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| 13.11.08 |
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| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 18.12.08 |
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| 05.12.2008 |
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| Pergunte ao GPTotal |
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17.12.08 - Ricardo Divila |
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01.12.08 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 28.04.06 |
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| O piloto de todos os recordes |
28.04.06 |
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| Michael Schumacher em foto de campanha publicitária do Instituto Ayrton Senna. |
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E aconteceu o que já era esperado. O recorde de 65 pole positions, durante anos considerado imbatível, foi derrubado. Uma conseqüência absolutamente natural do curso da história: poucos chavões estão tão "batidos" na crônica esportiva quanto "os recordes existem para serem superados". Schumacher, entretanto, conseguiu algo que um piloto não conseguia na Fórmula 1 desde os tempos de Juan Manuel Fangio: possuir simultaneamente os recordes de títulos, vitórias, pole positions e melhores voltas.
Pentacampeão, o argentino manteve-se na frente em número de títulos até ser superado por Schumacher em 2003. O recorde de vitórias de Fangio (24, estabelecido em 1957) foi batido por Jim Clark em 1968 (25), e em seguida por Jackie Stewart (1973, 27 vitórias), Alain Prost (superou Stewart em 1987 e se retirou da F 1 em 1993 com 51 vitórias) e finalmente por Schumacher (52 vitórias em 2001 e atualmente detentor de 85 triunfos). Quanto às poles, Fangio foi o primeiro grande recordista, com 29 (atingidas em 1958). Clark superou-o em 1967 (chegou a 33 em 1968). Depois viriam Senna (34 em 1989, chegou a 65 em 1994) e, agora, Schumacher. A quebra do recorde de melhores voltas teve a seguinte seqüência: Fangio (23), Clark (28), Prost (41) e Schumacher (69).
Ou seja: desde a segunda metade dos anos 60, os recordes mais importantes da F 1 ficaram divididos entre dois ou mais pilotos. Até que apareceu Schumacher para "reunificar" todos. Quanto tempo vai demorar para que algum deles tenha novo dono?
A quebra do recorde de poles foi mais uma oportunidade de ouro para alguns reiniciarem a chatíssima discussão "Schumacher x Senna" - como se Fangio, Clark, Ascari, Brabham, Graham Hill, Stewart, Fittipaldi, Lauda, Piquet, Prost e outros nunca tivessem existido. Além de chata, a discussão é estéril porque, quando se trata de preferência esportiva, qualquer opinião leva em conta a preferência pessoal e a vivência de cada um.
Aqui no Brasil, durante décadas o ídolo maior foi um italiano, Carlo Pintacuda, marcante vencedor do GP da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea, em 1937. Não importava que na Europa ele fosse um corredor mediano, desses que venceram algumas corridas importantes mas nunca se colocaram entre os grandes. Aqui, ele virou lenda, sinônimo de grande piloto, a ponto de ser homenageado na letra de uma marchinha de carnaval.
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| Camilo Christofaro: em São Paulo, o ídolo era ele, e não Clark. |
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Mais tarde, São Paulo passou a ter outro ídolo: Camilo Christofaro. Sua torcida começava no Canindé (bairro paulistano onde ficava sua oficina) e se espraiava pela cidade. Na era pré-Fórmula 1 na TV, Camilo era o rei: sua torcida comparecia em peso a Interlagos para torcer pelo "Lobo do Canindé". Nessa mesma época, os portugueses batiam palmas para o conterrâneo Nicha Cabral. Não importa que ele tenha disputado poucos GPs de Fórmula 1 e obtido resultados discretos: Cabral "ganhou" sua torcida pelo que fez nos circuitos de Portugal, Angola e Moçambique, e por ter ido mais longe no automobilismo internacional do que qualquer um de seus conterrâneos o fez até a década de 1980.
Alguém poderia dizer que os torcedores de Pintacuda e Camilão estavam errados por não darem preferência a Tazio Nuvolari ou Jim Clark, por exemplo?
É uma pena que, para uma diminuta mas barulhenta parcela de torcedores de Ayrton Senna, a 66ª pole position de Schumacher tenha sido um acontecimento trágico, recebido quase como se Senna tivesse morrido em Imola pela segunda vez. Imediatamente pipocaram os "argumentos" de sempre, e o mais cretino de todos é "o alemão precisou de muito mais GPs para conseguir uma pole a mais do que Senna". Nos devaneios de alguns, esta é a prova definitiva de que Schumacher "não guia tudo isso", "é uma farsa" e etc.
Cuidado, rapazes e moças. Primeiro, porque, ao fazerem questão de lembrar do "número de GPs que Schumacher disputou antes de chegar ao recorde de poles", vocês estão realçando a importância dos números, e não diminuindo-a. Segundo, leiam este Pergunte ao GPtotal publicado em 2004 e constatem que, em 161 GPs, o alemão conquistou mais títulos mundiais e mais vitórias do que Senna conseguiu. Constatem também que boa parte dos "argumentos" brandidos por vocês servem para mostrar que Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi foram melhores que Ayrton Senna. É isso que vocês querem?
Quem disser que que o alemão "só venceu porque contou com o melhor carro" vai ouvir que Senna, em seus melhores anos, também teve o melhor carro da temporada. Schumacher conseguiu pelo menos dois títulos mundiais em temporadas nas quais havia carros no mínimo tão bons quanto o seu. Quantos campeonatos foram ganhos por Senna em anos nos quais ele "não tinha o melhor carro"?
"Falta de adversários"? Alonso, Montoya e Raikkonen já foram chamados de "gênios" por vários torcedores que fazem questão de proclamá-los como melhores que Schumacher. O alemão ganhou de todos eles e, em seu começo de carreira na F 1, também derrotou os consagrados Senna, Prost, Piquet e Mansell. Desleal? Lembremos o que fez Senna em Portugal/1988, Hungria/1990 e Japão/1990, para ficar apenas nas corridas que me vêm à memória, e estaremos conversados. Fez corridas medíocres e cometeu erros primários? Sim, como todos os outros grandes campeões que a Fórmula 1 já teve - Senna inclusive.
Em suma: ao tentar desqualificar as conquistas de outros pilotos, tudo o que este tipo de torcedor consegue é empobrecer as façanhas do próprio Senna.
Coloquei em meu blog (www.pandinigp.blogspot.com) um texto sobre o comportamento da RG (aquela emissora de TV que faz seus profissionais chamarem Red Bull de RBR e Toro Rosso de STR) a respeito do recorde de poles de Schumacher. Foi o suficiente para um anônimo (sequer teve coragem de identificar-se) escrever um bestialógico que resume todas as patologias da minoria barulhenta à qual me referi acima.
O tal sujeito parece se importar muito com o que escrevo. Tem o trabalho de acessar meu blog e mandar longos comentários. Entre outras sandices, a viúva anônima (escrevi "viúva" de propósito) afirmou que eu "destilei meu ódio contra Senna". Depois, me desafiou a manter seu ridículo comentário no ar. Apaguei-o no mesmo instante, da mesma maneira que fiz com outra mensagem dessa mesma pessoa. Críticas são válidas e estão lá, mas poupo os leitores do meu blog de lerem lixos perpetrados por lunáticos que enxergam "ódio a Senna" em qualquer idéia contrária às formadas em seus atrofiados cérebros.
Desse tipo de gente, eu só posso ter pena. Abraços a todos. (LAP)
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