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| » » » 13.04.09 |
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Imagine a situação: os jogadores do Brasil festejam a conquista da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, depois de uma vitória apertada na final. O resultado de 1 a 0 sobre a campeã européia Espanha veio com um gol de Lúcio de cabeça, depois de uma cobrança de escanteio. Mas a federação espanhola entra com um protesto na Fifa pedindo uma revisão do resultado do jogo. Alegam que o zagueiro brasileiro fez falta no lance do gol, usando um adversário como apoio para ganhar mais impulsão. E reclamam ainda um pênalti claríssimo em Fernando Torres no primeiro tempo, não marcado pelo árbitro.
Duas semanas depois da final da Copa da Mundo, os diretores da Fifa se reúnem em Zurique, estudam os vídeos, escutam os envolvidos e determinam: o protesto é procedente e o resultado da final está anulado. Dali a dez dias, as duas equipes voltam a se encontrar na África do Sul para que a Espanha cobre o pênalti sofrido por Torres. Se marcarem, são os campeões do mundo. Caso contrário, será realizada uma prorrogação de 30 minutos e, persistindo o empate, disputa de pênaltis.
É tão ridículo quanto inconcebível, não é? Mas é isso que os fãs de Fórmula 1 tiveram de engolir nos últimos anos, principalmente nesta recém-nascida temporada. O resultado do GP da Austrália mudou algumas horas depois da bandeirada final com a desclassificação de Jarno Trulli, para mudar novamente quatro dias depois com a exclusão de Lewis Hamilton. Não bastasse isso, os resultados das duas primeiras corridas ainda podem mudar amanhã, terça-feira, quando o Tribunal de Apelação da FIA julgar o protesto contra os difusores de Brawn GP, Toyota e Williams.
É até explícito o fato de Max Mosley usar estes mecanismos como uma forma de exercer seu poder na presidência da FIA. Com estes meios jurídicos, exerce pressão sobre as equipes que ameaçam seu reinado e favorece as que a ajudam. Agora que Ferrari e McLaren estão unidas para ganhar um bolo maior da renda da F-1, Mosley (em comum acordo com Bernie Ecclestone, claro) deve aproveitar a bagunça dos difusores e a nova ordem da Fórmula 1 para minar a força da Fota. Isso deve transparecer na decisão de amanhã e também no julgamento do “escândalo da mentira” do dia 29 de abril.
Ainda que os índices de audiência no planeta não indiquem nenhuma tendência definitiva, uma hora a paciência do espectador inteligente vai estourar com tantos protestos, recursos e julgamentos. Essa briga pelo poder que vai permear o noticiário de bastidores durante o ano todo pode fazer a pior vítima possível, o torcedor. Seria bom que todos os envolvidos com a categoria (Bernie, Max e as equipes) atentassem para isso e dessem logo o passo necessário para devolver a credibilidade para a Fórmula 1: criar um sistema em que o resultado de uma prova seja definido no dia da realização dela.
Quem sabe, se tirassem da presidência da FIA um advogado e colocassem um juiz, a coisa não melhorava...
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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