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Briga de gente grande 18.07.08


(Com a colaboração de Kiko Barros)

O Porsche 911 Carrera RS de Mark Donohue/George Follmer, maior adversário dos vencedores.
Fevereiro de 1973. Entre os 53 carros inscritos na 24 Horas de Daytona, prova de abertura do Campeonato Mundial de Marcas, encontram-se protótipos de fabricantes como Matra-Simca, Gulf-Mirage (estes, equipados com motores Cosworth iguais aos usados na Fórmula 1), Lola e Chevron, além de carros esporte como Porsche, Ferrari e Corvette.

A Porsche estava desfalcada dos protótipos 917, vencedores em Daytona em anos anteriores: eles foram banidos após a prova de 1971, devido a uma mal explicada mudança nos regulamentos. Em 1972, ela lançou o 911 Carrera RS, versão de rua claramente idealizada para competições de alto nível. Dois deles foram inscritos pelas equipes Brumos Porsche (para Peter Gregg, dono do time, e Hurley Haywood) e Penske Racing (para Mark Donohue/George Follmer). Brumos e Penske já eram rivais nos campeonatos da Can-Am e da SCCA (carros esporte) e tinham a mesma pretensão: vencer na categoria e alcançar uma colocação expressiva na classificação geral.

Pôster promocional da Porsche alusivo à vitória de Gregg/Haywood na 24 Horas de Daytona de 1975 - Clique para ampliar
Seis horas após a largada, os protótipos estavam fora da luta pela vitória. Isso transformou a corrida em uma disputa particular entre os dois Carrera RS. Na 15ª hora, o carro da Penske abandonou por falha no motor. Gregg/Haywood ficaram tranqüilos na liderança: na última hora, a diferença sobre o segundo colocado (um Ferrari Daytona pilotado pelo francês François Migault e pelo estadunidense Milt Minter) era superior a 20 voltas. Isso motivou um representante da Classic Car Wax, marca de ceras automotivas que patrocinava a prova, a procurar a Brumos e sugerir lavar e encerar o carro durante a última parada de box. Gregg, também chamado de “Peter Perfeito” devido ao esmero na preparação de seus carros e ao se trajar para qualquer ocasião, optou pela prudência e gentilmente recusou a oferta. Em seguida, entrou no cockpit do Carrera RS para fazer o turno final. Gregg/Haywood venceram com 22 voltas de vantagem sobre a Ferrari de Migault/Minter.

Gregg recebeu a bandeirada e colocou entre as lendas do automobilismo o visual dos Porsche da Brumos: branco com faixas em vermelho e azul, quase sempre com o número 59. “Esta vitória coroou um trabalho de muitos anos. E foi ótimo ficar à frente da Penske: eles eram ricos e famosos, e desde o começo achamos que seria legal derrotá-los...”, lembraria anos depois.

Em 1974, a 24 Horas de Daytona não foi disputada. Assim como aconteceu com o Rali de Monte Carlo, a prova foi cancelada devido às incertezas iniciais causadas pela crise do petróleo deflagrada no final de 1973. A corrida voltou em 1975 e a bandeirada final foi um flash-back de dois anos antes: o Porsche de Gregg/Haywood, com visual idêntico ao de 1973, venceu novamente. Dos 18 primeiros colocados, apenas três não eram Porsche.

Peter Gregg/Hurley Haywood: no último pit stop, foi-lhes oferecida lavagem e enceramento do Porsche
Peter Gregg conquistou vitórias e títulos até 15 de dezembro de 1980, quando cometeu suicídio. Aparentemente, Gregg descobriu que sofria de uma doença degenerativa do sistema nervoso e teria preferido pôr fim à vida antes que sua capacidade física fosse degradada. Pouco tempo antes, havia se casado com Debora Gregg, ela própria piloto de automobilismo. Débora manteve a Brumos em atividade com a ajuda de Haywood. Este, por sua vez, fez uma vitoriosa carreira internacional, vencendo a 24 Horas de Le Mans em 1977, 1983 e 1994. Em 1986, ganharia mais uma vez em Daytona.

(Versão revista e ampliada de texto publicado na edição número 23 da revista Clubnews, do Porsche Club Brasil. Veja mais em www.porsche.com.br)

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