Sessão Convidados
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
15.12.08 - Luis Fernando Ramos
Viva a crise
12.12.08 - Alessandra Alves
Carta ao editor
10.12.08 - Roberto Agresti
Soichiro triste
19.12.08 - Eduardo Correa
O site é de vocês, leitores!
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini
Micos brasileiros III
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Convidados » Ivan Capelli » 05.10.07
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Persevera e triunfarás 05.10.07


Antes de começarem os rumores e os escândalos de espionagem na Fórmula 1 em 2007, a pauta do dia versava sobre Lewis Hamilton. O inglesinho de origem humilde, neto de um motorista de ônibus em Granada e primeiro negro a competir na categoria surpreendeu o mundo com uma longa seqüência de pódios no começo da temporada, que culminou na primeira vitória logo em seu sexto GP disputado, no Canadá.

Mas a precocidade de Hamilton não é uma tendência, pelo contrário. O que se revela é que a primeira vitória na Fórmula 1 está demorando cada vez mais. Reflexo disso é a lista de pilotos que mais levaram tempo para vencer na categoria, que apresenta no topo quatro pilotos que estão em atividade atualmente: Rubens Barrichello, Jarno Trulli, Jenson Button e Giancarlo Fisichella. Vitórias essas que foram sofridas não só pelo tempo de espera, mas também pelas condições especiais em que ocorreram. Com exceção de Trulli, que largou na pole e liderou quase que de ponta a ponta o GP de Mônaco de 2004, todas as demais aconteceram em corridas atribuladas, chuvosas e recheadas de surpresas.

Raikkonen premia Fisichella, em cerimônia improvisada em Imola
Fisichella já estava na Fórmula 1 desde 1996 até vencer o GP do Brasil de 2003. Neste período de sete anos, teve algumas possibilidades de vitória - a maior delas no chuvoso GP da Europa de 1999, quando rodou assim que assumiu a liderança -, mas a primeira conquista veio num momento totalmente inesperado. Depois de quatro temporadas infrutíferas na Benetton, o romano já estava no segundo ano guiando pela decadente Jordan, que havia acabado de perder os motores Honda. Com um carro fraco que não raro largava das últimas posições do grid, Fisichella fazia uma surpreendente corrida na pista úmida de Interlagos. Chegou a ultrapassar a McLaren de Kimi Raikkonen quando o finlandês errou uma freada e, neste momento, assumiu circunstancialmente a liderança da corrida, já que pararia nos boxes na volta seguinte. Quis o destino, porém, que aquela liderança não fosse tão circunstancial assim. Mark Webber bateu na curva do Café, Fernando Alonso escorregou nos destroços e estampou a barreira de pneus, jogando sujeira em toda a pista. A corrida foi encerrada e, graças ao acaso, Giancarlo foi declarado vencedor em sua 110ª participação na Fórmula 1. Porém, não teve a honra de subir ao alto do pódio. Uma trapalhada da cronometragem não considerou válida a volta em que Fisico passou em primeiro e a vitória foi atribuída ao segundo colocado, Kimi Raikkonen. Apenas uma semana depois o resultado foi revisto e Fisichella pôde comemorar seu primeiro triunfo. Em Imola, na etapa seguinte, Raikkonen devolveu o troféu ao italiano numa cerimônia improvisada. Foi a última conquista da equipe Jordan.





A vitória inaugural de Jenson Button, sua única até aqui, também teve uma certa dose de drama, mas foi bem menos casual que a de Fisichella. Nem o fã mais ardoroso do inglês acreditaria num grande resultado naquele GP da Hungria de 2006, sabendo que Button sairia de um distante 14º lugar naquele apertado traçado de Hungaroring. Porém, contra todo e qualquer prognóstico, choveu antes da largada, situação inédita em 20 anos de corridas magiares. A prova começou com Kimi Raikkonen liderando e Fernando Alonso, saído da 15ª posição, fazendo ultrapassagens sensacionais. Ao término da segunda volta, já era o quinto colocado. Atrás dele, sem tanto destaque, Button vinha ganhando terreno também. Na sétima volta, Alonso era o segundo, com o inglês em quarto. Quando Raikkonen bateu com o retardatário Liuzzi e abandonou, o espanhol assumiu a liderança e Button, o segundo lugar. O acidente do finlandês obrigou a entrada do Safety Car e, com as distâncias entre os primeiros zeradas, o inglês ficou em ótima situação. Parou para seu segundo pit stop antes de Alonso e começou a descontar a diferença rapidamente. Quando o espanhol parasse, certamente assumiria a ponta. Mas nem foi necessário. A equipe Renault apertou mal a porca que prendia a roda traseira esquerda, forçando Alonso a abandonar. O caminho ficou livre para a primeira vitória de Jenson Button, em sua 113ª corrida, a primeira da Honda como construtora em 29 anos.

Coulthard e Hakkinen erguem o vencedor Barrichello num pódio emocionante.
Mas nenhuma vitória inaugural foi cercada de mais emoção e drama do que a de Rubens Barrichello. Não por acaso, também foi a que mais demorou em toda a história: 123 corridas. Barrichello teve problemas na classificação e foi obrigado a largar da 18ª posição no GP da Alemanha de 2000, em Hockenheim. Começou a corrida ultrapassando todo mundo que via pela frente e ainda teve uma certa dose de sorte: Fisichella abalroou Michael Schumacher na largada, eliminando o alemão da prova. Com seu companheiro de equipe fora, o brasileiro estava livre para correr pela vitória. A tarefa não era fácil, mas Rubens executava ultrapassagens sem parar, aproveitando a força de seu motor Ferrari nas longas retas da Floresta Negra e deixando os adversários para trás com manobras precisas nas chicanes do antigo traçado. O resultado era notável: na sexta volta, já ocupava a quinta posição. Quando atingiu o terceiro posto, na 26ª volta, estava a mais de 30 segundos das McLaren de Coulthard e Hakkinen, com remotas chances de vitória. Eis que então um ex-funcionário da Mercedes Benz, descontente com sua demissão, invade a pista para protestar contra a montadora e interrompe a corrida, entrando o Safety Car. Com a vantagem das McLaren anulada, o brasileiro virava candidato à vitória. Candidatura que ganhou força assim que começou a chover sobre o autódromo, a 11 voltas do final. Enquanto todos paravam para colocar pneus de chuva, Barrichello arriscou em permanecer na pista com pneus para seco. Hakkinen, mais bem calçado para a tormenta que despencava do céu, vinha tirando a diferença, enquanto o brasileiro mantinha-se na ponta com dificuldades. Com muita perícia, suportou o assédio e cruzou a linha de chegada em primeiro. No pódio, lágrimas do vencedor, acompanhadas de gestos simpáticos dos adversários. Um dos mais belos momentos da história da Fórmula 1.



Vitórias belas, épicas, mas que não garantiram a seus protagonistas um futuro promissor. Nenhum deles tornou-se um vencedor contumaz a partir delas, sendo Barrichello o maior expoente dos quatro, conquistando mais oito vitórias esparsas no restante da carreira. Mas alguns dos grandes nomes da Fórmula 1 também demoraram a vencer. E os que mais tempo ficaram na fila foram Mika Hakkinen e Nigel Mansell.

Hakkinen levou 96 corridas para ganhar pela primeira vez, no GP da Europa de 1997. Mas foi uma vitória esquisita, obtida a partir de um acordo com a Williams. A McLaren combinou de auxiliar Jacques Villeneuve na luta contra Michael Schumacher e a Ferrari. Em contrapartida, a Williams se comprometia a ceder a vitória caso o título já estivesse garantido. Schumacher jogou o carro sobre Villeneuve, se deu mal e abandonou a corrida. O canadense precisava, então, apenas de um quinto lugar para garantir o título. Liderando a corrida, com Hakkinen em segundo e Coulthard em terceiro, Villeneuve abriu para a ultrapassagem dos carros prateados na última volta. Tudo nitidamente combinado, já que o finlandês era apenas o terceiro algumas voltas antes, tendo superado o companheiro Coulthard com facilidade, numa manobra aparentemente autorizada pelo rádio.

Curiosamente, a primeira vitória “de verdade” de Mika Hakkinen seria somente a sua terceira, no GP do Brasil de 1998, pois a segunda também foi cedida. Na Austrália, primeira corrida de 1998, a McLaren se atrapalhou ao chamar o finlandês para um pit stop sem estar preparada e o fez passar reto pelos boxes, perdendo a ponta para o companheiro Coulthard. Para compensar o erro, a equipe solicitou que as posições fossem invertidas e o escocês prontamente devolveu a liderança a Hakkinen. Quebrada a barreira da vitória, o finlandês partiu para o bicampeonato mundial em 1998 e 1999, conquistando 20 vitórias em cinco temporadas.

Depois de muita luta, Mansell vence a primeira, em casa. Brands Hatch/1985
Nigel Mansell, o carismático Leão, venceu apenas depois de 72 tentativas, embora tenha chegado muito perto no GP de Mônaco de 1984, com a Lotus. Liderava com autoridade e destemor debaixo de um temporal, mas rodou, bateu e abandonou. Já na Williams, em 1985, deslanchou. E foi diante de sua torcida, no GP da Europa em Brands Hatch, que subiu ao alto do pódio pela primeira vez. Venceu com certa tranqüilidade, assumindo a liderança logo no começo, para não mais perder. Dali para frente, foram mais 30 vitórias e um título mundial, em 1992, fazendo do Leão um dos mais duros adversários dos anos 80.





A trajetória de Mansell serve como exemplo de determinação e superação. Depois de se ver por baixo em cinco temporadas complicadas na Lotus, derrotado facilmente pelo companheiro Elio de Angelis, o inglês encontrou na Williams um ambiente mais propício para que pudesse mostrar todo o seu talento. Uma trajetória que pode servir de espelho para o alemão Nick Heidfeld. Diferentemente de Mansell, Heidfeld normalmente bateu seus companheiros, mas nunca conseguiu espaço numa grande equipe. Já se viu sem emprego na Fórmula 1, saindo da Jordan em 2004 e ingressando na Williams no ano seguinte depois de um “vestibular” contra Antonio Pizzonia. Agora, na BMW - assim como Mansell na Williams -, vive a melhor fase da carreira e sua primeira vitória não deve tardar. Vitória que será recorde quando acontecer: Heidfeld já disputou 130 corridas e se transformará naquele que mais demorou a vencer em toda a história, relegando Barrichello a um irônico segundo lugar.

Ivan Capelli

LINK PARA BLOG DO CAPELLI

Piloto

GPs até a 1ª vitória

Rubens Barrichello

123

Jarno Trulli

117

Jenson Button

113

Giancarlo Fisichella

110

Mika Hakkinen

96

Thierry Boutsen

95

Jean Alesi

91

Eddie Irvine

82

Nigel Mansell

72

Johnny Herbert

71

Riccardo Patrese

71

Ralf Schumacher

70

Patrick Depailler

69

Felipe Massa

66

Alessandro Nannini

61

 



 Leia mais colunas de Capelli | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação