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O fato de Max ser filho de Sir Oswald Mosley, fundador da União Britânica dos Fascistas, era um dos itens mais conhecidos de sua biografia. Adolf Hitler, inclusive, este presente no casamento de seus pais, ocorrido de forma secreta na casa de ninguém menos que Josef Goebbels, em Berlim, Alemanha. Mas ninguém pode ser culpado pelo passado dos parentes e o atual presidente da FIA sempre deu a entender que não tinha nada a ver com esta herança. Falando certa vez sobre seu pai, ele contou: “Sempre tive problemas, até que cheguei ao automobilismo. Em uma das primeiras corridas de que participei, vi alguém comentar ‘Mosley, Max Mosley, deve ser parente de Alf Mosley, o construtor’ Ali eu soube que tinha encontrado um universo em que não sabiam sobre Oswald Mosley. E sempre tem sido assim, ninguém se importa”.
Mas a ligação entre pai e filho era estreita como deve ser. “Meu pai era uma pessoa maravilhosa. Mas não acho que ele teria sido um bom ditador. Ele falava duro, mas fundamentalmente era suave demais”, disse o presidente da FIA certa vez em uma entrevista. Nos primeiros anos de vida, Max e seu irmão Alexander ficaram longe dos pais, que ficaram detidos durante a II Guerra Mundial. Terminado o conflito, a família viveu em diferentes países da Europa, incluindo um período na Bavária aonde Max aprendeu a falar alemão com fluência. As férias eram passadas em sua maioria no mediterrâneo, na companhia de gente como o generalíssimo Francisco Franco.
No início da vida adulta, Max participou de um novo movimento político fundado por seu pai, o “Union Moviment”, com idéias menos nacionalistas que as do fascismo. Chegou inclusive a defender Oswald em um incidente em 1962, quando o pai foi agredido em Londres. A carreira política sempre foi uma de suas grandes aspirações, mas o sobrenome provou ser um obstáculo grande demais para ele.
Foi no fim dos anos 60 que Max Mosley descobriu este “universo” em que o passado de seu pai não tinha peso nenhum. O jovem advogado inglês começou como piloto em 1966 e chegou inclusive a participar da corrida de Fórmula 2 em que Jim Clark morreu, em 1968. Fez suas últimas corridas no ano seguinte, desistindo depois de sofrer alguns acidentes. Mas já estava se juntando a alguns colegas para iniciar a vida de chefe de equipe com a March.
No automobilismo, Max Mosley encontrou também uma excelente plataforma para satisfazer seu apetite por política. Além de dono da March, era o braço direito de Bernie Ecclestone na Associação dos Construtores (FOCA). Sua ascenção não parou por aí: em 1991 foi eleito presidente da FISA e, dois anos depois, da FIA, unificando as duas associações. Em uma década e meia no comando da entidade, o inglês acumulou poder e fortuna.
Diante do escândalo que estourou ontem, todo o trabalho pode estar indo por água abaixo. Se o homem no vídeo divulgado pelo tablóide News of the World for realmente Max Mosley, o que parece ser o caso, sua reputação estará irremediavelmente manchada. Não pela ótica moral de um homem casado se encontrar com prostitutas para jogos sexuais. Mas pelo teor dos próprios jogos, nos quais o homem que aparenta ser Max Mosley banca o comandante nazista e dá ordens em alemão as moças. Uma figura pública cheia de inimigos que se deixa filmar numa situação como esta é muito ingênua ou muito imprudente.
E num instante, o passado de Oswald Mosley volta a assombrar seu filho.
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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