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| » » » 25.09.05 |
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| A história diante de nossos olhos |
25.09.05 |
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| O instante exato em que Alonso tornou-se o mais jovem campeão da história da F 1.
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Mesmo com regulamentos esdrúxulos, disputas políticas e tudo o mais que faz os colunistas e leitores deste site soltarem periodicamente lamentos, pragas e suspiros saudosos de tempos nem tão distantes assim, a Fórmula 1 ainda proporciona momentos bastante interessantes. Cabe a cada um a escolha entre aproveitá-los ou ignorar a história que passa diante de nossos olhos.
Quem esteve em Interlagos ou viu o GP do Brasil pela televisão assistiu a vários momentos históricos da Fórmula 1: a primeira decisão de campeonato na América do Sul, a coroação de Fernando Alonso (o mais jovem campeão da história da Fórmula 1, com 24 anos de idade) e a “deposição” de Michael Schumacher, o piloto que por mais tempo ostentou ininterruptamente (cinco anos) o título mundial.
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| Schumacher cumprimenta o piloto que vai usar o número 1 no ano que vem.
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Se os fãs de Emerson Fittipaldi fossem iguais a certos fãs de outro piloto brasileiro, é provável que a caixa postal do GPtotal (e de todos os outros sites e fóruns de automobilismo) já estivesse entupida de mensagens lamuriosas, raivosas e inconformadas a respeito da perda do recorde de mais jovem piloto a conquistar um título mundial. Felizmente, isso não acontece. Eles sabem que a conquista de Alonso não diminui o feito alcançado por Emerson em 1972. E o próprio Emerson, com a elegância que lhe é peculiar, divulgou já há alguns dias uma nota oficial sobre Alonso, prevendo a conquista do título pelo piloto espanhol: “Ele é talentoso, habilidoso e maduro. Meu recorde estará em boas mãos”. Na mesma nota, Emerson lembrou que o título de 1972 fez com que superasse Jim Clark, até então o mais precoce campeão da F 1. “Na época, foi uma honra muito grande quebrar o recorde de Clark.”
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| Nelsão, Nelsinho e Emerson em Brands Hatch. |
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Creio que Emerson teria aceitado de bom grado um eventual convite para entregar o troféu a Alonso no pódio. Só que ele não estava no Brasil neste domingo. No momento em que os F 1 alinhavam para a largada em Interlagos, Emerson estava em Brands Hatch, na Inglaterra, exercendo suas funções de chefe da equipe brasileira da A1 GP, a categoria que se propõe a ser uma “Copa do Mundo” de automobilismo. Emerson, acompanhado por Nelson Piquet, viu a pole e as duas vitórias de Nelsinho Piquet nas corridas inaugurais do novo campeonato. Nelsinho fez também a melhor volta, dando à equipe brasileira aproveitamento total de pontos nas duas primeiras corridas.
A A1 GP premia os países e não os pilotos. Nelsinho participou da corrida inaugural, mas João Paulo de Oliveira (que conquistou há poucos dias o título da Fórmula 3 japonesa) e Tony Kanaan poderão representar o Brasil nas próximas etapas. São 25 países, cada um representado por um carro pintado nas cores nacionais, e o campeonato prossegue até abril. Quem quiser mais detalhes pode acessar o site oficial da categoria: www.a1gp.com.
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| Nelsinho Piquet vencendo a abertura da A1 GP em Brands Hatch.
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A A1 GP não é a primeira categoria automobilística a fazer uma competição por países. Entre 1990 e 1998, a EFDA (European Formula Drivers Association, entidade que organizava o campeonato europeu de Fórmula Opel Lotus) organizou a Nations Cup (Copa das Nações). A fórmula de disputa, porém, era diferente. Em apenas um final de semana, uma vez por ano e cada vez em um circuito diferente, reuniam-se dois pilotos por país. A soma das colocações de ambos determinava a classificação final do país – quem somasse MENOS pontos era o campeão. Os carros eram os mesmos que disputavam a Fórmula Opel Lotus, mas pintados nas cores do país representado pelo piloto.
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| Barrichello e André Ribeiro com o carro da Nations Cup em 1990.
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Na primeira edição, disputada em Spa-Francorchamps, o Brasil foi representado por Rubens Barrichello e André Ribeiro. Barrichello venceu a prova, mas André terminou em 13º. A soma das duas colocações (1+13=14 pontos) deu ao Brasil o segundo lugar na competição. A vitória ficou com Portugal, com Pedro Lamy e Diogo Castro Santos, que terminaram em quinto e sexto lugares (5+6=11 pontos).
Outro brasileiro, Gil de Ferran, também competiu, mas representando a França, país que não tinha representantes na Fórmula Opel Lotus. Nascido em Paris, ele encontrou nisso a brecha para participar da corrida em dupla com um francês convidado, cujo nome ficou restrito às folhas de resultado da corrida. “Nosso objetivo ao participar da Nations Cup era conhecer a pista de Spa. Lá, não era possível treinar, e haveria corrida válida pelo campeonato algumas semanas depois”, contou-me Gil em entrevista publicada na revista Grid em 1995. Perguntei-lhe qual foi a reação dos franceses ao serem representados por um brasileiro: “Foi a pior possível. Eles ficaram horrorizados quando descobriram que eu não falava francês...”
Já escrevi isto várias vezes, mas as evidências não me deixam esquecer o assunto. As mudanças de regulamento da FIA para “baratear a Fórmula 1 e torná-la mais competitiva” têm resultado numa sucessão de tiros pela culatra. Nesta temporada, várias corridas foram privadas de uma disputa direta entre Alonso e Raikkonen devido às punições para pilotos que precisam trocar de motor entre treinos e corrida, medida que teve o finlandês como maior vítima.
Agora, surge a constatação. Se a FIA tivesse mantido a pontuação como era até 2002 (10-6-4-3-2-1), o campeonato ainda não estaria decidido. Raikkonen teria saído de Interlagos com 18 pontos a menos que Alonso e, portanto, continuaria na luta pelo título, ainda que com remotas possibilidades. A mudança de pontuação, feita com o objetivo de retardar ao máximo possível a definição do campeão, teve efeito contrário ao esperado pelos cartolas. Bem feito para eles.
Só para não passar em branco: Valentino Rossi conquistou seu sétimo título mundial de Motovelocidade ao terminar em segundo lugar no GP da Malásia, disputado na madrugada de domingo. Boatos sobre a ida para a Ferrari pipocam aqui e ali. Sinceramente, torço para que não se tornem realidade.
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| A McLaren - aqui, Montoya - mostrou sua competitividade em Interlagos.
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Depois de dez anos, voltei a Interlagos em dia de Fórmula 1. Desta vez, porém, meu trabalho estava concentrado no kartódromo, onde foram acomodadas as equipes das categorias preliminares (Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, para a qual trabalho, Fórmula Renault e Troféu Maserati) que correram em Interlagos. O trabalho foi intenso, mas pude acompanhar os treinos livres de sábado da F 1 em um local privilegiado: de cima do barranco externo da Curva do Sol, nas antigas curvas 1 e 2.
Dali, era possível ver com nitidez desde a entrada do “S do Senna” até o final da Reta Oposta. E constatar o diferencial dos carros da McLaren em relação aos demais. Seus pilotos não apenas contornavam a saída do “S do Senna” com mais equilíbrio que os dos outros carros como também começavam a acelerar um pouquinho antes. Para mim, isso serviu não apenas para mostrar a competitividade dos McLaren e a “tocada” de Raikkonen e Montoya, valorizou bastante a pole de Alonso. Michael Schumacher e Jenson Button também se destacavam dos demais ao passar pelo local.
À tarde, voltei ao lugar para assistir ao treino classificatório, que acabaria apenas uma hora antes da corrida dos Porsche. E tive a certeza de que o atual formato de classificação é ridículo em todos os sentidos. Além da monotonia de ver apenas um carro passar por vez (e cada um apenas uma vez), priva a todos da beleza de ver os pilotos superando seus limites para tentar conquistar a pole position. Quando Raikkonen errou a freada do “S do Senna”, todos já sabiam que a pole de Alonso estava assegurada. Se você já acha isso horrível de ver pela TV, tenha certeza de que ao vivo é muito pior.
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| Posses e Zattar lutando pela vitória entre os Porsche.
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Como a corrida dos Porsche aconteceu no sábado (ganhou Beto Posses, depois de um duelo com Luís Zattar), eu não precisei ir a Interlagos no domingo. Acabei aproveitando o GP da maneira que considero ideal: ouvindo o uivo dos motores ao vivo nos treinos e vendo a corrida em casa. Pode ter certeza: o melhor lugar do mundo para se ver um GP é na frente da televisão. Se você duvida, pense que quem estava no meio do circuito de Donington no dia 11 de abril de 1993 viu, dependendo do ponto em que estivesse, no máximo uma das quatro ultrapassagens que Ayrton Senna fez na primeira volta para assumir a liderança da corrida.
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| Graças a Coulthard, a corrida de Pizzonia terminou antes mesmo da primeira curva
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Vocês certamente repararam que não mencionei uma linha sequer sobre a corrida dos brasileiros em Interlagos. Bem, podem ter certeza que não foi por esquecimento.
Boa semana a todos,
(LAP)
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