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Home » Colunas » Luiz Alberto Pandini » 22.07.05
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Vitorioso 22.07.05
Comemorando a vitória no GP de Valencia, em 2002.
Volta e meia, eu e minha mulher fazemos uma brincadeira sobre a reação geral quando Alexandre Barros anunciar o fim de sua carreira como piloto de motos. Supondo que isso aconteça quando Alex tiver 40 anos, imaginamos que vai ter gente dizendo algo como: “Imagine que esse cara tem essa idade! Ele é muito mais velho. Já corria de moto há mais de dez anos...”

Será uma reação natural. Barros começou muito cedo: tem 34 anos de vida (completará 35 em 18 de outubro) e nada menos que 27 de carreira. O mais espantoso é lembrar que ele participa do Mundial de Motovelocidade há 19 anos. Apenas como termo de comparação: Nelson Piquet, o brasileiro com carreira mais longa na Fórmula 1, correu na categoria por 13 anos – marca que está sendo igualada por Rubens Barrichello nesta temporada. Ou, posto de outra maneira, Barros começou a correr no Mundial de Motovelocidade quando Barrichello, apenas um ano e meio mais jovem, ainda estava no kart.

Lembrei-me de tudo isso porque domingo acontecerá o GP da Inglaterra de MotoGP, no circuito de Donington. Barros está prestes a conseguir uma marca bastante expressiva: participar de seu 250° Grande Prêmio no Mundial de Motovelocidade. Com suas sete vitórias, é um dos sul-americanos mais bem sucedidos na modalidade. Acima dele estão “apenas” os venezuelanos Carlos Lavado (campeão mundial na 250 cm³ em 1983 e 1986) e Johnny Cecotto (campeão mundial na 350 cm³ em 1975).

Barros a caminho da vitória no GP de Portugal de 2005.
Hoje, Barros é veterano. Mas já foi precoce ao extremo. Começou a correr de moto aos sete anos de idade. Em 1984, poucos meses antes de completar 14 anos, fez em Interlagos sua primeira corrida com uma Yamaha TZ 250 – naquela época, existia no Brasil uma categoria aberta às mesmas motos que competiam na categoria 250 cm³ do Mundial. E em 1986, aos 15 anos de idade, estreou no Mundial disputando a categoria 80 cm³, que nem existe mais.

Para aqueles que não conhecem, segue um resumo da carreira de Barros no Mundial:

- Estreou no GP da Espanha de 1986, na categoria 80 cm³, com uma Autisa (moto espanhola). Terminou o campeonato em 16° lugar, com dois oitavos lugares como melhores resultados. Na temporada seguinte, foi o 17°, pilotando motos Arbizu (espanhola) e Casal (portuguesa).

- Sem patrocínio, disputou apenas uma corrida em 1988: o GP do Brasil, na categoria 250 cm³, com uma Yamaha. Não terminou, mas causou boa impressão e foi contratado pela equipe venezuelana Venemotos (a mesma pela qual Lavado e Cecotto conquistaram seus títulos) para disputar o Mundial de 1989, nessa mesma categoria. Barros terminou o ano em 18° lugar, mas mostrou consistência e foi o melhor colocado entre os pilotos de equipes particulares. Isso chamou a atenção da Cagiva, fábrica italiana que disputava o Mundial da 500 cm³.

- Contratado pela Cagiva como terceiro piloto para o Mundial da 500 cm³ de 1990, Barros terminou o campeonato em 12° lugar, à frente de seus experientes companheiros de equipe Randy Mamola e Ron Haslam. A partir daí, disputou o Mundial sempre na classe mais importante.

- Obteve seu primeiro pódio no GP da Holanda de 1992 (3° lugar) e em 1993 passou para a equipe Suzuki, ao lado de Kevin Schwantz. Obteve sua primeira vitória na última corrida do ano, na Espanha, no circuito de Jarama. Vinte anos antes, nessa mesma pista, Adu Celso havia se tornado o primeiro brasileiro a ganhar um GP válido pelo mundial, na categoria 350 cm³.

- Venceu ao todo sete GPs: FIM (na Espanha), 1993; Holanda e Alemanha, em 2000; Itália, em 2001; Pacífico e Valencia, em 2002; Portugal, em 2005.
Alexandre Barros no pódio de Portugal, ladeado por Valentino Rossi e Max Biaggi. Não é qualquer um que derrota esses caras.

- É o recordista de participações na classe principal (500 cm³/MotoGP), com 218 largadas, nas quais terminou 164 vezes entre os dez primeiros colocados. 

- Terminou o campeonato entre os dez primeiros colocados na classe principal em 12 anos consecutivos. O único outro piloto que conseguiu isso foi Giacomo Agostini, 15 vezes campeão mundial.

- Disputou as classes 500 cm³ e MotoGP com seis máquinas diferentes: Cagiva 4 cilindros 2 tempos, Suzuki 4 cilindros 2 tempos, Honda 4 cilindros 2 tempos, Honda 2 cilindros 2 tempos, Yamaha 4 cilindros 4 tempos e Honda 5 cilindros 4 tempos. Subiu no pódio pelo menos uma vez com cada uma dessas máquinas. 

- Em 1999, em dupla com o japonês Tadayuki Okada, venceu a 8 Horas de Suzuka, prova que desde o final da década de 1980 é a mais importante corrida de longa duração para motos.

Barros (número 4) e Rossi (46) disputando a vitória em Valencia, em 2002. Foram 30 voltas de adrenalina, com vitória do brasileiro.
Alexandre Barros não tem em seu currículo a fileira de títulos e vitórias que o transformaria em um ídolo nacional. Oportunidades que pareciam definitivas para entrar no olimpo acabaram se transformando em descidas ao inferno – casos, por exemplo, das contratações pelas equipes oficiais da Yamaha, em 2003, e Honda, em 2004. Barros enfrentou todas essas fases difíceis e deu a volta por cima. Em 2005, por exemplo, foi um dos dois únicos pilotos a derrotar Valentino Rossi. 

O fato de nunca ter ficado sem guidão mostra o respeito profissional que Alexandre angariou em todos os seus anos de carreira. Tudo isso, é bom lembrar, contando raras vezes com apoios ou patrocínios brasileiros. Uma carreira de pura determinação. Parabéns, Alex.

LAP
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