Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
17.12.08 - Ricardo Divila
Ingo, grande Ingo
Grande respeito!
01.12.08 - Ernesto Rodrigues
Lastro ou nitro?
Bate neles, Rubinho!
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Luiz Alberto Pandini » 30.06.06
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Viva Ingo 30.06.06


A primeira corrida da vida de Ingo, em uma prova de Estreantes e Novatos, em 1972. Com o Fuscão número 22, saiu em 47º em um grid definido por sorteio. E terminou em sétimo.
Um dos pilotos por quem tenho mais profunda admiração é Ingo Hoffmann. Dizer que ele guia uma barbaridade é óbvio demais: 12 títulos na Stock Car, vários outros em diversas categorias, vitórias em provas de Fórmula 3 e Fórmula 2, além de ter chegado à Fórmula 1. Nos últimos anos, já cinqüentão, descobriu uma nova paixão: o rali, onde também tornou-se um vencedor.

Quem o conhece apenas pelo contato nos boxes nos finais de semana de corrida pode ter uma idéia bastante deturpada a seu respeito. Concentrado, sério, um semblante que a muitos desencoraja a aproximação. Confesso que, em meus primeiros tempos como jornalista novato ("foca", no jargão das redações), eu me sentia intimidado. Rapidamente, percebi que tal aparência era muito mais um reflexo do profissionalismo de seu trabalho que um jeito pessoal de ser. A aproximação no momento certo ? de preferência após a última reunião técnica com a equipe, qualquer que tenha sido o resultado do treino ou da corrida ? revela um piloto que tem muito a dizer ? e diz. Um bate-papo em situações descontraídas revela uma pessoa bem humorada, disposta a uma piada, de bem com a vida.

Ingo no March-BMW da equipe de Ron Dennis em 1978. Com ele, venceu uma corrida de Fórmula 2 disputada em Buenos Aires.
Foi Ingo o primeiro piloto brasileiro a sair da Fórmula 1 e reconstruir sua carreira no Brasil. Antes dele, muitos achavam que quem não vencesse no automobilismo europeu estaria condenado a parar de correr e passar a viver apenas de lembranças. Na década de 1970, o automobilismo nacional tinha várias boas categorias (talvez mais do que hoje) e algumas equipes e pilotos que, para os padrões da época, podiam ser chamados de "profissionais". Todos, entretanto, tinham em comum o fato de terem construído reputação por aqui mesmo ? havia apenas um ou outro piloto com passagem breve pelo automobilismo de fora. Casos como os de Wilsinho Fittipaldi e José Carlos Pace, que disputaram provas de Turismo no Brasil quando já estavam na F 1, também não podem ser comparados com o de Ingo: os dois primeiros o fizeram quando estavam em plena atividade na F 1. Ingo, em 1979, veio para cá e recomeçou sua carreira praticamente do zero.

Com o Fittipaldi FD-04 no GP da Argentina de 1977.
Em 1979, poucos meses após obter sua primeira (e única) vitória na Fórmula 2, Ingo viu-se sem patrocínio. Era um dos pilotos da Project Four Racing, a equipe de Ron Dennis, mas a falta de dinheiro tornava nulas as perspectivas de continuar correndo na Europa. Tinha contrato assinado com a Fittipaldi para correr na F 1, mas nessa altura a equipe corria com apenas um carro, para Emerson, e não havia perspectiva de inscrever outro. De cabeça erguida, voltou ao Brasil e passou a correr na Stock Car e em outras categorias de turismo. De lá para cá, conquistou cerca de 15 títulos nacionais - já havia obtido dois, em 1973 e 1974, na Divisão 3.

O sorriso de um vencedor.
Emerson Fittipaldi é, com justiça, apontado como o desbravador do automobilismo europeu aos pilotos brasileiros na década de 1970 ? papel que ele teria anos mais tarde nos Estados Unidos. A Ingo, coube uma outra missão: ser o desbravador do automobilismo brasileiro para os próprios pilotos brasileiros que, por uma razão ou outra, não deram continuidade às suas carreiras internacionais.

Hoje, a Stock Car tem Chico Serra, Raul Boesel, Luciano Burti, Christian Fittipaldi, Giuliano Losacco, Hoover Orsi, Ricardo Maurício, Nonô Figueiredo e vários outros que tentaram um lugar ao sol no exterior. Quem abriu esse caminho foi Ingo, 27 anos atrás, ao chegar a Guaporé e, com apenas um mecânico, tentar acertar um Chevrolet Opala cuja competitividade estava muito aquém dos pertencentes às equipes mais estruturadas da Stock Car.

Neste domingo, Ingo completa 300 corridas disputadas na Stock Car. Considerando as que já fez em outras categorias, não é delírio pensar em um número total próximo de mil. Vitórias? Só na Stock, foram quase 70. Parar?
Na Stock Car, os recordes: 12 títulos nacionais, um regional Rio/São Paulo e 67 vitórias.
Pelo jeito, isso nem passa pela cabeça dele. Sorte do público. Um brinde, Ingo!





Há pouco mais de um ano, Ingo lançou-se à construção de um local projetado para abrigar crianças carentes com câncer. "Desejo com isso retribuir um pouco do muito que a vida me reservou", afirma no site do Instituto Ingo Hoffmann . Vale uma visita.

 Leia mais colunas de Pandini | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação