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Home » Colunas » Luiz Alberto Pandini » 09.11.05
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De Volta 09.11.05

De volta

Amigos, voltei. Depois de algumas semanas engolfado por compromissos particulares que me impediram de dar atenção (mínima que fosse) ao GPtotal, consegui tempo para restabelecer comunicação com nossos leitores.

Foi um dos períodos mais difíceis da história do GPtotal. O Edu ficou puto quando eu lhe disse que teria que me afastar temporariamente. Tivemos uma discussão feia, na qual não faltaram telefones e computadores sendo dramaticamente atirados em direção às paredes. De parte a parte, houve até ameaças de tirar o site do ar, coisa que felizmente nenhum de nós foi maluco de fazer.

Aos que apreciam minhas colunas, é um prazer estar de volta. Aos que me detestam, tudo o que posso fazer é sugerir a leitura dos demais colunistas do GPtotal. Sem ressentimentos.





Roger Williamson no GP da Holanda de 1973, a corrida na qual sofreu o acidente fatal.
Prezado Manuel Blanco: li atentamente suas contribuições “Mistério no Oriente”, partes I e II. Gostei muito, apesar de não concordar com o tom geral de encadeamento de conspirações sórdidas. Por favor, não encare isto como uma crítica: aquele é seu pensamento, aquele foi seu jeito de contar os acontecimentos. Apenas manifesto minha divergência de opinião.

Mas peço um esclarecimento. Você encerra a menção a Alan Jones com a seguinte frase: “...favorecendo Lauda que, dito seja, não desfrutava de muito carinho entre os aficionados britânicos desde o acidente que vitimou Williamson em 1973”.

Lauda passa pela fumaça do carro de Williamson e segue adiante. Com exceção de David Purley, que parou para tentar salvar o colega, todos os outros pilotos fizeram a mesma coisa.
Lauda não teve qualquer envolvimento no acidente que matou Williamson e não era companheiro de equipe do infeliz piloto britânico. Pelo que sei, os dois não chegaram a se enfrentar nas categorias menores, como a Fórmula 3 e a Fórmula 2. Enfim, não conheço contencioso entre Lauda e Williamson que chegasse ao ponto de deixar os fãs britânicos com o pé atrás em relação ao austríaco. Agradeço se você puder me explicar, pois pelo jeito tem algo aí que eu nunca soube.





Prezado Celso Vedovato: muito obrigado pelos “regalos” sobre Juan Manuel Fangio. Pelo jeito, você aproveitou bem a exposição sobre ele na Itália.





Prezados Paulo Cicarello e Ricardo Vicentin: seus vídeos com imagens onboard de corridas de eras diversas são dos mais rodados no meu computador. Em breve, assim que eu reorganizar minhas coisas, eles serão colocados no ar para que os demais leitores do GPtotal possam curtir estas maravilhas. Aos dois, muito obrigado mesmo.





A capa do CD "Sexy 70".
Vocês se lembram daqueles filmes pornô produzidos no Brasil na década de 1970? Além de lotarem os cinemas, eles foram bastante exibidos na década seguinte no “Sala Especial” – toda sexta-feira, por volta das 23h00, na TV Record pré-bispos universais. Pois bem. Existe um CD muito interessante chamado “Sexy 70 – Music inspired by Brazilian sacanagem movies of the 70’s”, gravado pelo músico Che (Alexandre Caparroz).

A intenção inicial de Che era regravar as trilhas sonoras daqueles filmes. Era, mas ele percebeu o tamanho da encheção de saco que teria pela frente: procurar detentores de direitos das músicas, negociar com eles, com herdeiros, etc etc etc. Diante disso, Che preferiu compor uma trilha sonora para um filme imaginário. As músicas são instrumentais, com arranjos típicos dos anos 70. Vozes, somente as dos atores Helena Ramos e Paulo César Pereio, que atuaram em muitos daqueles filmes. Em uma ou outra faixa, eles reproduzem diálogos e frases típicos dos “Brazilian sacanagem movies”.

Se você viveu os anos 70 e 80, “Sexy 70” é uma deliciosa viagem no tempo. Se você gosta de boa música instrumental, também. Mas atenção: se você é um daqueles taciturnos falsos moralistas que apreciam incondicionalmente as atitudes mais condenáveis quando elas partem de figuras humanas consideradas incríveis, não compre “Sexy 70”.





Ler ou ouvir o presidente Lula usar metáforas entre jogos de futebol e governo é de lascar, mas pelo menos ele tem intimidade com esse esporte e se faz entender pelas pessoas. Pior é quando alguém resolve fazer metáforas sem conhecimento de causa. Foi o caso, na última semana, do senador amazonense Artur Virgílio. Ao que parece, sua maior intimidade com a Fórmula 1 resume-se ao fato de ele ser do mesmo estado do piloto Antônio Pizzonia.

Auto-denominado “ex-campeão de jiu-jitsu”, o finíssimo senador ameaçou “dar uma surra” no presidente Lula, no que foi acompanhado por um ou dois de seus pares. No dia seguinte, alguém cobrou do ilustre parlamentar uma retratação ou a confirmação de suas palavras. Ouvi, pelo rádio do carro, o seguinte: “Eu não volto atrás. Meu carro é um Fórmula 1, só vai para a frente”.

Por regulamento, os carros de Fórmula 1 devem obrigatoriamente ter marcha à ré. Se o do senador Artur Virgílio não tem, é ilegal.





Outra de político foi ouvida durante as eleições municipais de 1988. Ao comparar sua capacidade com a dos adversários, o candidato Marco Antônio Mastrobuono, que concorria à prefeitura de São Paulo, soltou a seguinte pérola em um de seus programas no horário gratuito: “Se você der um McLaren para um cego pilotar, vão acontecer duas coisas: o Fórmula 1 vai ficar destruído e o cego vai morrer”.

Naquela eleição, Mastrobuono recebeu precisamente 35.225 votos – ou 0,68% do total.





Os colunistas do GPTotal não se limitam à teoria: comprovam na prática as teses que apresentam neste espaço. No último domingo, dois deles participaram de uma prova de 10 km (de corrida a pé, bem entendido) pelas ruas de São Paulo. Comprovando a tese de que mulheres e homens podem competir juntos e que as mulheres têm realmente chance de vencer, Alessandra Alves completou a prova com pouco mais de 17 minutos de vantagem sobre Luis Fernando Ramos, o Ico. Mas ela mesma se adianta em esclarecer que “Ico está começando agora, essa foi sua primeira prova de 10 km, e além do mais ainda está parando de fumar”. Polêmica à parte, parabéns aos dois.

Aproveitando, quero também dar meu pitaco sobre a coluna da Alessandra sobre os homens pequeninos que têm medo de mulher. Os cálculos mais confiáveis indicam que, em toda a história da Fórmula 1, 793 pilotos estiveram inscritos em GPs oficiais ou se classificaram para a largada da 500 Milhas de Indianapolis entre 1950 e 1960, anos em que a prova contou pontos para o Mundial. Desses, 714 largaram em pelo menos uma corrida – os demais não chegaram a fazê-lo, por motivos diversos.

Desses 793 pilotos, somente cinco (0,63%) eram mulheres. Entre os 714 que chegaram a largar, encontram-se somente duas mulheres (0,28% do total). Estas duas mulheres, as italianas Maria Teresa de Filippis e Lella Lombardi, somam 15 largadas – outro número ínfimo se considerarmos que até o final da temporada de 2005 haviam sido disputados 750 GPs válidos pelo campeonato mundial. É claro que nem Maria Teresa nem Lella tiveram a chance de correr com carros competitivos.

Creio que os leitores e as leitoras já perceberam aonde quero chegar. Conhecendo estas proporções, assegurar que uma mulher não tem chance de brilhar na F 1 é pura heresia. Que tal formar equipes mistas e fazer corridas com elas? Com uma proporção de 50-50, aí sim teremos um parâmetro mais justo para fazer tais julgamentos.





Copiado do www.grandepremio.com.br sobre o final do Campeonato Mundial de Motovelocidade na categoria 125 cm³:

“Mika Kallio tinha motivos de sobra para avaliar que a vitória conseguida neste domingo (6 de novembro) na Comunidade Valenciana foi a mais amarga de sua carreira. Com o resultado, o finlandês foi a 237 pontos. Thomas Luthi, o campeão, somou 242. A diferença de cinco pontos seria nula se o companheiro de Kallio na KTM, o húngaro Gabor Talmacsi, não lhe tivesse ‘tirado’ o título.

No 13º GP da temporada, no Catar, Kallio liderava a corrida com Talmacsi em segundo. Inexplicavelmente, Gabor ultrapassou o parceiro nos metros finais. A KTM sequer comemorou a vitória do piloto. ‘Eu achei que não era a última volta’, alegou o vencedor, que até então tinha chances no certame.

Caso Mika tivesse vencido, empataria com Luthi nos 242 pontos. E passaria a ter um triunfo a mais que o rival — cinco contra quatro.”

Se eu fosse o chefe da equipe KTM, certamente prosseguiria com Talmacsi na próxima temporada. Apenas para transformar sua vida profissional em um inferno.

Boa semana a todos. (LAP)


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