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Home » Colunas » Luiz Alberto Pandini » 23.05.05
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Fiascos e Sucessos 23.05.05
Kimi, agora, surge como ameaça ao domínio da Renault.
Fiasco 1: o regulamento da Fórmula 1, em especial no quesito “definição do grid de largada”. Felizmente, o ridículo sistema de soma dos tempos de dois treinos, com o segundo acontecendo poucas horas antes da largada, morreu. Foi enterrado sem pompa nem circunstância, na vala comum das idéias estúpidas. “Pena que meio ano tenha sido perdido com essa bobagem”, disseram alguns. “Ainda bem que apenas meio ano foi perdido com essa bobagem”, replicaram outros. 

A partir de Nürburgring, teremos o quarto sistema de definição do grid a ser usado desde 2003: sessão única no sábado, com cada piloto tendo uma volta para marcar tempo. Acaba o treino extra para definir a ordem de entrada na pista: ela será feita na ordem inversa à do resultado do GP anterior. Ainda não é o ideal (estou entre os muitos que sonham com a volta à sessão de classificação em que cada piloto tem 12 voltas e entra na pista no momento em que quiser), mas já é melhor que a estupidez que vigorou até Mônaco, em que todo mundo ia dormir no sábado sem saber quem largaria na pole no domingo.

Também merece repúdio a regra que obriga os pilotos a usarem um único jogo de pneus durante toda a corrida. Atuações competentes como a de Fernando Alonso acabam não tendo o resultado mais justo por causa de uma restrição discutível do ponto de vista da competitividade (uma das razões evocadas pelos dirigentes para explicar mudanças de regras), inócua em termos de contenção de custos (outra) e evidentemente arriscada do ponto de vista da segurança (na Espanha, Fisichella escapou por milímetros de ser atingido em cheio pela Ferrari descontrolada de Michael Schumacher quando um pneu do alemão estourou). 

Li e ouvi críticas em várias das vezes em que escrevi que o atual regulamento da F 1 é uma merda. Os autores de tais críticas achavam que era preciso dar um voto de confiança, que eu era radical por julgar antes mesmo de a tal solução entrar em prática, que tudo visava aumentar a competitividade e tornar a F 1 mais atraente para os torcedores... Então, por favor me respondam: um regulamento que muda quatro vezes em dois anos e meio deve ser caracterizado como? Um sucesso? 

É claro que não. O atual regulamento da Fórmula 1 continua sendo uma merda.




Barrichello e Schumacher. A ultrapassagem do alemão não foi bem digerida pelo brasileiro.
Fiasco 2: a reclamação de Rubens Barrichello contra Michael Schumacher. Descrição do brasileiro para a seqüência de fatos que culminaram com a ultrapassagem do alemão na última volta do GP de Mônaco: “Eu estava perto do Ralf e o Alonso diminuiu a velocidade. Levantei o pé e o Michael me passou”. Em seguida, arrematou: “Acho que, como grande campeão, ele não precisava mostrar esse tipo de coisa. Ele quase tirou os dois da prova”.

Ouvi a declaração de Rubens pelo rádio, logo depois da corrida. Nesse momento, a TV mostrava os comerciais. Fiquei curioso em ver que tipo de manobra Schumacher teria feito. E, quando a TV mostrou, me deparei com uma ultrapassagem absolutamente comum, até mesmo pouco arrojada. Schumacher vislumbrou a possibilidade de ganhar a posição, colocou no lado esquerdo e, melhor posicionado e mais veloz, ganhou a posição. Não houve sequer uma travada de roda de nenhum dos carros. Simples assim.

Foi puro azar de Rubens ser obrigado a levantar o pé naquele momento. Ninguém fica feliz ao tomar uma ultrapassagem na última volta e é compreensível que o brasileiro estivesse chateado. Mas sua reclamação não tem qualquer razão de ser. 





Fiasco 3: Juan Pablo Montoya. O colombiano vem sendo a maior decepção da temporada. Sistematicamente mais lento que seu companheiro Kimi Raikkonen, em Mônaco largou em antepenúltimo como punição por ter provocado um acidente entre os carros de David Coulthard, Ralf Schumacher e Jacques Villeneuve em um dos treinos livres de sábado. Pior ainda: nas duas corridas em que ficou de fora, seus substitutos tiveram atuações muito melhores do que as que Montoya. 

Ou o colombiano mostra logo a que veio, ou seu lugar na McLaren vai ficar vago antes do que se imagina.





Sucesso 1: Kimi Raikkonen e a McLaren. O finlandês ocupa neste momento a mesma condição que Alonso desfrutava até poucas semanas atrás: a de favorito absoluto à vitória. Um final de semana brilhante para o finlandês. 





As duas Williams, aqui com Webber ainda à frente de Heidfeld.
Sucesso 2: Williams. Entre as grandes equipes, é a que tem futuro mais nebuloso – mais até que a Ferrari em sua atual crise de competitividade. Em Mônaco, conseguiu um resultado inesperado: segundo e terceiro lugares para Nick Heidfeld e Mark Webber, dois pilotos cuja habilidade costuma ser subestimada pelos críticos de plantão. Foi bom vê-los no pódio e constatar que, apesar dos pesares, a Williams continua viva.

Superstars em Mônaco: a Red Bull promovendo o filme Star Wars.
Sucesso 3: Red Bull Star Wars. Puro marketing, mas o circo armado pela Red Bull e pelos promotores do novo filme da série “Guerra nas Estrelas” movimentou os bastidores de Mônaco. Tudo, desde a pintura dos carros até as roupas dos mecânicos, passando pelas presenças dos atores e de pessoas fantasiadas como os personagens do filme, proporcionou momentos de descontração e diversão. A próxima edição do livro “O Boto do Reno” certamente terá uma foto de Flavio Gomes sendo “estrangulado” por Darth Vader em pessoa (pessoa?). “Ele me mandou ir para o lado negro da Força”, contou o repórter Flavio Gomes. “Saí de lá e passei na Minardi”, relatou Flavio no www.grandepremio.com.br. 
Gomes e os horrores do lado negro da força.

A promoção de “Guerra nas Estrelas” gerou notícia em um dos GPs de Mônaco mais fracos da história. Público minguado (o menor em muitos anos, segundo quem esteve lá), torcida ferrarista (de longe a mais festeira) sensivelmente diminuída (a ponto de motivar Bernie Ecclestone a declarar que uma Ferrari em baixa é muito pior do que uma Ferrari sem oposição) e um compreensível baixo astral pelo luto oficial no Principado, decretado após a morte do príncipe Rainier. Não há “glamour de GP de Mônaco” que resista incólume a tantos fatores jogando contra.





Suspensão de nove corridas e proibição de correr em Mônaco pelo resto da vida. Foi a punição da FIA ao piloto venezuelano Pastor Maldonado, que compete no World Series (uma das categorias preliminares do GP de Mônaco), por ter desrespeitado bandeiras amarelas e provocado um acidente que resultou em ferimentos graves em um comissário de pista. Isto entra no rol das punições mais severas já inflingidas a um piloto. É muito mais devastadora do que, por exemplo, a cassação do vice-campeonato de Michael Schumacher em 1997, por ter tentado jogar Jacques Villeneuve para fora da pista no GP da Europa. 

Não é a primeira vez que acontece algo assim. No final dos anos 1970, o RAC (Royal Automobile Club, da Inglaterra) suspendeu um piloto inglês (Ken Silverstone ou Phil Silverstone – tinha os dois correndo e não lembro qual foi) por 12 anos, devido ao histórico de manobras desleais na Fórmula 3. No Brasil, as autoridades esportivas nacionais excluíram do automobilismo, em caráter permanente, o piloto João Batista do Amaral Júnior. Ele foi acusado de causar propositalmente o acidente que matou Celso Lara Barberis (um dos melhores pilotos brasileiros da época) durante os 500 Km de Interlagos de 1963. 

Boa semana a todos. LAP
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