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| » » » 02.04.05 |
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| A Ferrari e o Papa |
02.04.05 |
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| O papa João Paulo II, Gerhard Berger e a filha Christina em Maranello, em 1988. À esquerda, um dos carros de F 1 da equipe. |
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Sei que nem todos os leitores do GPtotal são católicos (eu mesmo não sou). Mas creio que ninguém está indiferente à morte de um líder tão carismático quanto o Papa João Paulo II.
As fotos que abrem esta coluna são uma humilde homenagem ao Papa. Duas delas foram tiradas em 4 de junho de 1988, quando João Paulo II visitou a sede da Ferrari, em Maranello. Fazia parte da programação um encontro com Enzo Ferrari, mas o estado de saúde do “commendatore” já estava bastante comprometido e eles só puderam conversar por telefone. O Papa conversou com o staff da equipe (incluindo os pilotos Michele Alboreto e Gerhard Berger) e abençoou os carros da equipe, que só então foram enviados para a corrida seguinte, no Canadá. “Infelizmente, nenhum deles terminou a corrida”, lembrou Berger em seu livro “Na reta de chegada”.
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| João Paulo II em uma Ferrari conversível durante a visita a Maranello. Ao volante está Piero Lardi Ferrari, filho de Enzo Ferrari. |
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Em janeiro deste ano, fez-se o inverso: integrantes da Ferrari foram até o Vaticano para visitar o Papa. Luca di Montezemolo, Jean Todt, Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Luca Badoer eram alguns dos integrantes da comitiva. Todos ouviram um elogio de Karol Wojtila por “chegarem à vitória respeitando as regras”. E deram ao Papa uma miniatura da Ferrari F2004. No Bahrein, a equipe italiana manifestou seu luto pela morte do Papa (ocorrida no sábado 2 de abril, depois de encerrados os treinos classificatórios) correndo com o bico dos F2005 em preto.
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| Imagem de 2005. João Paulo II é visitado pelo staff da Ferrari e recebe uma miniatura da F2004. |
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Outra curiosidade que junta o Papa e o automobilismo aconteceu durante a primeira visita do Santo Padre ao Brasil, em junho de 1980. Além de todos os compromissos, procedimentos e formalidades de praxe, os brasileiros responsáveis pela visita receberam diversos pedidos inusitados, como sói acontecer nessas ocasiões. Um deles partiu de um numeroso grupo de esportistas: eles pediam anistia papal a punições diversas. O pedido foi atendido (não creio que pessoalmente, e sim por meio de alguma mensagem escrita) e assim alguns pilotos, jogadores de futebol e atletas em geral se livraram de desclassificações e suspensões automáticas recebidas dias antes...
Apesar da quebra de Michael Schumacher, a Ferrari deve ter tido um alívio com a estréia da F2005. Mesmo sem estar plenamente desenvolvido, o carro mostrou velocidade logo na estréia. O problema que levou Schumacher ao abandono (divulgado como sendo “pane hidráulica” mas que me pareceu ter sido de freio) não parece ter algo a ver com o projeto: poderia ter acontecido em qualquer carro.
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| Schumacher ataca Alonso. Disputa pela vitória durou apenas 11 voltas. |
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As três semanas de intervalo até a próxima corrida, o GP de San Marino, certamente serão aproveitadas pela Ferrari para fazer todos os testes possíveis. Não duvidem se aparecerem notícias de que Michael Schumacher, Rubens Barrichello, Luca Badoer, Marc Gené e Andrea Bertolini testaram no mesmo dia, divididos entre Fiorano e Mugello.
Fácil? Não: o ponto fraco da Ferrari – isso ficou muito claro em Sakhir – é o rendimento dos pneus Bridgestone no calor. Schumacher saiu da corrida ainda no começo, mas com Barrichello aconteceu a mesma coisa que na Malásia: do meio da corrida para o fim, os pneus simplesmente se acabaram. Em 2003, a Bridgestone conseguiu recuperar um atraso no final do ano (mais precisamente entre os GPs da Hungria e da Itália), mas boa parte disso aconteceu devido à denúncia (posteriormente comprovada) de que os pneus da Michelin terminavam a corrida com a banda de rodagem mais larga do que o permitido pelo regulamento. Agora a coisa vai ser mais difícil.
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| Ponta do bico pintada de preto mostrava o luto da Ferrari pela morte do Papa. |
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Quem desejava o fim do domínio da Ferrari deve ter adorado as três primeiras corridas do ano. Mas aqueles que desejavam mais disputas pela ponta viram apenas a troca da equipe dominante, com o vermelho dando lugar ao azul. McLaren e Williams continuam com desempenho de equipe média: estão longe dos tempos de glória. A BAR regrediu (o segundo pit stop de Jenson Button foi um dos mais cômicos de todos os tempos) e deu à Toyota o lugar que em 2004 era seu – de equipe emergente, com um carro competitivo o bastante para chegar ao pódio mas não para brigar a sério por vitórias.
Ou a Ferrari se recupera e passa a brigar com a Renault, ou – com todas as mudanças de regulamento – o campeonato de 2005 terá a mesma cara do de 2004, apenas com alguns nomes trocados por outros.
Boa semana a todos,
(LAP)
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