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| » » » 08.06.05 |
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| Regulamento de merda dá nisso |
08.06.05 |
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Extra! Extra! Um dia depois de a coluna abaixo entrar no ar, nossos colegas do www.grandepremio.com.br dão a notícia:
"O treino de classificação com uma hora de duração, sem voltas lançadas, voltará em 2006. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (9) pelo site 'F2005'.
Segundo a página, ao promover a volta de sessão única para definir o grid, antes do GP da Europa, a FIA e as equipes concordaram que o formato de volta lançada, usado desde 2003, não funcionou e deve ser arquivado dia 15 de outubro, quando sairá a ordem de largada para o GP da China, última etapa.
Até lá, dirigentes e a entidade decidem qual será o formato adequado. Ainda segundo o "F2005", cada piloto terá direito a três ou quatro jogos de pneus e o reabastecimento deverá ser permitido entre o treino e a corrida.
Outra mudança será a obrigatoriedade de entrada na pista ainda na primeira metade do treino, na tentativa de evitar, como acontecia neste sistema, longos períodos sem atividade ou apenas com carros dos times pequenos treinando. Uma vez que sair do box, porém, o piloto possivelmente só poderá voltar para trocar pneus e sair em seguida, só "estacionando" ao fim dos 60 minutos.
A decisão deverá ser tomada numa das próximas reuniões do Conselho Mundial."
As mudanças do último parágrafo me causam certos calafrios, mas nada que se compare aos que me assolaram em outubro de 2002, quando a FIA baixou as regras que desembocaram nas que temos hoje. Já naquela época eu falava que aquilo não ia dar em boa coisa. Vários leitores (a maioria, ao menos entre os do GPtotal) me apoiaram e vêm apoiando ao longo destes dois anos e meio. Outros, especialmente viúvas e invejosos, me picharam à beça.
Nada como o tempo para mostrar qual das duas correntes de pensamento tinha razão. Agora falta apenas voltar à pontuação antiga (10-6-4-3-2-1) e acabar com essa imbecilidade de proibir as equipes de usar mais que um jogo de pneus por corrida e um motor a cada dois GPs. E teremos de volta algo parecido com a "nossa" Fórmula 1. Pena que três anos tenham sido jogados fora por conta das experiências desastradas da FIA e das equipes.
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| Kimi perde a corrida na última volta. Causa da quebra: regulamento estúpido. |
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“Que estupidez!”
Dita em tom de profunda indignação e desesperança, essa pequena frase foi a
única coisa que consegui balbuciar (umas cinco ou seis vezes, com um longo
suspiro entre uma e outra) ao ver a suspensão de Kimi Raikkonen se quebrar na
última volta e privar o finlandês de uma vitória que, na minha opinião,
seria merecida.
Estupidez dos dirigentes da FIA, dos chefes de equipe e dos fabricantes de
pneus. Todos, de uma maneira ou de outra, são responsáveis por sustentarem um
regulamento de merda. Um regulamento que deliberadamente vende
“imprevisibilidade” como sinônimo de “competitividade”. Que nivela a
competição por baixo para “garantir o interesse do espetáculo”. E,
principalmente, que em nome de uma discutível economia e de um ainda mais
discutível “aumento de competitividade”, obriga os pilotos a andarem com um
único jogo de pneus durante o treino classificatório e toda a corrida –
esquecendo um aspecto essencial, que é a segurança.
Alguns leitores e até colegas jornalistas lembraram que até as décadas de
1980 e 1990 os pneus resistiam a uma corrida inteira. É verdade, mas qualquer
comparação entre aquela época e o regulamento atual é inteiramente
descabida. No começo dos anos 1980, os melhores motores de F 1 desenvolviam,
chutando alto, 500 ou 600 cv. Por essa razão, a transferência de potência
para as rodas traseiras, além de ser bem menos violenta do que é hoje, era
feita para pneus bem maiores – a largura máxima dos pneus traseiros diminuiu
de 18 para 15 polegadas a partir da temporada de 1993. Em 1998, veio mais uma
novidade: a introdução de sulcos nos pneus. Chegamos a um pneu que, além de
menor, ainda tem sua área de contato com o solo diminuída por causa da introdução
dos sulcos. E há um detalhe capital: o piloto e/ou a equipe podiam decidir se
deveria ou não se feita uma troca de pneus, sem precisar de autorização de
ninguém.
O pior de tudo foi a cândida reação da FIA nos dias seguintes ao lamentável
episódio: cogitar a possibilidade de mostrar bandeira preta e obrigar o piloto
a trocar pneu se algum comissário desportivo ou o diretor de prova considerar
que há algum perigo! Como bem lembrou nossa colunista Alessandra Alves, parece
a democracia à brasileira, em que o voto é uma obrigação e não um direito.
Regulamento de merda dá nisso. Queriam tanto salvar o “espetáculo” que
acabaram transformando-o em uma seqüência de acontecimentos grotescos.
Sinceramente, eu começo a me perguntar por qual razão eu ainda perco meu tempo
assistindo Fórmula 1. Sistematicamente, quebro uma promessa que fiz ainda no
final de 2002 ou começo de 2003, quando a FIA começou com essas imbecilidades.
Só pode ser vício. Consegui, com muito pesar, parar de fumar. De comer
chocolate e de assistir Fórmula 1, não. Mas acho que minha cota de renúncias
a certas coisas da vida já foi muito bem preenchida.
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| Junqueira vencendo a segunda etapa da Champ Car. Depois, veio o acidente em Indianapolis e o adeus às chances de ser campeão. |
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Um de nossos leitores (peço perdão por não lembrar quem foi) deu um belíssimo
puxão de orelha em todos os leitores – e acho que vale para nós, colunistas:
nenhum de nós falou uma palavra sobre o acidente de Bruno Junqueira nas 500
Milhas de Indianapolis.
Coloco esse acidente entre os mais estúpidos de todos os tempos, pelo simples
fato de Bruno ter sido vítima da inabilidade de um piloto chamado A. J. Foyt
IV. Todos viram na TV: Bruno ultrapassou Foyt, que estava bem mais lento, e o
norte-americano simplesmente virou o volante para o mesmo lado do brasileiro,
atingindo sua roda traseira e jogando-o contra o muro. Resultado: duas vértebras
fraturadas, seis meses longe das pistas e o adeus ao campeonato da CART/Champ
Car ou sei lá o quê, que Bruno liderava.
A. J. Foyt IV, definitivamente, não é do ramo – e isso foi detectado,
inclusive pela imprensa especializada estadunidense, já em 2004, quando o
garoto foi promovido à IRL. Isso só aconteceu porque Foyt IV é neto de A. J.
Foyt, que além de ser uma lenda americana tem equipe na IRL. Foyt IV não
mostrou nada do talento do avô e, a cada prova, mostra-se um perigo para os
demais concorrentes. Infelizmente, Bruno Junqueira sofreu conseqüências graves
da inabilidade de Foyt IV. Mas quem vai ter coragem de afrontar a lenda?
Parece que, tanto de um lado do Atlântico quanto de outro, os cartolas só vão
acreditar que alguma coisa séria deva ser feita quando alguém passar desta
para a melhor.
LAP
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