano e alemão. Quebrava todos os galhos – desde a tradução de boletins até a eterna briga por credenciais. Era bem humorado, culto, divertido e prestativo. Nesse período, Janos afeiçoou-se muito a um piloto brasileiro: Nelson Piquet, para ele um verdadeiro gênio. “Ele é excelente na pista, sabe acertar o carro com perfeição e tem uma ironia que eu invejo”, disse Janos, mais de uma vez. 
Nelson Piquet, o piloto preferido do húngaro-brasileiro Janos Lengyel.

Em maio de 1986, Janos acompanhou um grupo de jornalistas brasileiros ao circuito de Hungaroring, perto de Budapeste, que ainda não estava terminado. Dois meses depois estava no México, cobrindo a Copa do Mundo. Em agosto, depois de sofrer um ataque cardíaco em Budapeste, na semana do GP da Hungria, voltou para Genebra onde acabou morrendo. No GP do Brasil de 1987, realizado em abril, a sala de imprensa do autódromo de Jacarepaguá ostentava seu novo nome: Janos Lengyel.
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