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| » » » 31.10.08 |
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A justiça nos erros |
31.10.08 |
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Antes do Grande Prêmio da China, quando Robert Kubica ainda tinha chances matemáticas de ser campeão, fiz uma pequena pesquisa com jornalistas do mundo inteiro. A maioria afirmava que gostaria de ver o polonês campeão. A explicação mais comum? “Hamilton e Massa cometeram erros demais. Nenhum dos dois merece esse título”. Faz sentido uma afirmação forte como essa? Quem quer que saia campeão em Interlagos, seria imerecido?
Os números sustentam a teoria da alta incidência de erros. Lewis Hamilton chega à corrida decisiva, a 18ª etapa do ano, com 94 pontos na tabela. No ano passado, Felipe Massa encerrou o campeonato (que, importante, teve apenas 17 etapas) com a mesma pontuação. E foi apenas o quarto colocado do certame.
O próprio Massa confirma o quadro. Ontem, lembrei a ele o discurso proferido no final de 2007, de que tinha ficado de fora da briga pelo título por uma série de, nas suas palavras, “azares”, como uma quebra mecânica em Monza, num momento crucial no campeonato. Neste ano, mesmo com tantos problemas, como o motor estourado na Hungria ou o episódio da mangueira em Cingapura, o brasileiro se manteve na disputa. Sua explicação é direta. “A diferença neste ano é que meus adversários erraram muito também”.
É fato. Se a Ferrari e o próprio Massa bobearam em distintas ocasiões, Hamilton também aprontou das suas, o bizarro acidente no pitlane de Montreal à frente. E mesmo Kubica, o favorito de muitos escribas, no final das contas também teve sua cota de falhas. Em Silverstone, andou mal o final de semana todo, algo que se repetiu na China, quando corria para se manter vivo na briga e acabou eclipsado pelo companheiro de equipe, o apagado Nick Heidfeld.
No final das contas, o campeão de 2008, qualquer seja, será merecido sim. O esporte é assim. Em um jogo de futebol, se um time chuta 20 bolas a gol e erra todas, enquanto outro chuta dez e uma entra, a vitória é dele. No tênis, as estatísticas mostram que o vencedor normalmente não é o que possui mais winners, mas o que comete menos erros não forçados.
A Fórmula 1 chega à decisão vindo de uma corrida em que Hamilton foi perfeito. Mas, no Mundial dos erros, difícil não imaginar que a decisão não seja marcada por um erro. Do inglês, do brasileiro ou de suas respectivas equipes. Se acontecer, a diferença na tabela pode ser irrelevante e a falha, fatal. No final, quem errar mais, vai chorar mais.
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