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Gino Bianco: melhor do que se pensa <%=strData%>
A foto mais conhecida de Gino Bianco, o segundo brasileiro a correr na Fórmula 1.
De todos os 27 pilotos brasileiros que participaram de pelo menos um Grande Prêmio de Fórmula 1, Gino Bianco é certamente o menos conhecido. Até o começo dos anos 80, praticamente não se falava nele. Reportagens escritas por gente competente chegaram a ignorar seu nome ao mencionar os brasileiros que correram na Fórmula 1 nos anos 1950.

Na verdade, Gino Bianco (ou Luigi Emilio Rodolfo Bertetti, seu nome completo) não era brasileiro nato. Ele nasceu em Turim, na Itália, em 22 de julho de 1916, e tinha 12 anos quando sua família mudou-se para o Brasil, mais precisamente para o Rio de Janeiro. Nunca pediu naturalização, mas ao longo de sua carreira se apresentava como brasileiro. Começou a trabalhar como mecânico de automóveis e depois abriu sua própria oficina. Ficava no número 35 da rua Francisco Otaviano, que liga as praias de Copacabana e do Arpoador. Gino Bianco tinha 17 anos quando aconteceu a primeira corrida no circuito da Gávea, em 1933. Seis anos depois, participou dela pela primeira vez, pilotando um Bugatti com motor Chrysler. No ano seguinte, pilotou um Fiat e abandonou por acidente. Mas desenvolveu amizade com outros pilotos e se manteve ligado ao automobilismo. A Segunda Guerra Mundial, entretanto, paralisou o automobilismo em todo o mundo. O Brasil não foi exceção, ainda que algumas corridas ainda tivessem acontecido até o começo dos anos 1940, inclusive com carros movidos a gasogênio.



Gino Bianco e sua Maserati em uma prova de rua no Rio de Janeiro, no começo dos anos 50. Esta foto foi publicada no livro "Circuitos de Rua 1908-1958", de Paulo Scali.
A guerra acabou em 1945 e as corridas voltaram a acontecer. O autódromo de Interlagos, o primeiro do Brasil, havia sido inaugurado em 1940, mas o Rio de Janeiro tinha um automobilismo muito mais movimentado que o de São Paulo. Por isso, vários paulistas, inclusive Chico Landi, abriram oficinas na então capital federal. Nessa época, Gino Bianco venceu várias corridas, principalmente de subida de montanha, e firmou-se como um dos principais pilotos do automobilismo nacional. Em 1947, disputou o Grande Prêmio de Interlagos, uma prova internacional para carros de Grand Prix, que reuniu vários pilotos brasileiros e estrangeiros. Pilotando uma Maserati, Bianco terminou em terceiro lugar, atrás das Alfa Romeo de Acchile Varzi, o vencedor, e Chico Landi, segundo colocado.

Outra foto do livro de Paulo Scali. Gino Bianco é o primeiro à esquerda. O terceiro é Chico Landi, e o quinto é Manuel de Teffé.
Em 1952, Landi criou a Escuderia Bandeirantes, com três Maserati A6GCM, para disputar grandes prêmios na Europa. Gino Bianco acompanhou-o para ser um dos pilotos. Além dos dois brasileiros, a Escuderia Bandeirantes teve o uruguaio Heitel Cantoni e, em uma corrida, o argentino Alberto Crespo. Os carros dos brasileiros eram pintados de amarelo e tinham rodas verdes – era a pintura nacional exigida pela FIA. Não era uma equipe rica: inscreveu-se apenas em quatro GPs, às vezes com somente dois carros, e seu melhor resultado foi o 8º lugar de Landi no GP da Itália.

Gino Bianco estreou no GP da Inglaterra, em Silverstone. Fez o 28º tempo (havia 32 inscritos) e terminou em 18º entre 22 pilotos que terminaram a corrida. Este seria seu melhor resultado na Fórmula 1: depois, ele abandonou os GPs da Alemanha (motor quebrado na primeira volta), Holanda (câmbio) e Itália (motor). Bianco participou ainda de uma prova extracampeonato, o GP do Autódromo, em Monza, onde também abandonou.

GP da Inglaterra, em Silverstone, em 1952: Gino Bianco faz sua estréia na Fórmula 1 com o Maserati A6GCM da Escuderia Bandeirantes.
Depois do GP da Itália, o último de 1952, Gino Bianco voltou ao Brasil pelo mesmo motivo que impediu Landi de correr com mais freqüência na Europa: dinheiro. Naqueles tempos em que patrocínio era algo praticamente desconhecido, a renda dos dois era assegurada pelas atividades nas respectivas oficinas. Bianco ainda disputou algumas corridas no Brasil em 1953. Depois disso, pouco se sabe dele. Viveu no Rio de Janeiro até morrer no dia 8 de maio de 1984, vítima de complicações no esôfago. Algumas fontes citam outras datas, mas o leitor Sérgio Sultani, do site www.geocities.com/automobilismo, confirma a informação acima - ele tem em mãos uma cópia do atestado de óbito de Bianco.

Ainda falta conhecer mais sobre o segundo brasileiro (cronologicamente falando) a disputar um GP de Fórmula 1. Uma coisa é certa: ele foi uma figura atuante e importante no automobilismo brasileiro dos anos 30, 40 e 50, e também um piloto talentoso – muito melhor do que se pode pensar a partir de seus resultados na Fórmula 1.

O site de Sérgio Sultani me fez descobrir um caso contrário ao de Bianco: um piloto de F 1 nascido no Brasil, mas que correu sob outra nacionalidade. É Herbert MacKay-Fraser, pernambucano de Recife nascido no dia 22 de junho de 1926.

O pai de MacKay-Fraser era comerciante de café e a família morou muitos anos no Brasil. Herbert fez algumas corridas por aqui, conseguindo um segundo lugar no Circuito do Maracanã com uma Ferrari. Mudou-se para os Estados Unidos, adotou cidadania estadunidense e de lá foi para a Europa. Em 1957, estreou na Fórmula 1 no GP da França, em Rouen, pilotando um BRM P25. Abandonou a corrida por falhas na transmissão. Uma semana depois, no dia 14 de julho, morreu ao volante de um Lotus quando disputava a “Coupe de Vitesse”, uma prova de Fórmula 2 disputada em Reims, outro circuito francês.



Neste sábado acontece a Mil Milhas Brasileiras, que a partir de 2007 passa a ser a prova de abertura do campeonato internacional FIA GT. Na terça-feira, o GPtotal colocará no ar um especial sobre a corrida, com muitas fotos e informações. Aguarde!



Coisas de um regulamento de merda. A Super Aguri não pode usar o chassi da BAR de 2005, prontinho e confiável, porque a regra diz que cada equipe deve construir seu próprio chassi. Mas a FIA abre uma brecha para que a Super Aguri use um chassi Arrows de 2002. Já era uma cadeira elétrica na época. Imagine hoje.

Agora pergunto: e aquelas palavras bonitas dos dirigentes da FIA a respeito da preocupação com o aumento de competitividade, a diminuição de custos, o interesse do público e o diabo a quatro? A resposta é fácil: servem apenas para justificar a criação de regras estúpidas.

Mesmo assim, estou curioso para ver quem vai andar bem neste ano. Torço para que a Ferrari se junte à Renault e à McLaren na luta pelo título, e acredito em bons desempenhos da Honda e da Toyota.


(LAP)

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