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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 14.04.08
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Robert Kubica 14.04.08


Poucos vezes eu vi um paddock de Fórmula 1 tão feliz quanto no sábado do Grande Prêmio do Bahrein. Quando o polonês Robert Kubica garantiu a pole-position, a sala de imprensa explodiu em júbilo e, depois das entrevistas coletivas, Bernie Ecclestone foi cumprimentar pessoalmente o piloto da BMW Sauber. A categoria, que ansiava por uma novidade para quebrar o marasmo do domínio Ferrari-McLaren que já durava mais de um ano, encontrou em Kubica a representação perfeita daquele time de Camarões da Copa do Mundo de 1990: todo mundo gosta, todo mundo torce por seu sucesso. É o Roger Milla das pistas.

“Fico feliz com isso, é sempre melhor ver pessoas amigas do seu lado do que aquelas de quem você não gosta. Tenho meu jeito de ser e fico feliz de ser considerado um dos pilotos mais simpáticos. Mas na Fórmula 1, o que conta é ser rápido, e não ser amigável”, observou bem o polonês. E rápido ele é. Muita gente no Brasil se lembra de sua aparição como piloto-convidado da etapa de encerramento da Fórmula Renault em 2002 – era a temporada inaugural de uma categoria já extinta. Estamos bem. Sem conhecer Interlagos, ele deu uma lavada em todos os pilotos locais e venceu com facilidade. Há dois anos atrás, quando lhe perguntei o que lhe marcou na ocasião, a resposta foi surpreendente. “O mais legal foi rever alguns amigos dos tempos do kart, como o Jimenez e o Di Grassi”.

Kubica é assim mesmo: simples, sem qualquer traço de estrelismo ou complicações típicas de muitas prima-donas da Fórmula 1 atual. E com uma visão bem realista do esporte. “Para ganhar, é preciso ter o carro mais rápido. Nas primeiras corridas, estivemos quase lá, mas não com velocidade suficiente para vencer. Claro que pode se ganhar contando com o azar de outros, mas nosso objetivo é ganhar por nossas próprias forças. Por enquanto ainda falta um pouco para isso. Mas não muito”, apostou.

Depois da conquista da primeira pole e de ouvir até mesmo o chefe de equipe da Ferrari colocá-lo como um candidato ao título, era normal esperar que Kubica ganhasse em ânimo para o resto da temporada, mas ele garante não ser esse o caso – o ânimo sempre esteve alto desde sua entrada na categoria. “A possibilidade de vitória não muda minha motivação. Não importa em que lugar eu termine, mas sim como fiquei satisfeito com minha pilotagem. Na Fórmula 1, nem sempre se tem o melhor carro. Por isso, é importante ter a certeza de que você deu o máximo. Às vezes, vencer tendo cometido um grande erro não é tão bom quanto chegar em quinto lugar depois de uma corrida perfeita”.

Esta busca incessante pela superação explica bem o fato da performance de Kubica não ter sido abalada pelo pavoroso acidente que sofreu no ano passado em Montreal, durante o GP do Canadá. Algo que, aliás, já tinha acontecido antes na sua carreira. Quando disputou a F-3 Européia, em 2003, o polonês perdeu as primeiras provas da temporada por estar com o braço quebrado após um acidente no trânsito como passageiro. Voltou no circuito de rua de Norisring, com uma proteção plástica e vários pinos de titânio no braço. Eu vi aquela corrida na tevê e Kubica ganhou com absoluta autoridade. Depois do que eu testemunhara em Interlagos meses antes na F-Renault, a impressão de se tratar de um piloto diferenciado ficou ainda mais reforçada.

No ano passado, Kubica mal fez sombra ao companheiro de equipe Nick Heidfeld. Mas têm sido mais veloz que este agora, ainda que com menos pontos somados na tabela até agora. A diferença me foi confirmada numa conversa com Mario Theissen, que apontou um possível motivo. “O nosso carro deste ano é mais imprevisível e difícil de acertar. E Robert fica mais à vontade que Nick numa situação dessas”, apontou.

Se vai dar para ele brigar pelo título? É muito cedo para afirmar. Mas, com a pole-position daquele sábado alegre no circuito do Sakhir, Kubica colocou definitivamente seu país no mapa da Fórmula 1. E eu apostaria que foi apenas o começo...

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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