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| » » » 19.08.09 |
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| Retorno sem voltar |
19.08.09 |
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| Schumacher posa para campanha de responsabilidade social, tipo Não dirija quando beber |
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Quando Michael Schumacher aparecer neste final de semana no circuito de rua de Valência, a senha estará dada para o retorno das especulações sobre sua volta. A possibilidade para que isso aconteça permanece em aberto, dependendo da melhora das condições de seu pescoço e também da recuperação de Felipe Massa. Nas duas semanas que se passaram entre o anúncio e o cancelamento da volta, a notícia ocupou todos os espaços na mídia mundial. Especialmente na Alemanha, era quase a realização do movimento sebastianista na versão germânica. Uma verdadeira bomba!
A volta de ex-campeões à Fórmula 1 costuma ter este efeito. No caso de Michael Schumacher, choveram comparações com Niki Lauda. O austríaco jogou tudo para cima na penúltima etapa de 1979, mas voltou três anos depois e ainda conseguiu mais um título antes do adeus definitivo. Mas há casos de retornos fracassados. Alan Jones foi campeão em 1980 e deixou a F-1 ao final do ano seguinte. Fez uma prova em 1983 pela Arrows e as temporadas 85/86 pela Beatrice, com resultados discretíssimos. Jacques Villeneuve foi outro que voltou à categoria depois de uma pausa só para sair novamente pela porta dos fundos. E mesmo a volta de Nigel Mansell não foi das mais brilhantes. Em que pese uma vitória com a Williams em 1994, ele acabou dispensado da McLaren no ano seguinte porque não cabia no carro. Embaraçoso, para dizer o mínimo.
Na verdade, o retorno não-realizado de Michael Schumacher lembra mais o caso de Alain Prost. Pouca gente deve se lembrar, mas na semana anterior ao Grande Prêmio do Brasil de 1996, vários jornais destacaram que o francês correria em Interlagos pela equipe McLaren, no lugar de Mika Hakkinen. A volta do tetracampeão às pistas era o grande assunto do momento.
Prost havia acertado para ocupar na época um posto similar ao de Michael Schumacher na Ferrari de hoje: o de conselheiro da McLaren, com a incumbência de fazer alguns testes para ajudar no desenvolvimento do carro. Na semana anterior à corrida, a FIA concedeu ao francês a superlicença para que ele assumisse essa função. Foi o que bastou para que jornalistas do mundo se assanhassem com o cenário da volta.
A situação de Mika Hakkinen contribuía para isso. Na última prova de 1995, o finlandês sofreu um pavoroso acidente no ponto mais veloz do circuito de Adelaide. Ficou um período em coma no hospital, mas teve uma recuperação marcante e já participou da abertura da temporada do ano seguinte, também na Austrália, na estréia do circuito urbano de Melbourne.
Chegou em quinto lugar, comentando ao final da corrida que se sentia “muito cansado”. Como a mente dos jornalistas é mais fértil que a reprodução dos coelhos, a frase de Hakkinen foi interpretada como uma admissão de que ainda não estava totalmente recuperado do acidente. Juntaram isso com a superlicença de Prost para concluir que o campeão estava voltando à Fórmula 1.
Ron Dennis ainda não colaborou e, perguntado por um jornalista inglês se o francês correria no Brasil, respondeu: “em condições normais, não”. Muitos interpretaram isso como a confirmação de que uma condição excepcional estava acontecendo – o que obviamente não correspondia à verdade.
Mika Hakkinen chegou ao Brasil e foi bombardeado com perguntas sobre seu estado físico de saúde. Na confusão, surgiu a informação de que o piloto faria um teste físico com o doutor Sid Watkins, médico da FIA, na quinta-feira para determinar se poderia correr no final de semana. Se não passasse, Prost assumiria seu lugar. O finlandês negou tudo com veemência, sem esconder sua irritação. “Ninguém me vetou e não haverá teste nenhum. Se sentisse que não tinha condições de pilotar, seria o primeiro a dizer”.
No dia seguinte, foi a vez de Alain Prost desembarcar no Brasil para acompanhar o trabalho da McLaren no final de semana. Suas negativas finalmente puseram um ponto final sobre o seu retorno à Fórmula 1. “Quem vai dirigir pela McLaren é o Mika e o David. Vou continuar renovando a superlicença, mas isso não significa que eu esteja pronto para correr. Sei que a idéia de fazer meu GP de número 200 agrada a muita gente. E a mim também. Mas, se acontecer um dia, por uma razão sentimental eu gostaria que fosse na França”, falou.
A 200ª corrida de Prost na Fórmula 1 jamais aconteceu: era tudo mera especulação. Mais uma entre as dezenas que surgem a cada temporada para alimentar as páginas dos jornais com as fantasias de seus escribas. O caso de Schumacher é diferente, houve um anúncio oficial e, depois um cancelamento. Mas os retornos não-realizados do francês e do alemão tiveram justamente esse efeito, o de colocar em evidência no noticiário as suas equipes, justamente em momentos em que elas perderam espaço por um desempenho esportivo inferior às outras.
No fundo, esse é o retorno principal que um campeão pode gerar a uma equipe: o de marketing, de promoção. Mesmo que a volta em si jamais se concretize.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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