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O Recordista que nunca foi 20.07.09


Thackwell 80
A entrada do espanhol Jaime Alguersuari na equipe Toro Rosso, a partir do Grande Prêmio da Hungria, lhe dará o recorde de piloto mais jovem a disputar uma corrida de Fórmula 1. Aos 19 anos, quatro meses e cinco dias de idade, o catalão de nome basco quebra a marca que foi durante quase 30 anos do neozelandês Mike Thackwell.

Correndo com uma Tyrrell, Thackwell alinhou para o GP do Canadá de 1980 com 19 anos, cinco meses e 29 dias de idade. Mas há quem discuta se sua participação nessa prova vale para efeito estatístico. A corrida foi interrompida após um acidente múltiplo na largada, detonado a partir de um toque entre Alan Jones e Nelson Piquet, que brigavam pelo título. A Brabham do brasileiro atravessou a pista e vários carros que vinham atrás se envolveram na confusão e acabaram destruídos.



O neozelandês, que largara em último, conseguiu zigue-zaguear entre os destroços e escapou ileso. Mas os outros dois carros da Tyrrell ficaram destruídos. A prova foi interrompida, a largada, anulada, e o patrão Ken pegou o carro de Thackwell e passou para a estrela do time, Jean-Pierre Jarier, para que o francês estivesse na nova largada. Por conta disso, muita gente aponta que a marca de Thackwell é inválida e que o verdeiro recordista de precocidade na Fórmula 1 ainda seria o mexicano Ricardo Rodríguez, que disputou o GP da Itália de 1961 aos 19 anos, seis meses e 27 dias de idade – e pela equipe oficial da Ferrari (!), colocando o carro na primeira fila (!!!).

Thackwell F2 81
A confusão acerca ao recorde de Thackwell combina com sua própria trajetória no automobilismo: confusa e cheia de não-realizações. Sua subida ao topo foi meteórica. Em 1979, ele foi um dos nomes de destaque na F-3 Inglesa, vencendo cinco corridas, mas perdendo o título no final para o brasileiro Chico Serra, que corria na equipe de Ron Dennis.

No ano seguinte, Ken Tyrrell o chamou para ser piloto de testes, enquanto ele disputava a F-2 Inglesa. Foi “emprestado” à equipe Arrows para substituir um reconvalescente Jochen Mass no GP da Holanda, mas não se classificou para a prova – quatro ficavam de fora e ele foi o penúltimo colocado. No Canadá, correu com o terceiro carro da Tyrrell, pegando o último lugar do grid (à frente da Ferrari de Jody Scheckter, que ficou de fora).

O ano de 1981 seria o último de preparação de Thackwell na F-2 antes de conseguir um lugar fixo na F-1. Mas ele sofreu um forte acidente em Thruxton e teve ferimentos na cabeça e uma grave fratura no pé. Perdeu a temporada e também o lugar no time de Ron Tauranac no ano seguinte. Thackwell voltou às boas em 1983, ficando em segundo lugar no Europeu para seu companheiro de equipe (e preferido da equipe Ralt) Jonathan Palmer. O título veio no ano seguinte, com sete vitórias em onze corridas e a incrível marca de ter liderado 408 das 580 voltas do campeonato de F-2 de 1984.

Thackwell RAM 84
Neste ano ele também fez uma corrida de F-1, a segunda e última da sua carreira, também no Canadá, pela modesta equipe RAM. Abandonou com o turbo quebrado depois de 29 voltas. Em 1985, ainda não foi possível uma vaga na categoria top e Thackwell foi correr na recém-criada Fórmula 3000. Venceu a corrida de estréia e outras duas ao longo ao ano, dominou a temporada, mas uma série de azares o fez perder o título no final para Christian Danner.

Confuso e chateado, Thackwell passou a fazer apenas algumas provas esporádicas, onde dava mostras de ser um talento desperdiçado. Nos 1000 Km de Nürburgring de 1986, deu à Mercedes-Benz seu primeiro triunfo na volta da marca ao automobilismo em mais de três décadas, correndo com uma Sauber ao lado de Henri Pescarolo. No final do ano seguinte, desiludido, parou de correr. Aos 26 anos de idade. Hoje, mora no Sul da Inglaterra e tem uma loja que vende artigos de surf e skate.

Luis Fernando Ramos

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