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| » » » 22.03.06 |
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| Brabham? Ferrari? Não: Karmann-Ghia Porsche |
22.03.06 |
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| Pace no antigo autódromo do Rio de Janeiro com o Karmann-Ghia Porsche. A pintura azul-escura só seria adotada depois. |
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Reportagem de Jason Vogel publicada no "Diário de S. Paulo" informa: foi encontrado no Rio de Janeiro um dos quatro Karmann-Ghia Porsche que pertenciam à equipe Dacon. O comprador manifestou a intenção de restaurar o carro.
Fiquei muito feliz ao ler esta notícia. A Dacon competiu durante apenas uma temporada e meia (entre 1966 e 1967), mas sua curta permanência foi suficiente para que ela fizesse história e se transformasse em uma das equipes lendárias do automobilismo brasileiro. Entre seus pilotos estiveram nomes como Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Wilsinho Fittipaldi.
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| Wilsinho Fittipaldi e Ludovino Perez em Interlagos, em 1966. Aqui, o carro já tinha as cores azul-escuro e branco. |
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O nome Dacon é bastante familiar em São Paulo. Era uma concessionária Volkswagen que a partir de 1967 passou a deter também a representação da Porsche para o Brasil, e assim funcionou até fechar em 1996. Ficava na avenida Cidade Jardim, bem em frente ao final da avenida Nove de Julho e muito próxima do cruzamento com a avenida Brigadeiro Faria Lima. Mais tarde, anexo à concessionária, foi construído um prédio de escritórios, o edifício Dacon, que se transformou em referência do lugar. "Anexo", por sinal, era o nome do ótimo restaurante que funcionava no mezanino da loja (mas com entrada independente, pela rua). Dependendo da mesa, era possível fazer a refeição contemplando os Porsche em exposição. Com o fechamento da Dacon, a representação da Porsche no País passou para a Stuttgart Sportcar e o local foi ocupado pela AutoHaus, uma mistura de concessionária com espaço cultural devotado à Volkswagen. Segundo Anísio Campos, piloto e estilista que se manteve intimamente ligado à Dacon até os últimos dias, o nome Dacon era a sigla de “Distribuidora de Automóveis, Caminhões e Ônibus Nacionais”.
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| Com o afastamento da Dacon das competições, os Karmann-Ghia Porsche foram comprados por particulares. Este é o de Emerson e Wilsinho Fittipaldi nas 6 Horas de Interlagos de 1967. |
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A “receita” dos Karmann-Ghia Porsche era muito simples: bastava substituir o motor Volkswagen (original do Karmann-Ghia) pelo do Porsche e fazer as devidas modificações em câmbio, freios e suspensões para adequar o carro à maior potência. Paulo Goulart (nada a ver com o ator), proprietário da Dacon, relatou na época que todos os pontos de encaixe “casavam” perfeitamente e que apenas a suspensão exigia adaptações. Para quem não sabe, Ferdinand Porsche foi o projetista do Fusca, na década de 1930, e usou mecânica Volkswagen em seus primeiros carros esporte, no final dos anos 1940. Alguns anos depois, a Porsche passou a fabricar seus próprios motores, mantendo a mesma arquitetura: cilindros contrapostos e refrigeração a ar. Daí a facilidade de instalar mecânica Porsche no Karmann-Ghia e no próprio Fusca.
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| Adesivos dos pilotos da Dacon: a corujinha de Anísio Campos... |
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Os Karmann-Ghia Porsche venceram cinco das dez corridas em que defenderam a Dacon. Com o fechamento da equipe, foram vendidos a particulares (Emerson e Wilsinho compraram um deles) e agora estão sendo recuperados. Um deles, restaurado desde 2000, foi adquirido por um colecionador gaúcho, cujo museu será aberto ao público em breve. Foram construídos quatro carros de corrida (dois com motor de 1.600 cm³ com 120 cv de potência e dois com motor de 2.000 cm³ com 200 cv) e um número indeterminado de Karmann-Ghia Porsche de rua. Alguns Fuscas também receberam motor Porsche na Dacon. (Quem quiser mais detalhes sobre a Dacon, contados pelo próprio Anísio, vai encontrá-los no site www.obvio.ind.br. Foi lá que “pegamos” várias das imagens que ilustam esta coluna.)
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| ...e a tartaruga de José Carlos Pace. |
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Os Karmann-Ghia Porsche não apenas fizeram história como ganharam o coração de seus pilotos. Em 1975, José Carlos Pace já tinha em seu currículo uma vitória na Fórmula 1 (havia vencido o GP do Brasil daquele ano com um Brabham BT44), o segundo lugar na 24 Horas de Le Mans (com uma Ferrari 312 PB) e experiência em esporte-protótipos como o Gulf-Mirage e o Shadow da Can-Am. Perguntado sobre o carro de corrida que mais havia gostado de pilotar, respondeu sem hesitar: “O Karmann-Ghia Porsche”. A preferência conquistada perante tão seleta concorrência mostra como esse carro foi especial.
(LAP)
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