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| » » » 28.01.09 |
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| Os sete pecados capitais |
28.01.09 |
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Novo regulamento técnico e desportivo, nova realidade econômica. A Fórmula 1 em 2009 se vê diante de uma conjuntura que torna a disputa esportiva completamente imprevisível. Fora da pista, será uma temporada de batalha política e sobrevivência financeira. Dentro dela, a chance de ver o domínio tradicional de Ferrari e McLaren abalado por um pacote que vai misturar completamente as forças. Vai ser o Mundial dos sete pecados capitais.
Avareza – difícil imaginar até que ponto os gastos das equipes da Fórmula 1 permanecerão baixos quando o título estiver em jogo. Se o KERS provar ser fundamental para terminar a temporada no topo, as equipes grandes não vão hesitar em abrir os cofres para desenvolver ao máximo o dispositivo. O mesmo vai valer para o trabalho com supercomputadores e túneis de vento. O dinheiro que seria gasto nos testes em pista – agora proibidos – acabará fluindo em outro canto. É a natureza desse povo.
Mas a avareza se fará presente no Mundial 2009 através do inglês Lewis Hamilton. Depois de se tornar o campeão mais jovem de todos os tempos, o piloto da McLaren não quer abrir mão do sucesso e vai trabalhar como nunca para se tornar um dos nomes mais vitoriosos da história da F-1. Seu discurso no lançamento do MP4-24, de que não vive do passado e garantindo que está mais forte porque não sente mais pressão, foi um claro recado aos adversários.
Inveja – Imagine só, ser campeão mundial por 13 segundos e ver seu sonho se diluir de forma improvável. Felipe Massa perdeu a mais dramática das decisões, mas deixou Interlagos fortalecido. Não apenas mentalmente, mas também no seu status dentro da própria Ferrari. Os adversários criaram agora um respeito enorme por ele. Os principais, aliás, já se sagraram campeões do mundo: Hamilton, Raikkonen e Alonso. A inveja pela conquista dos outros que quase veio para si vai impulsionar o brasileiro em 2009.
Preguiça – O mundo caiu sobre Kimi Raikkonen no ano passado. O campeão defensor fez uma temporada apagada, ofuscado completamente por seu companheiro de equipe e em meio a acusações de problemas com o álcool. Inabalável como um iceberg no inverno, o finlandês nem ligou e ainda ganhou um voto de confiança da Ferrari. E, principalmente, um carro desenvolvido para solucionar seus problemas de 2008, notadamente a falta de aderência dianteira. Sem alarde, Raikkonen vai querer justificar o apoio. Preguiça mesmo, só na hora de responder à imprensa.
Ira – Lembro-me bem no paddock do GP da China do ano passado, a raiva contida de Robert Kubica. Numa temporada em que Lewis Hamilton, Felipe Massa e suas respectivas equipes erraram à vontade, o polonês chegou a sonhar com o título, mas esbarrou na falta de ambição de seu próprio time: a BMW Sauber congelou o desenvolvimento do carro no meio do ano. Os frutos, eles esperam, serão colhidos agora, com o KERS como a principal aposta. O polonês vem com a faca nos dentes.
Vaidade – Se a vitória em Cingapura veio de mãos dadas com a sorte, a do Japão fez o leonino Fernando Alonso estufar o peito. Com um carro apenas mediano, o espanhol conseguir com a vitória em Fuji dar razão aos que o apontam como o melhor piloto do grid atual. Se em 2008 o crescimento só veio nas últimas corridas, neste ano ele e a Renault esperam estar na briga logo de cara. Se o feioso R29 der conta do recado, Alonso vai querer mostrar aos adversários quem é que manda na selva do paddock.
Gula – Depois de brindar os fãs da Fórmula 1 com um desempenho histórico no último GP da Itália e conquistar sua primeira vitória, Sebastian Vettel quer mais. Quer passar da imagem de jovem promissor para se tornar um nome de ponta estabelecido na categoria. O motor Renault que equipe seu carro Red Bull ganhou uns cavalinhos a mais, com a benção da FIA. Se o bólido desenhado por Adrian Newey mostrar qualidades, o alemãozinho vai dar trabalho. Fome de andar na frente é o que não falta.
Luxúria – Enquanto as estrelas do espetáculo farão na pista o que promete ser uma temporada equilibrada (e, certamente, imprevisível), a briga pelas curvas voluptuosas do poder será ainda mais acirrada em 2009. As equipes, agora unidas, não vão abrir mão de uma fatia maior bolo a partir de 2012, quando um novo pacto da concórdia entra em vigor. Preocupado, Bernie Ecclestone já começou sua velha tática de afagar a Ferrari e tentar rachar o grupo. A FIA ainda assiste de longe, atenta, com a velha raposa Max Mosley já sinalizando que quer sim se manter à frente da entidade. A orgia dos poderosos terá mais um capítulo. Pelo bem geral, esperamos que sem a aparição de vídeos amadores dessa vez.
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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